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O que fazer em Manaus? Roteiro e passeios no Amazonas

o que fazer em Manaus

Viagens, de modo geral, sempre nos trazem aprendizados em suas mais diversas modalidades. Porém, algumas delas, além desses aprendizados, podem ser classificadas como viagem de experiência, e é exatamente dessa forma que eu defino minha passagem por Manaus.

Manaus sempre foi um destino presente na minha whishlist. Na minha opinião, é a capital mais brasileira e mais exótica, ao mesmo tempo.

E acredito que seja exatamente essa imagem que o Brasil remete ao exterior, pois geralmente quando estou fora do país e me perguntam de onde sou, quando digo que sou brasileira, é comum a primeira pergunta ser: você já foi para a Amazônia?

Até então, meio envergonhada, eu dizia: ainda não, mas pretendo conhecer em breve… Pois é, acho estranho o brasileiro cruzar oceanos para conhecer as belezas dos outros países, mas não dar o devido valor ao que, de certa forma, também lhe pertence.

Mas agora não passarei mais por essa situação constrangedora, e quando me fizerem novamente aquela pergunta, cheia de orgulho direi: sim, eu conheço, e posso afirmar que foi uma das viagens mais espetaculares da minha vida!

Pois bem. Motivada por esse espírito patriota, decidi logo no início de 2018 que Amazônia enfim sairia da lista de desejos para ganhar um “check” no meu mapa mundi de destinos já visitados.

Expectativas altas superadas, agora compartilho com você tudinho sobre minha viagem, porque definitivamente quero ver mais brasileiros viajando pra lá e tendo o mesmo turismo de experiência que tive na maior floresta tropical do mundo!

Para facilitar a leitura e a compreensão do roteiro, vou dividir o post em tópicos. Espero que você goste e se sinta motivado(a) a fazer embarcar nessa viagem o quanto antes.

Duração da viagem à Amazônia:

Dividi minha viagem à Amazônia da seguinte forma:

2 dias e meio em Manaus (visita aos pontos turísticos da cidade, day tour pelos atrativos próximos a Manaus e um bate-volta até o município de Presidente Figueiredo).

3 dias na selva (com hospedagem no hotel de selva Juma Amazon Lodge).

Cheguei sexta-feira após o almoço e retornei na quinta-feira após o almoço. Portanto, foram 6 dias no total.

Hospedagens:

Em Manaus me hospedei no Hotel Millennium que, inclusive, já foi assunto de post aqui no blog.

Na selva amazônica me hospedei no hotel de selva Juma Amazon Lodge, que também já foi assunto de post aqui no blog.

Sempre que você faz sua reserva de hospedagem pelos links que aparecem nos posts, banner na lateral direita do blog ou mesmo clicando aqui você me ajuda: não pagará nada a mais por isso, e eu recebo uma pequena comissão do site. Essa sua ajuda contribui para eu manter o blog MV cada vez mais completo e sempre cheio de novidades! Obrigada!

Época da viagem:

Fiz minha viagem a Manaus/selva amazônica na segunda quinzena de setembro (início do período de seca).

Não há época boa ou ruim para conhecer a Amazônia, mas se você não quer chuva, melhor evitar os meses de março e abril.

Na Amazônia há somente duas estações climáticas bem definidas: seca e cheia.

Fevereiro a julho é o período de cheia. Agosto a janeiro a estação da seca. Em agosto as águas começam a recuar, sendo que em outubro a seca se acentua e as temperaturas se elevam (em setembro já estava bem quente).

Se vale a sugestão, de preferência para os meses de maio a setembro para fazer sua viagem. Os nativos em geral dizem que o período de cheia é mais bonito por conta do nível dos rios e exuberância da vegetação.

Passeios:

Minha amiga Tharcila, do Blog Mapeando Mundo, mora em Manaus há anos e foi minha companhia/guia no city tour pela cidade logo que cheguei. Registro aqui meus agradecimentos à querida Tharcila!

