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Deserto do Atacama no Chile: o deserto mais árido do mundo

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Quando eu penso em belezas naturais em suas mais diversas formas, cenários que vão da neve ao deserto, logo me vem à cabeça um país: Chile. E uma coisa é certa: esse é de fato um país impressionante em toda sua fina extensão. Nosso primeiro paraíso explorado no país das cordilheiras foi nada mais nada menos que o deserto do Atacama. Gostou? Então vem comigo que te levo na minha Mala de Viagem para conhecer o deserto mais árido do mundo.

Quando você decide que quer conhecer o Chile, uma das primeiras coisas que você descobre é que não vai dar pra conhecê-lo em apenas uma viagem (exceto se você tiver muitos e muitos dias pra isso).

E eu digo isso exatamente em razão da sua “anatomia” (4.300km de comprimento x 175km de largura), geografia e diferença climática. Então o ideal é não ter pressa e dividir o país em quantas viagens forem necessárias, pois assim você poderá curtir cada pedacinho da forma como merece.

A clássica foto no Trópico de Capricórnio - Atacama
A clássica foto no Trópico de Capricórnio – Atacama

O bacana é que a capital Santiago sempre pode fazer parte do seu roteiro, pois independentemente de se estar programando uma viagem ao norte ou ao sul do país, Santiago poderá ser o ponto de partida ou chegada. Na nossa viagem foi o ponto de chegada.

Para conferir dicas sobre a capital do Chile, leia aqui o post sobre Santiago.

Numa viagem de 14 dias, dividimos o roteiro entre Atacama e Santiago e região (Viña del Mar, Valparaíso, Cajon del Maipo e rolou até uma passadinha no Vale Nevado, embora a temporada de neve já tivesse acabado).

Agora vou descrever o nosso roteiro dia a dia e a partir da minha experiência, vou te ajudar a programar sua viagem para o deserto do Atacama.

Qual a melhor época para ir ao Atacama?

Bom, primeiro é preciso ter em mente que a amplitude térmica do deserto do Atacama, seja qual for a época do ano, é muito grande.

Você se vestirá em camadas e conforme o sol chega no pico, você vai tirar suas camadas até ficar com apenas uma camiseta. Depois é só fazer o procedimento inverso… fácil né?

Será que venta no Atacama?
Será que venta no Atacama?
De chinelo e camiseta na Laguna Cejar - Atacama
De chinelo e camiseta na Laguna Cejar – Atacama

Se a amplitude existe independente da época, em relação às chuvas a história é diferente. Sim, chove no deserto do Atacama, e essas chuvas, mesmo que raras, podem acontecer nos meses de janeiro a março.

Estamos falando do deserto mais árido do mundo, então é possível que viaje ao Atacama em fevereiro e não encontre uma gotinha de água de chuva sequer.

Além disso, o Atacama tem mais de mil quilômetros de extensão, o que significa que pode ser que chova em uma região, mas não na outra.

*Se você tiver o azar de pegar chuva, provavelmente não conseguirá ver a real beleza do Atacama, pois muitas atrações fecham. Se puder, evite essa época do ano.

Como chegar no Atacama?

Pegamos um voo internacional até Santiago e depois um voo doméstico de Santiago para Calama (1h30min de voo).

Comprando o trecho Santiago-Calama com companhia aérea chilena (voo doméstico), você consegue fazer uma boa economia.

Voos SP-Santiago entram em promoção com frequência. Então com um bom planejamento, você consegue passagens a preços de banana.

De Calama para San Pedro do Atacama (cidadezinha base do Atacama), contratamos um transfer (1h50min de viagem). Aproveite a viagem para curtir a paisagem árida e as usinas de energia eólica pelo caminho.

A nossa ideia inicial era fazer o trajeto Santiago-San Pedro de carro, mas isso levaria muito tempo (1.635km) e nos tiraria dias preciosos de viagem, então fizemos a escolha mais acertada: avião.

Não viaje sem seguro!

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Qual moeda levar?

Importante levar dinheiro em espécie: peso chileno, dólar ou real. O câmbio em Santiago é melhor, então se passar por lá antes, já aproveite para trocar seu dinheiro.

Em San Pedro do Atacama alguns lugares aceitam cartão de crédito, mas muitos não aceitavam, por isso é importante ter dinheiro em mãos. Em caso de emergência, também há alguns caixas eletrônicos por lá.

Vou gostar de conhecer o Atacama?

Difícil é encontrar alguém que não goste do Atacama, isso sim!
Difícil é encontrar alguém que não goste do Atacama, isso sim!

Provavelmente, pois o Atacama é um destino muito versável, que vai do luxo ao mochilão, passando pelo turista intermediário que curte um conforto, mas não abre mão da economia.

Não é um destino super barato, mas você consegue planejar sua viagem conforme seu bolso.

Dá pra escolher entre o hotel de luxo, o simples ou o hostel; o almoço no restaurante mais sofisticado ou o menu padrão de um restaurante mais básico; passeio por conta própria ou com agência de turismo… E assim você consegue ajustar a trip conforme seus interesses.

Em relação aos passeios, idem: você pode optar entre passeios tranquilos de contemplação, ou passeios nível “hard”, como fazer trekking, pedalar, escalar um vulcão*. Tem atividades para todos.

*Desejo master da viagem era escalar o Licancabur (5.920m de altura), mas não é que o danadinho, depois de muitos anos dormindo, resolveu entrar em erupção bem na semana que estávamos lá? Sacanagem… não só ficamos proibidos de escalar, como tivemos que inverter a ordem de vários passeios que estavam na rota de perigo.

Por sorte conseguimos visitar todas as atrações, mas isso porque o sinal de alerta, inicialmente vermelho, regrediu para amarelo.

