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Juma Amazon Lodge: descubra como é um hotel de selva na Amazônia

Juma Amazon Lodge - capa

Imagine você no meio da floresta amazônica. Agora imagine você dormindo em bangalôs construídos sobre palafitas a 30 metros do solo. Então imagine que natureza intocada, conforto e privacidade se encontram no mesmo lugar. Foi vivenciando todo esse sonho que me apaixonei pelo Juma Amazon Lodge, o hotel de selva mais ecologicamente correto da Amazônia.

Até aqui sei que existem dois grupos de pessoas: o grupo dos que já sonham em conhecer a Floresta Amazônica e vivenciar uma imersão profunda no meio da selva, e o grupo dos que ainda não deram a interpretação correta para a pergunta: “o que tem pra fazer no meio da selva?”.

Ao final desse post seremos todos de uma só tribo: a tribo que idolatra a maior floresta do mundo (seja porque já vivenciou a Amazônia e sabe o quanto é maravilhoso, ou que está contando os dias para ter essa experiência de vida).

Pois bem. Sem maiores delongas, chegou a hora de mostrar porque o Juma Amazon Lodge ganhou meu coração e certamente também irá ganhar o seu.

Onde fica o Juma Amazon Lodge?

No meio da selva amazônica. Simples assim! Pois é… Chegar nos lugares mais bonitos do planeta não é fácil. Se quiser ter acesso ao que é bom de verdade, vai precisar de um pouco de esforço mesmo. Mas não se preocupe porque a viagem até lá é uma delícia.

O Juma Amazon Lodge está localizado no Rio Juma, a cerca de 100 km ao sudeste de Manaus, numa área completamente preservada de 7 mil hectares. Trata-se do melhor hotel da região.

O Juma está a 3 horas de Manaus, mas já adianto que chegar até lá faz parte da aventura e a viagem pra mim mais pareceu um passeio do que um trajeto de horas.

Já adianto que você não precisa se preocupar em como chegar, pois o Juma organiza tudo pra você.

As saídas ocorrem pela manhã e após almoço. Confirme qual a melhor opção e esteja na recepção do seu hotel (em Manaus) no horário combinado.

Nossa saída foi às 7:30, então, no horário marcado, aguardamos no lobby do Hotel Millennium, e o motorista do hotel veio nos buscar.

Confira também aqui no MV:

Em 30 minutos chegamos ao porto de Manaus, onde um barco pequeno nos aguardava para fazer a travessia.

Passamos mais uma vez pelo encontro das águas do Rio Negro com o Rio Solimões, e 40 minutos depois estávamos na outra margem para dar continuidade ao trajeto.

Confira também aqui no MV: 

O próximo trecho foi feito com o micro-ônibus do Juma Amazon Lodge: mais uma hora de viagem, agora por terra.

E é nesse trecho que já demos adeus ao sinal de celular, internet e afins. Pronto! Hora se começar a se conectar profundamente com a natureza.

Uma horinha depois chegamos na propriedade do seu Armênio, e que surpresa boa conhecer uma pessoa tão simples, simpática, acolhedora e sábia!

O Armênio mora às margens do Rio Maçarico, próximo ponto de partida da viagem, e construiu no seu pequeno sítio um ponto de apoio aos turistas, onde vende água mineral, água de coco e castanhas…

Mas o que mais me agradou mesmo foi ter a oportunidade de conhecê-lo: uma das pessoas mais querida e acolhedora que já me deparei na vida! Armênio nos contou um pouco sobre sua vida pacata nas margens do rio, sobre suas galinhas que botavam ovos azuis (ele até foi buscar alguns exemplares para provar que dizia verdade), sobre como descasca a castanha do Brasil (com direito à aula prática) e como sua vida melhorou depois que chegou energia em sua casa, o que aconteceu há poucos anos.