Os passeios próximos a Manaus (day tour e ida a Presidente Figueiredo) foram feitos com a agência Iguana Turismo.

Os passeios na selva amazônica são organizados pelo próprio Juma Amazon Lodge, pois se trata de hotel de selva all inclusive (de comida, bebidas não alcoólicas e passeios).

Roteiro na Amazônia:

City Tour pela cidade de Manaus:

Você pode contratar o passeio de city-tour com alguma agência local, ou fazer por conta própria, usando taxi, uber ou mesmo transporte público.

Como eu disse, Tharcila (IG @mapeandomundo) foi guia por um dia e me levou para conhecer (em uma tarde) alguns dos principais pontos turísticos e históricos de Manaus.

Claro que somente numa tarde não foi possível passear por toda cidade, mesmo porque Manaus é muito grande. Porém, como estávamos de carro, conseguimos fazer os principais pontos turísticos, como Teatro Amazonas, Largo São Francisco, Ponte do Rio Negro e ver o por do sol em Ponta Negra.

Para te ajudar com dos pontos turísticos de Manaus, segue uma listinha dos principais:

As construções em estilo art nouveau espalhadas pelo centro histórico:

O Centro Histórico de Manaus surgiu com a fundação da cidade, e por isso é tão forte a presença de prédios históricos datados do século XIX, quando Manaus era uma das cidades mais ricas do país em razão da exploração da borracha.

Como prova da prosperidade de Manaus no período do ciclo da borracha, ela foi a primeira cidade do Brasil a ter energia elétrica (e uma das primeiras da América do Sul) e bondes transitando por suas ruas.

Alguns prédios estão conservados e podem ser visitados, outros, ao contrário, contrastam-se aos primeiros em total estado de decadência e abandono. Tenha visão seletiva e repare na beleza daqueles que dão charme total à cidade!

Assim, conhecer as ruas do centro histórico de Manaus, por si só, já é uma atração e um mergulho profundo na história: suntuosas construções do final do século XIX e palácios em estilo art nouveau estão espalhados pelo centro, onde hoje abrigam espaços culturais.

O Teatro Amazonas:

Teatro Amazonas, eis o cartão postal da cidade de Manaus.

O Teatro Amazonas foi inaugurado em 1896, na Belle Époque, quando era frequentado pelos barões da borracha que lá assistiam a concorridos espetáculos de companhias europeias.

Desde sua inauguração, até os dias atuais, é possível assistir no teatro espetáculos de óperas, operetas, musicais, peças de teatro, shows de cantores líricos e populares, festivais, grupos de dança, bandas de música, corais e orquestras.

Se sua visita for durante o mês de maio, você terá a chance de assistir o Festival Amazonas de Ópera.

A construção do teatro só foi possível graças ao ciclo da borracha, pois apenas a privilegiada situação econômica da Província do Amazonas (em virtude da exportação da borracha), tornou possível a construção de um projeto tão audacioso (assim como outros edifícios da cidade).

Embora eu não tenha conseguido visitar a parte interna do teatro (em razão de evento que ocorreria naquele dia, estava fechado para visitação), vendo fotos de seu interior, pude perceber que luxo e riqueza ainda estão presentes na decoração, com destaque para os lustres e máscaras venezianas espalhados por toda parte.

O Teatro Amazonas mantém grande parte de sua decoração e arquitetura original, suas pinturas no teto e nas laterais, móveis, pisos e objetos utilizados há cem anos!

Grande parte das peças que compõem a arquitetura do Teatro Amazonas foi importada, a exemplo da cúpula composta de peças parisienses. Sua arquitetura é eclética, com mistura de estilos barroco e rococó.

Hoje o teatro tem capacidade para 701 pessoas e a plateia é circundada por luminárias e fileiras de ornamentos e esculturas de rostos de personalidades da literatura e da música mundial, como Beethoven, Mozart, William Shakespeare e esculturas de máscaras que representam a comédia e o drama do antigo teatro grego.

