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Cusco, Vale Sagrado e Machu Picchu: dicas e roteiro de viagem

Machu_Picchu

Se eu tivesse que escolher apenas uma palavra para definir o Peru, eu diria que ele é “mágico”. Sua capital, Lima, é apaixonante, e ela é apenas um bônus antes de se chegar a Cusco – porta de entrada para o fantástico Vale Sagrado dos Incas, que com toda sua história e misticismo, fazem desse país um território tão especial.

Há tantos lugares incríveis para serem visitados no Peru, que é fato incontroverso que só uma viagem para aquele país não será o suficiente, já estou doida pra conhecer Huaraz (cujas trilhas foram muito bem descritas no blog A pé no mundo),  Arequipa, Puno, o Lago Titicaca e as linhas de Nazca… E esses são apenas os lugares que me lembrei agora rapidamente, sem precisar pensar muito.

Mas se você está programando a sua primeira jornada ao Peru, então conhecer Cusco, o Vale Sagrado dos Incas e Machu Picchu será um ótimo começo!

Machu Picchu

Embora esta seja uma viagem internacional, os brasileiros podem ingressar no Peru apenas com RG (em bom estado de conservação e com data de expedição não superior a 10 anos), não havendo necessidade de passaporte ou visto.

A dica número um é: faça um stopover em Lima (mesmo porque não há voos diretos para Cusco). Aposto que você não irá se arrepender de incluir a capital no seu roteiro “desvendando o mundo Inca”!

Para aprender como fazer um stopover, confira o post sobre como comprar apenas uma passagem aérea e conhecer mais de um destino.

Para conferir todas as dicas de Lima, confira o post dicas de viagem e gastronomia na capital do Peru.

Feitas essas considerações iniciais, é hora de planejar sua viagem a Cusco, Vale Sagrado dos Incas e Machu Picchu.

Conhecendo Cusco e a entrada para o Vale Sagrado

O Vale Sagrado engloba cidades e sítios arqueológicos às margens do Rio Urubamba.

Para conhecer um pouco mais sobre ele, vamos começar nossa jornada em Cusco, que é a porta de entrada para o Vale Sagrado dos Incas.

Viajando de Lima para Cusco

Se você optar por comprar sua passagem do Brasil para Lima, depois poderá comprar o trecho Lima-Cusco com uma companhia peruana, fazendo um voo interno. Nós optamos pela Star Peru, mas também há voos da Avianca, Taca e da Peruvian Airlines. O voo de Lima até Cusco dura cerca de 1 hora.

A segunda opção, como já mencionei, é comprar a passagem do Brasil a Cusco e fazer um stopover em Lima.

Pesquise as duas formas e veja o que melhor lhe convém.

Antes de falar um pouco da história do Vale Sagrado e te dar minhas dicas de passeios, acho que vale à pena sugerir que no seu voo de Lima a Cusco, você escolha a janelinha. Isso porque Cusco está a 3.400 metros acima do nível do mar, então pense comigo: você sairá de Lima (nível do mar) e irá até uma cidade super alta! Já imaginou como será a vista do avião? Pois é, a cordilheira andina vista de cima faz com que esse trajeto (Lima-Cusco) seja, por si só, uma atração imperdível.

Cusco

Um pouco da história 

Cusco (ou Cuzco, em espanhol, vem de “Qusqu”, que significa “umbigo do mundo”) está localizada no Vale Sagrado dos Incas e era o principal centro administrativo e cultural do Império Inca. Embora na cidade ainda haja resquícios de construções incas, infelizmente muito foi destruído durante a invasão espanhola no século XVI.

Cusco é a “porta de entrada” para se conhecer o antigo Império Inca. A cidade é pequena e muito fácil de “se achar”. A região da Praça das Armas é onde estão concentradas as lojinhas, restaurantes, confeitarias, agência de turismo, farmácias, etc. Se precisar ir a algum lugar mais afastadinho, o taxi é barato (mas sempre combine o preço previamente).