Torça para ter a oportunidade de conhecê-lo quando estiver indo ao Juma Amazon Lodge! Mas infelizmente no período de seca, quando o rio já está muito baixo, a rota de acesso ao Juma muda, e o sítio do seu Armênio deixa de ser ponto de parada por alguns meses do ano.

Bom, feitas essas considerações muito agradáveis, vamos voltar ao nosso percurso:

Dali até o Juma Amazon Lodge é mais 1 hora e meia de barco. Pode variar 15 a 20 minutos para mais ou para menos dependendo do nível do rio. Se o rio já estiver muito baixo, a lancha precisa ir mais devagar.

Fomos no final de setembro e o nível dos rios já estava baixo: não a ponto de ter que alterar o percurso (mudar a rota de acesso ao Juma), mas a ponto de o piloto do barco precisar ser mais cauteloso ao navegar pelos igarapés.

Independente do tempo que essa parte da viagem demorar, garanto que você não vai se importar. Na verdade eu estava torcendo era para que demorasse mesmo, pois as cenas que meus olhos estavam vendo era coisa que até então eu só tinha visto pela televisão e olha lá.

É surreal! São tantos tons de verde que chega doer o olho de tanta beleza. Difícil se acostumar com tantas árvores de todos os tamanhos imagináveis, com a cor negra do rio, com a vegetação refletindo na água como se tivessem colocado um espelho logo ali.

Estava me sentindo jornalista do Globo Repórter, sério! O cenário natural mais lindo que meus olhos já contemplaram. Só de lembrar já fico emocionada!

E 1 hora e 45 minutos depois: já era possível avistar nossa casa pelos próximos 3 dias – o Juma Amazon Lodge.

Resumo do percurso:

  • Trecho 1 (45 minutos): Partindo do Porto do Ceasa em Manaus até a Vila do Careiro – barco rápido. Durante este trecho o barco passa pelo Encontro das Águas na ida e pelo Flutuante do Pirarucu na volta.
  • Trecho 2 (1 hora): Vila do Careiro até o Rio Maçarico – veículo (Rodovia BR 319 Manaus – Porto Velho).
  • Trecho 3 (1 hora): Rio Maçarico até o Juma Amazon Lodge – barco rápido. Primeiro contato mais íntimo com a floresta, passando por igarapés.

Como é o Juma Amazon Lodge?

O Juma Amazon Lodge parece cenário de filme ou hotel daquelas listas do tipo “os 10 hotéis mais inacreditáveis do mundo” (e se ele ainda não estiver nessa, com certeza tem meu voto para figurar).

Todo sustável, o hotel foi construído sobre palafitas no Rio Juma, um afluente do Rio Negro, com água da mesma tonalidade escura. Um misto de rústico com detalhes modernos, o Juma é puro charme.

Juma Amazon Lodge

Os hóspedes dormem em bangalôs com total privacidade e passarelas ligam o hotel de ponta a ponta. Ninguém pisa no solo, mesmo porque em época de cheia praticamente tudo vira água lá embaixo (o nível da água do rio chega a subir 15 metros na época de cheia).

Juma Amazon Lodge

São apenas 21 bangalôs, todos com integração total à Floresta Amazônica. Inclusive, os materiais utilizados na construção do Juma foram de forma consciente extraídos da própria floresta, com uso do mesmo processo utilizado pelas populações ribeirinhas em suas casas.

Do total de 21, 8 bangalôs têm vista para a floresta, 12 para o Rio Juma e 1 é panorâmico (o maior deles). Todos possuem varanda com rede, banheiro com água quente gerada por energia solar e ventilador de teto (durante o dia faz muito calor, mas as noites na floresta são bem frescas, então o ventilador é suficiente).

Juma Amazon Lodge

Ficamos em um bangalô com vista para o rio e é esse (ou no panorâmico) que eu recomendo que você se hospede, pois acordar e ter aquela vista maravilhosa das águas negras logo ali na sua frente é maravilhoso! Saudade daquela vista…

Juma Amazon Lodge

Os bangalôs com vista para o rio ficam na copa das árvores, estão mais afastados da recepção e do restaurante, oferecendo privacidade absoluta, visto que distantes um dos outros.