Teatro e museu caminham de mãos dadas resguardando a memória da cidade de Manaus e, simultaneamente, inserindo as pessoas nessa história, visto que permanece em atividade com eventos e espetáculos frequentes.

Até mesmo Luciano Pavarotti, que queria experimentar a acústica do local, já cantou no palco do Teatro Amazonas (mas o “show” foi apenas para poucas pessoas que o acompanhava em uma visita turística ao Amazonas).

Outra curiosidade diz respeito à cor do teatro: durante as reformas, o teatro já teve as cores rósea, azul, amarelo e cinza. Hoje voltou a ser “rósea” (que é um tom entre cor-de-rosa e cinza).

Informações:

O Teatro Amazonas está aberto de terça a sábado, das 9 às 17 horas; e domingos e segundas-feiras, das 9 às 14 horas.

A entrada é gratuita para pessoas nascidas no Amazonas, mediante comprovação de naturalidade com documento oficial com foto e menores de 10 anos.

Para os demais visitantes, o ingresso custa R$ 20,00 (inteira); idosos (com idade igual ou acima de 60 anos), estudantes, professores, militares, doadores de sangue e pessoas com deficiência e seus acompanhantes pagam meia-entrada. São aceitos pagamentos em dinheiro e cartões de débito e crédito.

Dentro do teatro você pode fazer uma visita guiada (acontecem de hora em hora, de terça a sábado, o primeiro horário é às 9 horas e o último às 17 horas) para aprender um pouco mais sobre a história do teatro e período do seu apogeu.

Endereço e contato: Av. Eduardo Ribeiro, 659 Centro, CEP: 69.010-001. Telefones: (92) 3622-1880 / 3622-2420. Email: teatroamazonas@culturamazonas.am.gov.br

O Teatro Amazonas fica no Largo São Sebastião, no centro histórico de Manaus. Recomendo muito o passeio pelo largo, bem como os bares e restaurantes que rodeiam o lugar.

Os casários no entorno da praça são muito bem conservados, todos coloridos, chamando a atenção dos turistas.

Na praça também está a Igreja de São Sebastião, muito cobiçada para cerimônias de casamentos; e atrás do Teatro Amazonas está o Palácio da Justiça (construído no ano de 1900) – hoje um centro cultural aberto para visitação gratuita.

O Bairro de Ponta Negra

Além de ser um ponto turístico, Ponta Negra é o bairro mais nobre de Manaus.

Se de um lado temos o centro com toda sua história e lembranças do período do ciclo da borracha, Ponta Negra representa a modernidade.

Construído na década de 90, o complexo de lazer da Ponta Negra modernizou aproximadamente cerca de 2 quilômetros da orla do Rio Negro, no extremo oeste da cidade.

Manaus - ponta negra - orla

Amplo calçadão, orla iluminada, quadras de esporte, restaurantes e o mais carro metro quadrado da cidade, Ponta Negra é ponto de parada imperdível para quem aprecia um lindo por do sol.

Após o passeio pela orla, parei para tomar um açaí com farinha de tapioca, o que pra mim foi uma agradável novidade. A farinha de tapioca é formada por bolinhas crocantes que acompanham super bem o açaí… Antes de provar estava com receio quanto ao sabor, mas provei e adorei (queria que tivesse aqui em MS).

Aos finais de semana a prainha de rio (Rio Negro) fica cheia, mas há quem aconselhe não “pegar praia” por ali, pois me disseram não se tratar de área totalmente própria para banho. De qualquer forma, entrando ou não na água, vale muito a visita, pois o lugar não fica atrás dos grandes calçadões das cidades litorâneas (achei um clima bem praiano).