O Vale Sagrado dos Incas está localizado nos Andes Peruanos e engloba cidades e sítios arqueológicos, incluindo Machu Picchu, às margens do seu principal rio, o Rio Urubamba. Foi a região escolhida pelos Incas para desenvolver sua civilização, haja vista as condições geográficas e climáticas favoráveis.

Plaza de Armas, Cusco

A altitude talvez seja um problema

Com ela vem o tal do “mal de soroche” (ou mal de altura), mal esse que sofri apenas uma vez na vida (e foi lá no Chile, no deserto do Atacama para ser mais exata), mas foi tão ruim que até hoje lembro daquela tontura misturada com enjoo e dor de cabeça.

Não é todo mundo que sente esses sintomas, mas como não dá pra prever. Quando chegar em Cusco, reserve o primeiro dia para atividades mais tranquilas, ou seja, que não exijam muito esforço físico, pois esse período de adaptação é importante.

Se o seu corpo não reagir bem à altitude e ao ar rarefeito, o chá da folha de coca pode ajudar a amenizar os sintomas. Na recepção dos hotéis geralmente eles deixam o chá e umas balinhas para ajudar a prevenir os sintomas.

*Um pouco mais sobre o mal de altura: os sintomas mais frequentes são náuseas, tonturas e dor de cabeça. A intensidade dos sintomas varia de pessoa pra pessoa, e também há os que não sofrem os efeitos do mal de soroche. Em regra, os sintomas desaparecem sozinhos, mas isso pode levar até 1 dia inteiro.

Para prevenir o problemas, as dicas são: não se esforçar muito no primeiro dia, comer comida leve, tomar muita água e não ingerir bebida alcoólica. Uma boa noite de sono também irá ajudar. Além do chá que eu mencionei, na farmácia você irá encontrar remédios específicos para ajudar a aliviar os sintomas.

Melhor época para conhecer o Vale Sagrado

Fomos em maio e, apesar do frio, creio que seja a melhor época para visitar a região e fugir do período de chuvas, que acontece entre os meses de novembro a março.

Se quiser fugir do período chuvoso, maio é um ótimo mês para conhecer Cusco e o Vale Sagrado

Onde se hospedar em Cusco

Pois bem, é fácil se organizar: se você quer ficar bem localizado, escolha um hotel próximo à Plaza de Armas, porém, pagará mais caro por isso e o hotel não será necessariamente melhor do que os localizados em outras áreas da cidade.

Nossa opção foi por nos hospedar em dois lugares diferentes. O primeiro hotel – Polo Cusco Suites (Avenida Alameda Pachacutec 404, 051 Cusco, Peru), fica a cerca de 5 minutos de carro da Plaza de Armas, então era necessário pegar taxi para chegar até o burburinho da cidade.

O segundo hotel (que não vale à pena ser recomendado) ficava a poucos metros da Plaza de Armas, não sendo necessário taxi. Acontece esse hotel, embora melhor localizado, era bem mais caro e de qualidade inferior, então se fosse para escolher novamente, ficaríamos apenas no primeiro, visto que o gasto com taxi foi pouco.

Geralmente eu opto pelos hotéis de melhor localização, mas nesse caso a diferença de preço era muito grande, e por mais que não fosse ao lado da Plaza de Armas, o Polo Cusco Suites, não ficava muito longe do centro.

Em Cusco há opções de hospedagem para todos os gostos e bolsos, desde os mais simples hostels, até hotéis super requintados. Um site de busca de hotéis te ajudará a escolher a opção que mais combina com você. Particularmente eu gosto muito de usar o hoteis.com, pois na maioria das vezes apresenta bons preços (se você se cadastrar, terá descontos extras apresentados como “seu preço secreto”) e a cada dez diárias, você ganha um desconto significativo na décima primeira.