O bangalô panorâmico, por sua vez, é o maior de todos. Também foi construído na copa das árvores e tem 32 m² de área. Equipado com cama king-size e varanda panorâmica ao seu redor, com duas redes e uma vista deslumbrante para o Rio Juma. Se puder investir um pouco mais, considere seriamente a escolha.

Além dos bangalôs, o Juma Amazon Lodge possui um amplo restaurante (também construído sobre palafitas) onde são servidas as refeições em estilo buffet. Prepare-se para provar delícias regionais, frutas típicas e peixes deliciosos como o pirarucu (meu preferido da vida) e o tambaqui!

Juma Amazon Lodge

Horário das refeições:

Das 7:00 às 8:00: café da manhã
Das 12:00 às 13:00: almoço
Das 17:00 às 18:00: café da tarde
Das 19:00 às 20:00: Jantar

Quando ir ao Juma Amazon Lodge?

A época da sua viagem depende do seu gosto pessoal. Cheia ou seca?

Na dúvida você também pode optar por períodos intermediários, como eu fiz… Nem tão lá, nem tão cá!

Em fevereiro, aos poucos as águas começam a encher os rios: eis o início da estação da cheia. A partir de maio já se tem a floresta inundada, com possibilidade de navegar pelos igapós e igarapés. Dizem que é a época mais bonita da floresta (vi fotos do período de cheia e realmente é lindo).

Já em agosto as águas começam a recuar, dando início a estação da seca, que fica mais acentuada em outubro, quando a temperatura também se eleva.

Também vi fotos do período de seca (após setembro) e confesso que prefiro na cheia, pois na seca as palafitas ficam todas descobertas, não havendo água embaixo dos bangalôs.

Acho que tivemos a sorte de conhecer o Juma no limite do período que marca a divisão entre a “paisagem da época de cheia” e a “paisagem da época de seca”.

Se quiser fugir do período de chuva, evite principalmente os meses de março e abril. Chuvas esporádicas podem ocorrer durante todo o ano, em virtude do próprio clima úmido da floresta.

Para quem é essa viagem?

A experiência no Juma Amazon Lodge é para qualquer pessoa que queira integração com a natureza, sem abrir mão do conforto.

Também existem pacotes que oferecem noites na selva, quando então o hóspede poderá deixar seu bangalô e dormir em uma rede no meio da floresta, sempre acompanhado de guias experientes.

Não há restrições quanto à idade. O Juma aceita crianças de todas as idades.

Outra observação importante é ressaltar o que você encontrará por lá:

Sabemos desde a época da escola que a variedade da fauna e flora na Amazônia é imensa. Todavia, pela extensão e características da floresta (muito densa), não espere fazer “safari” na Amazônia, porque não é tão fácil ver animais silvestres como a maioria das pessoas imagina.

Animais de grande porte se sentem ameaçados pela presença humana, então eles preferem simplesmente não se aproximar. Para conseguir observar grandes animais em seu habitat natural, seria necessário todo um procedimento de desodorização e ambientação, o que é feito apenas por cientistas e pesquisadores.

Nós, com nosso cheirinho de humano característico, perfume, desodorante, repelente, protetor solar… Afastamos tudo com facilidade.

Anos e anos trabalhando em hotéis de selva, nossos guias disseram nunca ter visto uma onça, por exemplo (e olha que existem muitas na floresta).

Vá preparado para ver muita flora, árvores de pequeno, médio e grande porte, as mais variadas árvores e plantas medicinais, igapós, igarapés.

Quanto à fauna, grandes chances de ver botos, piranhas, jacarés, sapos e aves. Talvez você veja cobras (mais provável que seja pequena), aranhas e preguiças também.

Como são os pacotes no Juma Amazon Lodge?