Aos domingos uma via da avenida fica fechada para o trânsito de veículos e é destinada aos pedestres que querem curtir o dia caminhando pela orla, passeando com seus cachorros, brincando com as crianças, praticando atividades físicas…

Recomendo a visita ao píer do Hotel Tropical (não hóspedes podem acessar o local, sendo cobrada apenas taxa de estacionamento por veículo), principalmente para ver o por do sol.

Amazônia - Ponta Negra - por do sol

Amazônia - Ponta Negra - por do sol

A Ponte Rio Negro

A Ponte Rio Negro começou a ser construída em 2007, e para sua construção, em decorrência da acidez das águas do Rio Negro, foi preciso adicionar pozolana (material silicioso anticorrosivo) ao concreto.

A ponte de 3.595 metros foi inaugurada em 24 de outubro de 2011, quando Manaus fez seu aniversário de 342 anos.

O objetivo da ponte foi a extensão da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos e a extensão dos benefícios para a região metropolitana, com incentivos além do Polo Industrial de Manaus, visando maior desenvolvimento e início de uma conurbação entre quatro municípios vizinhos.

A Ponte Rio Negro é hoje a segunda maior ponte fluvial no mundo, ficando atrás da ponte sobre o Rio Orinoco, na Venezuela.

Para o turismo, a ponte em si não reserva grande atrativo, mas recomendo o por do sol em Ponta Negra (no píer do Hotel Tropical), pois de lá você terá um belo cenário com a ponte como plano de fundo.

Ponte do Rio Negro

Mercado Municipal Adolpho Lisboa

O mercado municipal fica próximo ao porto de Manaus, no centro.

Construído em 1880, além de mercado municipal, é um dos prédios históricos da cidade, com arquitetura inspirada em um mercado parisiense.

No mercado você encontrará artesanatos nas mais variadas formas, cosméticos (muitos deles produzidos com matéria prima extraída da floresta), frutas, comida, cachaça…

Informações:

Localizado na Rua dos Barés, n. 46, centro, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa abre de segunda a sábado, das 8 às 17 horas e, aos domingos, abre das 6 às 12 horas.

MUSA

O Museu da Amazônia (MUSA) se trata de um museu a céu aberto localizado em uma reserva florestal dentro da cidade de Manaus.

No MUSA há trilhas guiadas pelo meio da floresta, com explicações sobre fauna e flora local.

A principal atração do MUSA é sua torre de 42 metros de altura, de onde é possível ter uma vista aérea da floresta e copa das árvores. A visita guiada até a torre tem duração de 1 hora e meia.

Como eu já tinha feito trilha na floresta durante meus dias no Juma Amazon Lodge, decidi não ir ao MUSA, mas deixo aqui como opção de passeio, pois foi muito recomendado por outros turistas e pela população local.

Informações:

O MUSA fica aberto todos os dias, exceto às quartas-feiras, das 9 às 17 horas (sendo possível ingressar apenas até às 16 horas).

Encontro das Águas + Parque Ecológico Janauary + nado com botos + comunidade indígena

Fiz esse passeio de 1 dia com a agência Iguana Turismo (IG: @iguanatour), que me buscou no hotel pela manhã e me deixou no mesmo lugar ao final do dia, um pouco antes do sol se por.

De todos os passeios, esse é aquele que, caso você tenha apenas um dia em Manaus, deve escolher.

O passeio dura um dia inteiro, mas todos os lugares visitados são próximos a Manaus. Trata-se de uma combinação bacana para você sentir um pouco de como é a selva amazônica.

O barco sai do porto e já no início do caminho passamos por um posto de gasolina flutuante (no meio do Rio Negro), onde o barco parou para abastecer.

A primeira parada do passeio é no famoso Encontro das Águas, isso mesmo, aquele que a gente estuda na escola e fica imaginando como é ver ao vivo e, literalmente, a cores.

Manaus - encontro das águas

E realmente esse encontro é mágico:

As águas barrentas do Rio Solimões se encontram com as águas escuras do Rio Negro, passando a se chamar Rio Amazonas.