Roteiro completo Vale Sagrado e Machu Picchu:

City Tour em Cusco

No seu primeiro dia em Cusco, caso você ainda não tenha comprado os passeios previamente, aproveite para fazer isso logo no primeiro momento, pois além de te tomar tempo, isso irá te deixar mais tranquilo depois, e com sua agenda turística toda organizada.

Mas se você gosta de ter sua viagem toda organizada desde o Brasil, e assim poupar tempo no destino, deixo aqui a indicação da PERU GRAND TRAVEL, uma agência com profissionais peruanos e brasileiros, e quase uma década no mercado do turismo, focada em lhe proporcionar as melhores experiências da sua viagem, com bom atendimento e qualidade.

Destaque para a venda online de pacotes para Machu Picchu, com opções de viagens compartilhadas, privativas e hospedagens. Há ainda diversas outras opções de destino incluindo Lima, Cusco, Vale Sagrado, Puno, Arequipa, Nazca, Paracas e Lago Titicaca.

A minha dica é que você faça todos os passeios que puder e aproveite sua viagem para conhecer o máximo dessa região tão rica culturalmente!

Depois de comprar os passeios pelo Vale Sagrado e Machu Picchu, e estiver com a agenda para os próximos dias toda preenchida, aproveite o dia para conhecer Cusco e fazer o city-tour.

Alguns passeios você poderá fazer por conta própria em Cusco, são eles: passear pela linda Plaza de Armas, conhecer os cafés/restaurantes da redondeza, entrar nas lojinhas de souvenir, visitar museus…

Plaza de Armas, Cusco

Para a parte da tarde do seu primeiro dia em Cusco, o city tour é uma boa ideia (é o passeio padrão para o primeiro dia, e provavelmente é o que a agência vai te recomendar). O city tour tem um preço ok e dura uma tarde inteira.

Esses passeios do city tour também podem ser feitos por conta própria, ou seja, sem necessidade de contratar um tour guiado, porém, como o local é histórico, acho de fundamental relevância ter um guia para te explicar o que significa cada lugar, cada coisa.

O city tour inclui visita à Catedral (que fica na Plaza de Armas), ao Convento de Santo Domingo (Qorikancha), aos sítios arqueológicos de Sacsayhuaman e Q’enqo, à fortaleza de Pukapukara e ao templo da água chamado Tambomachay.

No final ainda para em uma loja que vende roupas feitas com lã de alpaca, com preços nada atrativos. Você encontrará preços melhores em lugares menos “pega turistas”.

  • A Catedral é um dos cartões-postais de Cusco e está localizada na Plaza de Armas. Foi construída em nada menos do que 100 anos, e seu interior é repleto de adornos suntuosos feitos de ouro e prata.
Catedral
  • O Convento de Santo Domingo foi construído no séc. XV em homenagem ao deus Sol. Suas paredes eram de ouro (foi tudo saqueado pelos espanhóis) e é chamado de Qorikancha, que significa “cercado de ouro” (na língua quechua). Com a invasão espanhola, o museu arqueológico foi doado à Ordem Dominica, e por isso foi transformado no Convento de Santo Domingo.
Interior do Convento de Santo Domingo
  • O Parque Arqueológico de Saqsaywaman é impressionante e está a apenas 2 km da área central de Cusco. Com área de 3 mil hectares, trata-se de uma fortaleza Inca com finalidade cerimonial. O que mais chama atenção no sítio arqueológico é a magnitude das rochas com as quais foi construído, num encaixe perfeito, sem nenhum tipo de argamassa, mas que resistiram a terremotos e ainda estão lá totalmente intactas. As rochas chegam a pesar mais de 300 toneladas, e até hoje é um mistério a forma como os Incas as talharam com tanta precisão e perfeição.
Sacsayhuaman
Atenção para o tamanho das rochas!
  • Q´enqo foi a quarta parada do city tour e se trata de um sítio arqueológico famoso por ser um “refrigerador natural”. Percorremos seu interior, onde há uma rocha talhada que era utilizada como mesa cerimonial onde eram feitos sacrifícios religiosos. Q’enqo também era um local utilizado para realização de rituais de mumificação.
Q’enqo
Mesa de sacrifícios do templo Q’enqo
  • Pukapukara foi a próxima parada. Não ingressamos no templo, apenas paramos para umas fotos no lado de fora mesmo. A fome bateu e comemos um milho abençoado que estavam vendendo por ali.
Pukapukara
  • Tambomachay é um templo dedicado às águas, e foi o último templo visitado no primeiro dia. Fica a 7 km de Cusco e está a 3.765 metros de altitude (mais alto do que Cusco). O sol já estava se pondo e o frio aumentando (principalmente por causa do vento cortante). Era tido pelos Incas como um ambiente de purificação e parada para descanso (Tambomachay, em quechua, significa “lugar de descanso”). Aqui tivemos que fazer uma caminhada de uns 15 minutos para chegar até as fontes. O lugar é muito bonito, mas para o passeio ficar mais agradável, esteja bem agasalhado.
Tambomachay