Como eu disse, ir ao Juma Lodge é escolher quantos dias quer ficar e não se preocupar com mais nada. O Staff atencioso do hotel organiza tudo pra você! O atendimento é muito personalizado, a gente se sente realmente em casa e percebe a preocupação real dos funcionários com seu bem estar.

O que você precisa fazer é escolher o seu pacote. As opções de pacotes são classificadas conforme a quantidade de dias/noites. Existem pacotes de 1 até 5 noites.

O transfer (partindo de Manaus e retornando a Manaus, porta de entrada para a Floresta Amazônica), toda a alimentação (incluindo água e sucos) e os tours já estão inclusos no preço do pacto.

O gasto extra será apenas com bebidas alcoólicas e refrigerantes (não troque os sucos deliciosos do hotel por refrigerantes que só fazem mal à saúde, vai por mim!).

Eu optei por um pacote de 3 noites, que é o pacote clássico. Não recomendo menos do que isso, porque o Juma Lodge oferece muitas atividades, sendo necessário 3 dias completos para aproveitar a maior parte delas.

O que o Juma Lodge oferece de estrutura?

Nos intervalos entre um passeio e outro, o que geralmente acontecia após o almoço, aproveitávamos para tirar um cochilo rapidinho e para curtir a piscina de rio do hotel.

Você nem sente falta de internet e televisão, pois é atividade acontecendo o tempo todo (e nos intervalos você vai querer aproveitar para relaxar um pouco).

A piscina de rio é cercada por telas nas laterais e no fundo, impedindo a entrada de peixes e outros animais. Portando, quem não se sente seguro em mergulhar no rio, pode ter certeza que na piscina estará em segurança.

Juma Amazon Lodge

O local é puro charme: há um deck de madeira flutuante com espreguiçadeiras, mesinhas e guarda-sóis de palha. A vista então… Melhor deixar as imagens falarem por si!

Juma Amazon Lodge

Na recepção, sempre no retorno do passeio da tarde é servido o chá da tarde com bolos, pizza, sucos, café… O ambiente na frente da recepção é muito agradável, com mesinhas e bancos posicionados estrategicamente de frente para o rio.

Juma Amazon Lodge

Ao lado da recepção tem também um redário para quem quiser relaxar, e há ainda um telescópio pra contemplar a lua e as estrelas quando anoitece.

Juma Amazon Lodge

A outra grande atração do Juma Amazon Lodge, que eu propositalmente deixei para o final, são os macaquinhos que chamam a atenção dos hóspedes intensamente.

Juma Amazon Lodge

Os macacos do Juma são vacinados e acostumados com a presença das pessoas. Porém, não podemos esquecer que se tratam de animais selvagens, então precauções devem ser tomadas.

O staff do hotel é muito atencioso e prestativo. Logo na chegada já são passadas todas as orientações. Notei que os funcionário estavam sempre por perto para o caso de algum imprevisto acontecer.

Não gritar ou falar alto, não se aproximar bruscamente, não alimentá-los, são algumas atitudes a serem tomadas em relação aos macaquinhos.

Anita (a que está no hotel a mais tempo) gostou tanto da gente que até resolveu dormir na rede da varanda no nosso bangalô na primeira noite. Acordamos a noite assustados e vimos que era ela que havia chegado. Dormiu a noite toda e acordou só quando nosso despertados tocou pela manhã, gastou uns bons minutos se espreguiçando e foi embora.

Como entre o quarto e a varanda não há vidro (apenas uma tela), levamos um baita susto com um macaco chegando pra deitar na rede! Mas quando vimos que era a Anita, ficamos tranquilos.

Outra cautela é em relação ao quarto: nunca deixe a porta aberta ou encostada (é necessário trancar sempre). Teve um dia que Nicolau, um dos macaquinhos mais arteiros do Juma, seguiu-nos até o quarto e depois ficou batendo na porta para entrar.