O fato relevante dessa junção de águas é justamente a dificuldade que as águas dos rios possuem para se misturar. Por quilômetros é possível ver nitidamente o Rio Negro de um lado e o Solimões do outro.

E essa dificuldade de fusão entre as águas, ocorre em razão das condições naturais de cada rio. O Rio Negro possui PH mais ácido, é mais lento (menor correnteza) e possui temperatura mais alta; enquanto o Rio Solimões tem PH menos ácido que o primeiro, é mais rápido (correnteza maior) e temperatura um pouco inferior.

Outra diferença entre os rios é o fato que o Solimões possui mais matéria orgânica e sedimentos (nasce na Cordilheira dos Andes e desce trazendo esses sedimentos), o que contribui para sua maior biodiversidade.

O rio Amazonas tem 7.008.370 km² de extensão, vários nomes e diversos afluentes em seu curso no Peru. Na fronteira com o Brasil, recebe o nome de Solimões, passando a receber o nome de rio Amazonas quando encontra o Rio Negro, próximo à cidade de Manaus.

Além de percorrer territórios do Peru, Brasil, Colômbia, Bolívia, Equador, Guiana e Venezuela, no Brasil o rio se estende por 3.843.402 km² e banha os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará e Mato Grosso.

Com o degelo nos Andes e a estação de chuvas na região Amazônica, ocorre o fenômeno das cheias que atingem os municípios que estão nas margens dos rios Solimões, Amazonas, Tapajós, Negro, Juruá, Purus, Japurá e Madeira.

Após apreciar o encontro das águas, dando continuidade ao trajeto, o barco passa na frente de um vilarejo ribeirinho, onde é possível avistar de perto as casas, mercados e escolas flutuantes.

Na Amazônia é comum encontrar construções flutuantes ou sobre palafitas, e isso é necessário para que a vida e estabelecimento de populações ribeirinhas seja possível. Entre a estação cheia (chuva) e seca (estiagem) há variação de cerca de 14 metros no nível das águas dos rios, então somente as palafitas ou os flutuantes possibilitam que pessoas vivam na beira dos rios.

Nosso tour não envolveu nenhuma parada em lugares onde houvesse exploração de animais silvestres. Não sei exatamente onde esse turismo inconsciente é feito (animais silvestres servem de “iscas” para atrair turistas que querem pegá-los e tirar fotos com os animais no colo), mas já registro que o day tour com a agência Iguana Turismo não adere a essa prática.

Após uma rápida parada em um criadouro de pirarucu (um dos peixes mais conhecidos da Amazônia), o barco para em um restaurante flutuante, junto ao Parque Ecológico Janauary.

No Parque Ecológico Janauary é possível percorrer passarelas até um ponto final onde estão as vitórias-régias.

No lago das vitórias-régias há centenas delas e algumas são tão grandes que chegam a suportar até 40 quilos (desde que igualmente distribuídos em sua superfície).

Embora a curiosidade rodeie milhares de pessoas, avisar nunca é demais: se encontrar uma vitória régia ao seu alcance, nunca suba nela – primeiro porque provavelmente você é mais pesado do que o peso que ela suporta; segundo porque ainda que você seja bem magrinho(a), os quilos precisam estar igualmente distribuídos; terceiro porque a planta possui espinhos em sua parte inferior, que podem machucar.

A vitória-régia inicia a vida em forma de flor de colorações que se estendem do branco ao rosa. Após o florescer, já é possível avistar o formato redondo, tradicional da planta.

Também é frequente aparecerem macacos por ali, mas justamente no dia que eu estava lá, eles resolveram não dar as caras.