Depois de conhecer Cusco e os sítios arqueológicos da região, através do city-tour, passamos a visitar lugares ainda próximos a Cusco, mas que exigem mais tempo em razão da necessidade de deslocamento.

De todos os passeios do city tour, o melhor, na minha opinião é Sacsayhuaman. Então, se estiver com pouco tempo e tiver que escolher apenas alguns, não deixe de incluir ele na sua lista, ok?

Atenção para dica: na hora de comprar seu city tour e os demais passeios (para os outros dias), certifique-se o que já está incluso no seu pacote. Nós optamos por fechar um pacote completo, que já incluía os bilhetes de entrada de cada lugar (tinha gente no grupo que não tinha comprado os ingressos antes, aí tinha que pagar na hora). Inclusive, nesse boleto havia também outras atrações incluídas, como os museus (visitamos depois por conta própria). Comprando esse boleto turístico você economiza, pois se fosse pagar tudo separado, o preço era consideravelmente maior. Além do que, comprando mais passeios, conseguimos mais desconto no final (pode pechinchar).

Mais detalhes sobre o boleto turístico: esse boleto se trata dos ingressos para dezesseis atrações turísticas em Cusco e região do Vale Sagrado. Na frente do boleto consta uma imagem do lugar e seu nome; na parte de trás há informações como horário de funcionamento de cada local e um mapinha de Cusco. A cada atração visitada, será feito um furinho correspondente ao lugar. Esse boleto é pessoal (consta seu nome nele) e válido por prazo determinado (você pode comprá-lo apenas para 1 dia ou para mais tempo).

Os passeios pela região do Vale Sagrado – de Pisac a Olantaytambo

O Vale Sagrado compreende o território entre os povoados de Pisac e Olantaytambo, e é composto pelos seguintes lugares: sítio arqueológico de Sacsayhuaman (esse fica localizado a apenas 2 km de Cusco e o conhecemos durante o city tour), Tambomachay (também conhecido durante o city tour em Cusco), Kenko, Pisac, Moray, Maras, Ollantaytambo, Chinchero e Urubamba.

Assim, como o city-tour em Cusco, a melhor forma de conhecer os demais lugares do Vale Sagrado, é contratando os passeios com uma agência e indo de excursão (ou contratando tour privado). A razão de excursão ser a melhor opção se deve ao fato de que os lugares são distantes uns dos outros e, ainda, há alguns pontos de difícil acesso (como no caso das Salineras de Maras).

Além da tranquilidade de chegar ao destino final sem o risco de se perder no caminho, você ainda terá os guias explicando a toda a história do local.

Então, se você não é do tipo que gosta de turistar com excursão, aconselho que abra uma exceção para conhecer o Vale Sagrado dessa forma, pois as agências locais são especializadas nesses roteiros, oferecem bons serviços e a presença de um guia é de fundamental importância para se entender um pouco mais sobre a história de cada lugar.