Embora fofinhos, não se pode dar confiança demais para essas criaturinhas, pois eles fazem a maior bagunça, quebram coisas e jogam seus pertences no rio (há relatos de hóspede que não trancou a porta e teve uma surpresa desagradável quando retornou ao bangalô).

Nosso roteiro dia a dia – pacote Mutum – 3 noites

Dia 1:

Chegamos no Juma Amazon Lodge próximo ao horário do almoço e quando entramos na recepção, um suco de cupuaçu de boas-vindas nos aguardava.

Fizemos o check-in, ganhamos garrafinhas de água com a logo do Juma Lodge e uma pequena canoa decorativa de madeira com o nome do hotel para levar de recordação.

Após receber todas as instruções, fomos para o nosso bangalô, onde mais mimos esperaram por nós: pulseirinhas feitas com semente de açaí e bombom de cupuaçu e açaí!

Foi só o tempo de trocar de roupa e partir para o almoço…

Embora em regra o almoço seja servido no restaurante do Juma, nesse primeiro dia almoçamos no “Tapiri”, uma  choupana (pertencente ao hotel), localizada no meio da selva, há 10 minutos do hotel (barco). O Tapiri serve como para passeios, almoços e até pernoites na floresta.

Juma Amazon Lodge

Encontramos os outros hóspedes e almoçamos todos juntos. Peixe, carne, frango, arroz, farofa e salada, diretamente do meio da floresta!

Após almoço sempre há um tempo para descansar e o passeio da tarde sai por volta das 15 ou 16 horas. Nesse primeiro dia o cronograma marcava um passeio de canoa a remo pelos igarapés e igapós.

Por sorte nosso guia Ronaldo nos acompanhou na mesma canoa; caso contrário não sei se teríamos conseguido tomar o rumo certo pelo menos uma vez. Nunca vi tanta falta de coordenação para remar!

O passeio pelo de canoa dura em torno de uma hora e meia, o trajeto compreende uma volta ao redor do hotel, finalizando com o por do sol.

O primeiro dia na selva finalizou com um jantar delicioso no restaurante do Juma. Um prato cheio para quem gosta de peixe, frutas e sobremesas com ingredientes e frutos típicos da Amazônia.

Obs. pratos tracionais (arroz, carne, frango, batata…) também fazem parte do buffet.

Dia 2:

O segundo dia começou com um belo café da manhã com vista para o Rio Juma.

O primeiro passeio foi um tour de barco pelas águas negras do rio, com direito à explicação sobre a fauna e flora da Amazônia. Foi um tour contemplativo e explicativo. Adorei aprender de pertinho um pouco mais sobre a floresta.

Juma Amazon Lodge

Antes de voltar para o hotel, pedimos para que nosso guia parasse o barco no meio do rio para que pudéssemos nadar um pouco!

Juma Amazon Lodge

Muita gente não tem coragem, pois a água do rio é realmente escura e não dá pra ver o que tem por perto… Mas o guia disse que era seguro, então sem pensar muito, aceitamos a oferta sem arrependimentos. Rio de água morna só Amazônia tem e eu que não queria perder a oportunidade.

Quando eu pulei do barco, alguns metros a minha frente um boto mergulhou também, provavelmente assustou com o barulho que fiz.

Minutos depois mais um boto percebeu a movimentação estranha e revolveu se aproximar. Por cautela, diante da aproximação do animal, preferimos sair da água. Foi uma experiência fantástica ficar naquela água nem que tenha sido apenas por alguns minutos.

O passeio da tarde foi para pescar piranhas! A isca utilizada era carne e quando a Piranha fisgava, a gente entregava a vara para o guia tirá-la do anzol e devolvê-la para água.

Passamos por uns 3 pontos diferentes e somente do quarto que realmente todos do grupo conseguiram pescar. Em cada um desses pontos havia uma espécie diferente de pirinha e as do último ponto (e mais longe) eram as menores e mais perigosas.