Após caminhar pelas passarelas suspensas do parque, na volta o almoço típico no sistema de buffet é servido no restaurante flutuante, com várias opções de carne, frango, peixe, saladas, frutas… Achei bem farto e é uma boa oportunidade para provar comidas regionais como tacacá e pirarucu (melhor peixe na minha opinião – tem tanta carne, que parece até um frango… Tente imaginar! Já estou sentindo falta, porque por aqui só tenho comido tilápias mirradinhas).

E na sequência chega a parte mais encantadora do passeio: o “nado com os botos”.

Eu já era fascinada pelos botos mesmo antes de ver um bem ali diante dos meus olhos. Então impossível negar que essa foi, pra mim, a parte mais esperada do passeio.

Embora a ansiedade fosse grande, quando o turismo envolve animais, existe da minha parte uma preocupação sobre a forma como ele é feito.

Quando fui para o México há alguns anos e vi de perto como era a exploração dos golfinhos, fiquei traumatizada e decidi que não queria participar daquele tipo de turismo exploratório nunca na vida.

Fiquei feliz quando tive a certeza de que na Amazônia o “nado com os botos” em nada se compara com aquele “nado com golfinhos”, e então me permiti ter a experiência.

Não vou ser cética e afirmar que o impacto é zero, porque evidentemente há interferência humana na natureza, mas ela é muito pequena, de modo que, por si só, não causa danos ao meio ambiente, tampouco alguma espécie de desequilíbrio ambiental.

Os turistas são divididos em grupos limitados e todos devem usar coletes salva-vidas. As pessoas são convidadas a se posicionar na plataforma, onde os botos virão para comer os peixes oferecidos pelo guia.

Os botos estão em seu habitat natural e não há nenhuma cerca ou divisória no rio, sendo a plataforma onde ficam as pessoas, totalmente aberta. O guia pega um peixe na mão e espera os botos se aproximarem para buscar (eles podem ou não aparecer).

Para que os botos venham, é importante que os turistas não façam barulho, tampouco movimentos bruscos. Também é proibido o uso de protetor solar, bem como passar a mão nos botos – essa regra é mais recente e visa proteger os animais de eventuais cremes e produtos que a pessoa tenha nas mãos e possa causar danos à pele sensível dos botos.

Embora seja proibido o contato físico dos turistas com o boto, pode acontecer o contrário, ou seja, talvez entre um mergulho e outro um boto passe perto de você, então o contato ocorrerá. Aconteceu algumas vezes comigo e então pude sentir como é a pele lisinha e emborrachada deles.

Uma vez por semana o “nado com botos” não é realizado, pois os animais precisam buscar 100% do alimento por conta própria.

São regras que regulam o “nado com botos” (ICMbio): somente os funcionários treinados podem alimentar os animais; atualmente existe um limite de 2 kg/dia para cada boto; os botos recebem apenas peixe resfriado devidamente; hoje existe restrição quanto ao número de pessoas na plataforma emersa e submersa.

Manaus - nado com botos

A parada final antes do retorno a Manaus é na comunidade indígena chamada Reserva do Tupé, onde os índios recebem os turistas com danças e pinturas.

Ao término das apresentações, fomos convidados a conhecer a comunidade, caminhar por seu território e provar sua culinária, incluindo formigas, tapioca e peixe assado.

Importante frisar que não se trata de uma tribo indígena propriamente dita, mas sim de uma comunidade indígena que preserva suas culturas, mas tem atualmente o turismo como fonte de renda.

Há sem dúvida uma mistura entre a cultura tradicional e o aculturamento, mas ainda assim estamos falando de um local onde índios vivem em suas ocas, preservam tradições e não possuem energia elétrica.

Confesso que no início, antes de visitar a comunidade, tive certo preconceito pelo fato de que encontraria índios que fazem do turismo sua fonte de renda e por isso já estariam influenciados pela “cultura branca”.

Depois da visita e de entender melhor como vivem, compreendi que o turismo em uma comunidade indígena só é possível se for feito tal como é, afinal, nenhuma tribo nativa aceitaria a presença de turistas em suas aldeias.