Se o Peru fosse um lugar apenas com paisagens naturais exuberantes, tudo bem, eu até falaria para você arriscar ir sozinho, mas não é apenas isso, entende? Cada pedacinho dos sítios arqueológicos esconde uma curiosidade, uma história, um detalhe, que sem a explicação adequada, tudo passaria batido aos nossos olhos.

Caso o bolso permitir, você ainda tem a opção de contratar tour privado, com mais conforto e com guia exclusivo.

A parte do guia eu considero essencial, pois embora a magnitude das ruínas e sítios arqueológicos já impressionem por si só, é muito interessante saber para que e como eram utilizados cada lugar, como os povos Incas se organizavam, como viviam, etc.

Nossos guias explicavam sempre em inglês e em espanhol. Depois era liberado um tempo de mais ou menos 20, 30 minutos para que pudéssemos caminhar e tirar algumas fotos.

Depois de conhecer Cusco e fazer o city-tour no primeiro dia, ficamos hospedados em Cusco por mais dois dias, pois ela é a cidade base para conhecer os outros lugares do Vale Sagrado. Isso não significa que você deverá necessariamente se hospedar lá, pois a depender do seu roteiro, poderá incluir algumas noites em Urubamba e Ollantaytambo, por exemplo (inclusive há hotéis magníficos na região, como é o caso do Tambo del Inka).

Em 2 dias de passeios, visitamos os seguintes lugares do Vale Sagrado:

  • Pisac: é um sítio arqueológico fantástico, com muitos templos e terraços agrícolas. As ruínas estão a 33 km de Cusco e ficam a quase 3.000 metros de altitude. Há rumores de que o local teria sido construído para funcionar como posto militar, mas depois foi utilizado como um centro cerimonial, residencial e observatório astronômico (Templo del Sol). No sítio arqueológico também foi construído um lugar reservado para as sepulturas, mas as múmias e os metais preciosos ali encontrados foram saqueados há muito tempo.
  • Chinchero: no caminho a excursão para em um local onde são produzidas lãs peruanas típicas e lá mostram como é feita a produção com lã de ovelha ou de alpaca. A próxima parada foi na igreja de Chinchero.
  • Moray: sítio arqueológico constituído na forma de ruínas circulares. Os terraços circulares eram utilizados para se fazer experimentos com agricultura, pois cada terraço era o microclima perfeito para se cultivar algum tubérculo ou cereal diferente (embora os arqueólogos ainda não sejam unânimes acerca da finalidade). No passado era possível caminhar por toda a região e chegar até o seu centro, mas hoje há restrições em relação às áreas transitáveis.

  • Salineras de Maras: embora pertença à região do Vale Sagrado, ela não está ligada à cultura inca, mas sim ao povo local. Cada poço de sal pertence a uma família, que explora de forma artesanal um sal de excelente qualidade que surge nas montanhas (distante muitos quilômetros do mar). A água salgada que desce das montanhas é morna e isso você pode conferir colocando a mão pelos caminhos que ela faz. No caminho até as salinas você vai passar por muitas lojinhas de artesanato, vale parar para comprar um pacotinho de sal (sal rosa muito bom e com preço melhor ainda) e os saquinhos transparentes de banana chips também curti.

  • Ollantaytambo: depois de Machu Picchu, esse foi o meu lugar preferido! A cidade de Ollantaytambo foi construída durante o Império Inca por Pachacuti, onde era sua casa oficial, além de um centro de cerimônias religiosas. A construção é grandiosa e vale à pena cada degrau que você sobe (e coloca degrau nisso), pois a vista que se tem lá de cima espetacular. Essa cidade é muito importante na história peruana, pois lá se deu a maior vitória dos Incas contra os Espanhóis (que depois conseguiram reconquistar a cidade no ano de 1537).