Por curiosidade perguntei para o guia se tem perigo estar nadando no rio e alguma pirinha atacar. Ele disse que não… Exceto se você estiver sangrando! Sorte que esse papo sobre piranhas só aconteceu depois que eu já tinha mergulhado no rio pela manhã… Fiquei mais aliviada!

Após a pescaria, na volta, ainda no barco, apreciamos mais um por do sol digno de Oscar!

O segundo dia foi o mais intenso em atividades, pois depois do jantar tivemos ainda o passeio de focagem de jacaré.

Quando há apenas a luz da lua, o barco sai com os hóspedes e os guias se organizam para encontrar os jacarés na margem do rio. Quando encontram algum de tamanho inferior a um metro, um dos guias desce do barco, pega o animal com uma rede e o trás para o barco.

No barco há uma breve explicação sobre o jacaré, sua anatomia, características e hábitos. Na sequência o animal é devolvido para água sem nenhuma lesão.

O animal não é ferido e em poucos minutos é devolvido ao seu habitat, não causando danos ambientais. Porém, alguns grupos de turistas optam por não fazer a focagem de jacarés e a pesca de piranhas, sendo uma faculdade do hóspede.

Lembro que no hotel havia outro grupo de turistas (europeus), cuja agência que vendeu o pacote para eles não incluía a focagem e a pesca no roteiro, havendo atividades em substituição.

Dia 3:

Após café da manhã saímos para uma caminhada na selva, com duração de aproximadamente 2 horas.

No trajeto aprendemos mais um pouco sobre a fauna e flora (principalmente) da floresta, além de regras de sobrevivência na selva.

Vimos árvores com propriedades medicinais, seringueira (a razão da riqueza do estado no final do século XIX e início do século XX, período do ciclo da borracha), árvores altamente inflamáveis, árvores que armazenam água, que possuem componentes utilizados para produção de cosméticos (como é o caso do mulateiro) e perfumes (sabia que um dos componentes do famoso Chanel nº 5 vem de uma árvore da Amazônia?).

Embora cansativo por conta do calor intenso, achei o tour pela selva extremamente enriquecedor. O que a gente aprende vendo, sentindo e experimentando com todos os nossos sentidos, nunca mais esquecemos!

A dica para esse passeio é usar roupas claras para não atrair mosquitos, preferencialmente calça e blusa de manga longa (aquelas próprias para trilhas). Não esqueça o repelente e leve água.

Na área do Juma Amazon Lodge, em razão do PH ácido do Rio Juma (água alcalina), há pouquíssimos mosquitos, pois a acidez da água inibe a proliferação de insetos (inclusive os mosquitos transmissores da malária – sim pessoal, o Juma está em área livre de malária!).

Porém, na região onde é feita a caminhada na selva, há pequenos lagos, com água não alcalina, que colaboram para proliferação de mosquitos. Use roupa adequada e passe repelente, assim se sentirá mais confortável. Eu estava com roupa escura e não tive uma experiência muito agradável (mas ficou de aprendizado para próxima vez).

Após almoço e descanso da tarde, visitamos a casa de um caboclo e sua família.

Lá aprendemos como é feita a farinha de mandioca, principal atividade econômica da região, e provamos caldo de cana extraído na hora.

A cidade mais próxima ao Juma Amazon Lodge está a horas de distância, mas próximo ao hotel existem comunidades ribeirinhas que extraem do rio e da floresta o que precisam para sua subsistência.

Essas famílias vivem uma vida muito simples e podem plantar em suas terras, pois assim conseguem o básico para sobreviver.

Talvez pensando como pessoas que sempre viveram nas cidades, chegamos ao ponto de fazer uma análise errada sobre a vida dessas pessoas, pois na verdade, a impressão que tive é que, embora a vida ali tenha suas dificuldades (e falte muita coisa), as comunidades ribeirinhas não trocam a tranquilidade das margens dos rios pelo agito e loucura da vida na cidade.