Inclusive, para visitar aldeias floresta a dentro, é necessária autorização da FUNAI e do pajé da tribo, algo que geralmente se torna possível apenas em relação a estudiosos, pesquisadores, médicos ou pessoas que buscam desenvolver algum trabalho em benefício da tribo.

Ainda hoje existem tribos virgens no interior da Amazônia e que não aceitam a presença do homem branco, vivendo completamente sob suas próprias regras e costumes. Se nem mesmo o exército consegue chegar até lá (para levar suprimentos), quiçá os turistas… E melhor que seja assim, pois se trata, no mínimo, de um gesto respeitoso.

Depois dessa reflexão desfiz todo meu preconceito sobre a comunidade visitada (Reserva do Tupé) e passei a ser muito grata pela experiência que eles nos proporcionaram.

Manaus - comunidade indígena

Contato da agência Iguana Turismo:

  • Telefones: (92) 99105-5659 e (92) 3633-6507
  • Endereço: Rua 10 de Julho, n. 663, centro, Manaus.
  • Serviços: Jungle Tours, Day Tour, Presidente Figueiredo, MUSA, City Tour.
  • Site: amazonbrasil.com.br
  • Instagram: @iguanatour

Presidente Figueiredo

Presidente Figueiredo é um município que pertence à região Metropolitana de Manaus.

Com cerca de 33 mil habitantes, o município despontou para o turismo ecológico em virtude de suas belíssimas cachoeiras, selva, corredeiras e cavernas. O Ministério do Turismo catalogou mais de 100 quedas d’água (nem todas são exploradas economicamente através do ecoturismo).

Considerando a proximidade de Manaus (1 hora e meia/120 quilômetros), torna-se possível um bate-volta para conhecer algumas das belezas naturais da região. A rigor, um dia é muito pouco para tantas cachoeiras e cavernas, mas como era o tempo que eu tinha, resolvi não desperdiçar e conhecer do jeito que deu.

As opções para chegar até Presidente Figueiredo são três:

Carro: alugue um carro em Manaus, dirija pela BR-174 (120 quilômetros) e chegue ao destino final. Caso você ainda não esteja certo de quais lugares visitar e como são as cachoeiras da região, procure a Secretaria de Turismo do município para informações e/ou contratar um guia local para te acompanhar nos passeios.

Ônibus: embora seja uma opção mais difícil, é possível pegar um ônibus em Manaus com destino a Presidente Figueiredo. A dificuldade consiste no acesso aos atrativos no município, pois distantes um dos outros e a locomoção pode ser um problema se você não tiver nenhum meio de transporte ao seu dispor.

Excursão: assim como o day tour (expedição na região de Manaus), também fiz esse passeio de um dia com a agência Iguana Turismo (IG: @iguanatour). Eles buscam de van no hotel pela manhã e devolvem ao final do dia, um pouco antes do sol se por.

Além da visita a duas cachoeiras, o almoço também está incluso no passeio. Um guia acompanha o grupo durante todo o percurso.

A Iguana Turismo trabalha com opções de passeios de 1 dia e também de 2 dias e 1 noite a Presidente Figueiredo. Por conta dos meus dias contados, fiz a opção de passeio de 1 dias, mas se conseguir se programar, recomendo mais tempo, pois assim será possível conhecer mais cachoeiras.

Sugestões de cachoeiras para visitar em Presidente Figueiredo:

  • Cachoeira do Santuário
  • Cachoeira Iracema + Gruta do Galo da Serra
  • Cachoeira das Araras
  • Cachoeira Sucuriju
  • Cachoeira do Mutum
  • Cachoeira Pedra Furada
  • Cachoeira Asframa

No meu day tour em Presidente Figueiredo conheci a Cachoeira Iracema + Gruta do Lago da Serra na parte da manhã, e a Cacheira Asframa na parte da tarde.