De Ollantaytambo partimos para a estação de trem que nos levou até Águas Calientes. Estávamos com nossas bagagens nesse dia (cada um com uma mochila de mais ou menos 15 kg). Nesse dia não estávamos com a excursão, pois deixamos a excursão em Urubamba e pegamos um taxi até Ollantaytambo.

Para conseguir visitar as ruínas sem a mochila pesada nas costas, entramos em um dos hostels da cidade e combinamos com o dono para deixar nossas bagagens lá por algumas horas.

Assim, o sítio arqueológico de Ollantaytambo foi o último tour do “quite Vale Sagrado”. Depois de conhecê-lo, pegamos o trem para a cidade de Águas Calientes rumo ao principal destino da viagem: Machu Picchu.

Chegando ao principal destino da viagem: Machu Picchu

Machu Picchu está a 2.400 metros de altitude (Cusco está a 3.400m), é o destino mais procurado no Peru, e não é à toa que é uma das 7 maravilhas do mundo moderno.

Das 3 que conheci até agora (Machu Picchu, Cristo Redentor e Chichen Itza), Machu Pichhu continua sendo a minha maravilha preferida!

O curioso é que a Cidade Perdida dos Incas, como é chamada, foi descoberta a pouco mais de 100 anos, em 1911, e ainda há divergências sobre quem teria sido seu verdadeiro “descobridor”.

O fato é que o lugar é simplesmente mágico! É impossível chegar lá e não se impressionar com os conhecimentos científicos, físicos, astrológicos, que os povos Incas já detinham, e tudo sem a ajuda do “Google”!  

A cidade é completa: lá foram construídas casas, praças, centros cerimoniais e religiosos, cemitérios, aquedutos, tudo de pedra. Eu posso ficar horas descrevendo a magia do lugar, mas você vai precisar ir para sentir, porque é exatamente isso que eu quero dizer: você não “vê” Machu Picchu, você “sente” Machu Picchu.

Bom, feitas essas considerações, voltamos às dicas de viagem e roteiro:

Quando chegamos na estação de trem em Ollantaytambo, tivemos um problema na viagem: naquela semana, os funcionários do trem (Peru Rail) que faz o trajeto até Machu Picchu entraram em greve. Por conta disso tivemos que refazer todo nosso roteiro e trocar a ordem dos hotéis que já estavam reservados, sorte que no final deu tudo certo.

Acontece que no dia que pegamos o trem para Águas Calientes, em razão da greve da semana, houve uma série de atrasos e o nosso trem que estava programado para o final da tarde, saiu de Ollantaytambo com seis horas atraso. O resultado foi que chagamos em Águas Calientes já de madrugada e mortos de cansaço…

Superado o problema com o atraso do trem e a falta de taxi na hora da chegada em Águas Calientes (lá tudo é muito pertinho e taxi não é 100% obrigatório, exceto se você estiver com bagagem pesada, porque a cidade é uma ladeira), era hora de descansar poucas horas para no dia seguinte conhecer uma das sete maravilhas do mundo!

Águas Calientes é uma cidade bem pequenininha e há quem a adore e quem a odeie. Eu estou no grupo dos que a adoram! A cidade é um charme, uma gracinha mesmo. Passa um lindo rio bem no meio, embora isso gere uma consequência ruim: a cidade é muito úmida – cuidado com qual hotel irá reservar, pois pra quem tem alergia a ácaros, poderá ser um problema. Confira algumas opções de hotéis em Águas Calientes.

Além disso, em regra os hotéis na cidade não são baratos, e por isso há muita gente que opta por pegar o primeiro trem a Águas Calientes pela manhã, passar o dia em Machu Picchu e retornar no final do dia, sem pernoitar na cidade.

Nós optamos por passar 2 noites lá. No dia da chegada fomos direto ao hotel dormir (em razão do atraso do trem) e não aproveitamos nada a cidade, embora a ideia inicial fosse sair para jantar num restaurante legal.