Claro que essa análise não é tão simplista como eu possa ter dado a entender, mas o que eu quero dizer é que quando  vivenciei aquela realidade de perto, revi alguns conceitos sobre poder mudar e querer mudar – alguns deixam sim a vida às margens dos rios para viver na cidade, mas outros simplesmente não querem, pois gostam de estar ali.

Seja como for, fato é que incentivos e programas governamentais precisam ser expandidos na região, principalmente no tocante à educação, que ainda é muito precária para essa população.

No nosso primeiro dia de passeio, tivemos a oportunidade de visitar uma escola local. Crianças de até três idades diferentes estudam na mesma sala, de forma que a escola só tinha duas turmas – uma para os pequenos e outras para os pré-adolescentes/adolescentes.

Juma Amazon Lodge

Além do calor intenso que só permite aulas no período matutino, não há lugar adequado para armazenamento dos alimentos servidos como merenda e faltam professores.

Sem dúvida essa é uma realidade que necessita de atenção do governo, pois apenas assim aquelas crianças poderão um dia optar entre permanecer nas comunidades ribeirinhas ou não… E nada haverá de errado se escolherem ficar, desde que isso seja uma opção e não um destino traçado desde a infância.

E com essa breve reflexão, mostro como essa viagem para Amazônia agregou conhecimento e valor na minha vida. Não apenas uma viagem para conhecer as belezas naturais, mas também para refletir assuntos sociais.

Juma Amazon Lodge

E ao final do terceiro dia mais um momento para ficar marcado para sempre na memória:

Como era nosso aniversário de namoro, solicitamos também ao Juma Amazon Lodge o “pacote lua de mel”, que inclui um passeio privativo de barco para ver o por do sol, com direito a frutas, queijos e vinho!

Juma Amazon Lodge

Além disso, quando chegamos no nosso bangalô, mais uma cesta de frutas e champanhe nos aguardava.

Na manhã seguinte, ainda como parte do pacote, o café da manhã foi servido na varanda do bangalô, com vista panorâmica e direta para o Rio Juma.

Ainda na noite do terceiro dia, no museu do hotel tivemos uma palestra (apresentada pelo nosso guia Ronaldo) sobre a Amazônia: fauna, flora, época de cheia, seca, frutas típicas… Como nosso grupo era todo de estrangeiros (exceto Rodrigo e eu), concordamos que a palestra fosse em inglês, o que já valeu para dar uma desenferrujadinha básica!

A palestra é mais uma atividade que comprova que além de ser um hotel de selva ecologicamente o correto, o Juma está intensamente preocupado em agregar valor e conhecimento aos seus hóspedes.

Dia 4:

Acordamos cedinho para um dos passeios mais esperados do roteiro: assistir o nascer do sol do meio do Rio Juma.

Juma Amazon Lodge

O barco partiu às 5:30 e voltamos cerca de uma hora depois.

Na volta uma surpresa agradável: muitos botos nadando logo ali na nossa frente! Dessa vez preferi apenas “esquecer” que existia câmera e celular ali do meu lado, e preferi simplesmente aproveitar e curtir cada detalhe daquele momento tão raro e especial pra mim.

No retorno, nosso café da manhã já estava preparado na varandinha do bangalô! Como não amar tudo isso?

Juma Amazon Lodge

E depois de toda essa imersão, chegou a hora da despedida. Por volta das 8:30 pegamos o barco de volta para Manaus… Era hora de repetir todo o trajeto, mas agora levando embora uma bagagem interna muito maior do que aquela que tínhamos quando chegamos!

Outros passeios disponíveis no Juma conforme o pacote adquirido:

  • Caminhada noturna na floresta
  • Caminhada com piquenique na floresta
  • Visita a uma Sumaúma
  • Plantio de uma árvore
  • Escalada em árvores
  • Pernoite na floresta

Os passeios variam conforme o pacote escolhido e também conforme a época do ano e condições climáticas. Tudo é pensado para trazer a melhor experiência de selva ao hóspede, sempre dentro das condições segurança.