Cachoeira Iracema:

Cachoeira Iracema

Gruta do Galo da Serra:

Cachoeira Iracema e Gruta do Galo da Serra

Cachoeira Asframa:

Cachoeira Asframa

Contato da agência Iguana Turismo:

  • Telefones: (92) 99105-5659 e (92) 3633-6507
  • Endereço: Rua 10 de Julho, n. 663, centro, Manaus.
  • Serviços: Jungle Tours, Day Tour, Presidente Figueiredo, MUSA, City Tour.
  • Site: amazonbrasil.com.br
  • Instagram: @iguanatour

Onde comer em Manaus:

Segue a listinha dos restaurantes que conhecemos em Manaus:

  • Banzeiro
  • Caxiri
  • Suzuran

O Banzeiro (Rua Libertador,102) foi o nosso preferido. Tudo que pedimos estava delicioso!

Cardápio cheio de opções, comida de qualidade e bom atendimento. O ambiente é simples, mas a qualidade é surpreendente.

Fomos recebidos com um caldinho de peixe, cortesia da casa. Depois pedimos dadinho de tapioca e provamos a formiga preparada pelo chef (tem gostinho de chá de capim cidreira).

O prato principal foi filé de pirarucu recheado com banana e queijo, acompanhado de arroz e batata inglesa. Saboroso e bem servido.

A sobremesa foi um petit gateau de cupuaçu com sorvete de tapioca – diferente e surpreendente!

O Caxiri (Rua 10 de julho, 495) ganha no quesito “ambiente”, pois é aconchegante e charmoso, além de proporcionar uma bela vista para o Teatro Amazonas (na hora da reserva, peça por uma mesa na janela).

A comida é boa, gourmet com toques da culinária regional. Provamos tudo o que tinha de mais diferente no cardápio, com direito a refeição completa com entradinhas, pratos principais e sobremesa.

Destaque para o cardápio de drinques e, principalmente, para a caipirinha de limão com cachaça de jambu, melaço de cana e puxuri. Adorei a sensação de dormência que deixa na ponta da língua! Tem que provar!

Por fim, a terceira experiência gastronômica em Manaus, foi no restaurante Suzuran (Rua Itannana, 100), que apresenta uma fusão entre comida japonesa e ingredientes exóticos da Amazônia.

Peça o menu amazônico e se prepare para uma excelente combinação de ingredientes, cores e sabores! O próprio chef vem até a sua mesa fazer a apresentação dos pratos.

Experimentamos sashimi com peixes regionais, comemos tempurá de urtiga e até vitória régia (o chef faz uso de  plantas comestíveis não convencionais em sua receitas). Tudo muito diferente e saboroso!

Mais algumas sugestões de restaurantes em Manaus: Moquém do Banzeiro (do mesmo dono do Banzeiro), Coco Bambu Manaus (rede tradicional que não tem erro) e Tambaqui de Banda (opção mais simples que os demais, está localizado na frente do Teatro Amazonas – boa opção para almoço).

Agora o Mala de Viagem também está no TripAdvisor, com todas avaliações de cada experiência da viagem. Segue lá!

Espero que esse post tenha manifestado em você a vontade de conhecer a Amazônia, e que sua viagem seja tão incrível como foi a minha!

Dúvidas e sugestões podem ser deixadas no campo destinado aos comentários, ao final desse artigo.

O Blog Mala de Viagem fez os passeios de day tour em Manaus e em Presidente Figueiredo a convite da agência Iguana Turismo. Entretanto, o conteúdo desse post reflete minha opinião pessoal, sendo certo que sempre prezo pela sinceridade e honestidade com os leitores, havendo total controle editorial sobre todo o conteúdo publicado.

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Anna
Anna
Escorpiana assumida, Defensora Pública em MS e wanderlust por natureza. Está sempre programando uma nova aventura e em busca de experiências, porque acredita que a melhor viagem é sempre a próxima!