No dia seguinte acordamos de madrugada para chegar cedo em Machu Picchu, retornamos à cidade no fim do dia,  visitamos a feirinha artesanatos e escolhemos um restaurante aconchegante para jantar, pois embora a cidade seja pequena, há muitas opções de bons restaurantes por lá.

No último dia, pegamos um dos primeiros trens de volta, e dessa vez fizemos o trajeto Águas Calientes até Poroy.

O ingresso para visitar Machu Picchu tem que ser comprado com antecedência, assim como o trem para Águas Calientes.

Com exceção do ingresso para Machu Picchu, que compramos pela internet (no site oficial de Machu Picchu), todos os demais passeios fechamos com a mesma agência em Cusco, que organizou todos os nossos passeios, inclusive alternando nosso roteiro por conta da greve do trem. Não lembro o nome da agência para indicar (naquela época ainda não imaginava que um dia eu teria um blog de viagem e que seria uma boa ideia gravar o nome da agência), mas como já disse, existem inúmeras agências especializadas nesses roteiros em Cusco (só não deixe de pechinchar para garantir seu desconto).

Dicas gerais sobre Machu Picchu:

-O ingresso para Machu Picchu tem que ser comprado com antecedência (há limite visitantes/dia), pois não é possível comprar lá na entrada. Dá para comprar pela internet ou na mesma agência de turismo que você fechar os passeios ao Vale Sagrado (assim você já pode incluir o guia, que é essencial para entender o que é cada coisa dentro do santuário). Eu recomendo comprar com antecedência pela internet e depois contratar um guia lá mesmo.

-Machu Picchu fica no alto de uma montanha. Logo de Águas Calientes (que é a cidade no pé da montanha de Machu Picchu) até Machu Picchu, você pode ir de ônibus (tem um ônibus próprio para esse percurso, cuja passagem você compra na hora por uns 20 dólares se for ida + volta) ou à pé (cerca de uma hora e meia de caminhada). Recomendo o trajeto a pé só se for por razões de economia, pois não há nada de muito interessante para ser visto no até o topo da montanha, além de uma estrada sinuosa.

Os ônibus são frequentes e, no máximo, você terá que esperar uns 10 minutinhos até chegar o próximo. Fique atento ao último ônibus de volta, caso contrário você terá que voltar à pé. O trajeto de ônibus dura uns 20 minutos.

-Se estiver com disposição para acordar cedo, vale à pena pegar o ônibus logo no primeiro horário (5:30) e ver o nascer do sol lá em Machu Picchu. Chegamos cedo, mas não tivemos essa oportunidade, pois o dia amanheceu nublado e com uma chuvinha chata.

– Visitamos a Cidade Sagrada dos Incas em maio, estava um pouco frio (depois com o sol até que esquentou, pois a região é de selva tropical) e o tempo estava fechado pela manhã. Diante disso, tivemos uma ideia legal: aproveitamos e ficamos lá até o horário de fechar, pois já não havia muitos turistas e aproveitamos para tirar fotos lindas (e sem ninguém atrapalhando).

– A melhor época para visitar Machu Picchu é durante a estação de seca: de maio até setembro. Quanto mais seco o tempo, menor a chance de neblina forte. No dia que fui, havia muita neblina pela manhã.

-O tour guiado é importante, pois só assim você entenderá cada pedacinho do local, e olha que tem muita coisa interessante! Além disso, o guia faz as explicações em não mais do que 2 horas, e depois você fica livre para caminhar por onde quiser e explorar por conta própria. Não deixe de visitar a Porta do Sol e a Ponte Inca (o guia não passou conosco por esses lugares).

Porta do Sol: é pela Porta do Sol que chegam os visitante que fazem a Trilha Inca. Fica localizada no lado leste, e lá era a entrada principal do santuário.

Ponte Inca: a trilha é tranquila e a finalidade da ponte, quando construída, era militar, tratando-se de uma das rotas de fuga da cidade, pois depois que a tropa atravessasse, o próximo passo era derrubar os troncos de madeira no abismo e os invasores não poderia passar.