Observações finais para você se apaixonar de vez pelo Juma Lodge

– Um ano antes de viajar para conhecer a Floresta Amazônica, eu estava fazendo safari na África do Sul. Naquela viagem pensei que nada mais pudesse ser tão incrível quanto aquilo, mas minha experiência no Juma Amazon Lodge absolutamente se equiparou (não dá para eleger o vencedor, pois as suas viagens merecem igualmente o primeiro lugar).

– Embora seja uma viagem nacional, a maioria do turismo na Amazônia é internacional. Está na hora do brasileiro incluir de uma vez por todas na sua lista de desejos a experiência de se hospedar num hotel de selva no meio da selva amazônica.

– Em 2014 o Juma ganhou o prêmio Guia Quatro Rodas, sendo eleito o hotel mais sustentável do ano. O Juma usa energia solar e aquecimento solar da água, tem sistema de tratamento de esgoto próprio, reciclagem central de resíduos, palestras educacionais à comunidade ribeirinha e emprego de funcionários locais.

– Não há sinal de telefone ou internet no Juma. Eis sua oportunidade de ficar alguns dias absolutamente desconectado do mundo virtual e 100% conectado com a natureza e mundo real a sua volta.

– Se você quiser algo ainda mais intenso, pode optar por passeios mais exóticos, como dormir uma noite na selva (literalmente no meio da floresta) em rede amarrada entre duas árvores.

Mas tudo bem também se isso já for demais pra você… Garanto que de dentro do bangalô, no conforto da sua cama, você escutará tudinho que rola na floresta a noite, quando ela acorda!

Na última noite um sapo (cujo tamanho prefiro nem pensar) resolveu ficar ali embaixo, nas redondezas do nosso quarto, e lá se estabeleceu cantando sua sinfonia “sapofônica” durante toda a noite (parou só quando amanheceu).

– Na sua mala (de no máximo 10 quilos) você só precisará de roupas leves e uma roupa própria para fazer a caminhada na selva. No pé: Apenas chinelo (maior parte do tempo) e tênis (para as caminhadas na selva).

– Despesas extras (refrigerantes e bebidas alcoólicas e/ou eventual passeio que esteja fora do seu pacote e você queira incluir) deverão ser pagas em dinheiro, pois não há máquina de cartão no Juma.

– A maioria dos hóspedes do Juma Amazon Lodge são estrangeiros, então os guias falam português e inglês fluentemente (alguns falam francês também).

Grande parte dos guias pertencem às comunidades locais (comunidades ribeirinhas), então fiquei curiosa e perguntei onde aprenderam inglês, e descobri que a maioria deles aprendeu mesmo foi no dia a dia de trabalho ali na  Amazônia. Poucos frequentaram algum curso e porcentagem menor ainda tive oportunidade de estudar inglês em outro país.

Contato do Juma Amazon Lodge

  • Telefone: (92) 3232-2707 ou (92) 99142-2708
  • E-mail: reservas@jumalodge.com.br
  • Site: http://www.jumalodge.com.br/
  • Instagram: @juma_amazon_lodge

Faça aqui sua reserva no Juma Amazon Lodge.

A hospedagem do MV no Juma Amazon Lodge teve incentivo do hotel. Todavia, sempre descrevo minhas experiências tendo como parâmetro a excelência do serviço prestado, a satisfação com as instalações, gastronomia e atividades oferecidas a todos os hóspedes no hotel. Compartilho apenas conteúdos que acredito ser de extrema relevância para os leitores, sendo minha opinião totalmente livre e desvinculada de qualquer contraprestação.

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Anna
Anna
Escorpiana assumida, Defensora Pública em MS e wanderlust por natureza. Está sempre programando uma nova aventura e em busca de experiências, porque acredita que a melhor viagem é sempre a próxima!