-Aquela montanha espetaculosa que sempre aparece nas fotos clássicas de Machu Pichhu é a Wayna Picchu. Também há outra montanha chamada Machu Picchu (do lado oposto da primeira). As duas podem ser escaladas (mas exigem preparo físico).

O importante é que, caso você decida subir uma ou outra, deverá comprar seu ingresso com muita antecedência – com o máximo de antecedência possível (tipo uns dois meses antes, sério!) – caso contrário ficará sem, como eu fiquei. A compra é feita online, no site oficial.

-Leve seus lanchinhos para comer durante o dia, pois não encontrará nada muito bom pra comer por lá (há apenas uma lanchonete do lado de fora, e tudo com preços astronômicos, claro). Também não há banheiros no interior do santuário.

-Além de chegar em Águas Calientes por Ollantaytambo, também é possível pegar o trem nas estações de Urubamba ou Poroy, que fica mais perto de Cusco (mais ou menos uns 15 minutos). Porém, se você quiser conhecer Ollantaytambo, a melhor opção é pegar o trem lá mesmo.

Na ida pegamos o trem em Ollantaytambo (pois queríamos conhecer o sítio arqueológico); na volta pegamos o trem até a estação de Poroy e depois um taxi até Cusco.

-Opções de trem/Peru Rail: existem várias opções de trem, e a viagem por si só já é uma atração.

Na ida eu não vi nada, pois já era madrugada, mas na viagem de volta pude apreciar as belezas do percurso e adorei o trajeto. Os horários, valores e opções de trem podem ser escolhidos no site da Peru Rail. Na viagem de ida, optamos pelo trem mais em conta, o Expedition, e na volta pelo Vistadome (categoria intermediária, com serviço de bordo melhor, vagões mais espaçosos e janelas panorâmicas para se apreciar as paisagens do lado de fora). O trem de luxo chama Hiram Bingham e quem já experimentou disse ser ótimo.

Há restrição quanto à quantidade e peso da bagagem para ingressar no trem da Peru Rail. Rodrigo e eu estávamos cada um com uma mochila grande, de mais ou menos 15 kg. Não tivemos problema e não pesaram nossa bagagem, mas fique esperto quanto a esse detalhe. Geralmente as pessoas viajam a Águas Calientes com a bagagem do dia e deixam as malas no hotel em Cusco (ou onde é que estejam hospedadas).

-Não há estradas que ligam Cusco a Águas Calientes, então além do trem, a outra opção para se chegar a Machu Picchu é através da famosa Trilha Inca. Na época que viajei ao Peru, não era muito aventureira não, então nem cogitei essa possibilidade, mas se fosse hoje, com certeza eu analisaria a opção com carinho. A Trilha Inca tradicional tem duração de 4 dias e percorre o chamado “Caminho Real”.

vale sagrado

Tudo isso ainda não te convenceu a conhecer o Vale Sagrado? Então vai aqui mais um motivo para começar a programar sua viagem agora mesmo para o Peru:

Além das paisagens maravilhosas, do mergulho na história dos povos Incas e seus ancestrais, a cultura com a qual você terá contato nesse país é algo imensurável! Viajar ao Peru é se contagiar com a alegria do povo peruano que, em meio à pobreza, encontra seus próprios motivos para sorrir e ser feliz. É mergulhar num universo de cores vibrantes vistas em cada artesanato e no vestuário dos povos locais. É se encantar com a forma como as mães carregam seus bebes enquanto trabalham. É aprender que temos muito mais a agradecer do que a pedir na vida, e se deixar levar pelo embalo da música local e alegria contagiante que é tão inerente àquele território.

Até a próxima!

Anna.

Anna
Anna
Escorpiana assumida, Defensora Pública em MS e wanderlust por natureza. Está sempre programando uma nova aventura e em busca de experiências, porque acredita que a melhor viagem é sempre a próxima!