O importante é gostar de natureza e de apreciar paisagens maravilhosas (que se assemelham a verdadeiros quadros pintados à mão), e aceite que para ter essas experiências você terá que acordar de madrugada, sentir frio, passar algumas horas dentro do carro, fazer xixi atrás da porta… Mas já digo de antemão: as belezas do Atacama valem todo o esforço!

Atacama e suas paisagens maravilhosas
Atacama e suas paisagens maravilhosas

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Como se vestir no Atacama e o que não pode faltar na mala?

Geralmente você sairá para os passeios ainda de madrugada, portanto, estará frio de bater os queixos. Além da temperatura negativa, existe ainda sensação térmica e o vento. Resumindo, é frio pra caramba.

O ideal é colocar a quantidade de roupas que você entender necessário (conforme sua resistência ou, no meu caso, falta de resistência, ao frio) e se vestir em camadas. Um casaco corta vento também é fundamental.

"Agasalho" completo - resistindo ao frio do Atacama
“Agasalho” completo – resistindo ao frio do Atacama. Isso já era mais no meio da manhã, por isso estou sem gorro e sem luvas.

Aí, no decorrer do dia, conforme a temperatura vai subindo, você vai “descascando a cebola”.

Dá tudo certo, desde que você não se esqueça de por uma roupa leve por baixo. E quando o sol vai embora, o que acontece? Aí é hora de vestir tudo novamente. E assim vivemos no Atacama, num tira-põe danado.

Nos pés eu usei tênis (ou botinha de trilha – eu prefiro, pois assim não estrago meus tênis) e chinelo. Sempre ia de tênis e levava o chinelo na bolsa.

Alguns passeios como Termas Puritama, Laguna Cejar e Geisers del Tatio (não os geisers em si, mas sim os lagos de água quente que ficam ali do lado) envolvem água, então nesses dias, é interessante já ir com a roupa de banho por baixo.

Lago de água quente do lado dos Geysers - Atacama
Lago de água quente do lado dos Geisers – Atacama

*No post sobre os passeios, também fiz observações quanto às roupas que você deve usar para cada dia da viagem. Clique aqui para conferir!

Coloque na mala (e na mochila do dia a dia): hidratante labial, protetor solar, soro fisiológico para o nariz (principalmente se o seu nariz costuma sangrar quando o clima está muito seco), chapéu/gorro, luva e cachecol, remédios para dor de cabeça e enjoo (devido à altitude).

Como se hidratar no Atacama?

O máximo de água que puder. Só lembre que tem muitos lugares que o banheiro é no meio do nada (e quando digo “meio do nada”, é só pra lembrar que não tem um arbusto mais altinho pra você se esconder, sacou?).

Mas com o tempo você acostuma (girls: levem lencinhos umedecidos para dar um help)! Só não deixe de beber água. Beba água e depois você pensa em como se esconder pra fazer xixi…

A hidratação externa do corpo também é importante, principalmente os lábios, que ficam muito ressecados. Leve manteiga de cacau ou o hidratante labial de sua preferência.

Hidratante corporal também é importante. Soro fisiológico para o nariz e colírio para os olhos são recomendados.

Quanto ao cabelo, alguns reclamam que fica ressecado, mas eu percebi que com o meu foi o contrário: meu cabelo ficou muito sedoso e brilhoso no clima seco (em lugar úmido é que tenho problemas).

Como prevenir o mal de altura no deserto do Atacama?

Vejo muita gente se preocupar com o mal de altura ou mal de “soroche” quando vai ao Peru, mas pouca gente citar o problema quando vai ao Atacama.

O mais curioso é que o Atacama tem alguns pontos (a exemplo do Salar de Tara) mais altos do que Machu Picchu e outros sítios arqueológicos do Peru. O vulcão Licancabur, por exemplo, está a  5.920m de altura.

Não tive sintomas nenhum de “soroche” no Peru, mas “passei mal à beça” no Salar de Tara, no Atacama.

Salar de Tara - o passeio de maior altitude que fizemos no Atacama
Salar de Tara – o passeio de maior altitude que fizemos no Atacama

Eu pensei: “ah… não passei mal com altura no Peru, também não vou passar aqui” – e pah: lá estava eu com dor de cabeça, enjoo e uma sensação de peso sobre o meu corpo.

*Um pouco mais sobre o mal de altura: os sintomas mais frequentes são náuseas, tonturas e dor de cabeça. A intensidade dos sintomas varia de pessoa pra pessoa, e também há os que não sofrem os efeitos do mal de soroche.

Em regra, os sintomas desaparecem sozinhos, mas isso pode levar até 1 dia inteiro. Para prevenir os problemas, as dicas são: não se esforçar muito no primeiro dia, comer comida leve, tomar muita água e não ingerir bebida alcoólica. Uma boa noite de sono também irá ajudar.

Confira o post sobre Machu Picchu para saber mais sobre o mal de soroche”.

Onde se hospedar?

Hospedagem em San Pedro do Atacama pode ser em hostel, hotéis de categoria turística ou hotéis de luxo.

Deixo aqui algumas sugestões de hospedagem que eu escolheria hoje:

Hotel Cumbres San Pedro de Atacama (categoria luxo)

Explora Atacama (categoria luxo + all inclusive)

Hotel Desertica

Lodge Quelana

Hotel Poblado Kimal

Casa Solcor Boutique Bed & Breakfast

Hotel Jardin Atacama

Hotel Casa Algarrobo

Em San Pedro, na época da viagem, minha opção foi ficar em um hotel chamado Dunas.

O Dunas é um hotel, mas parece uma mistura de uma pousado com um hostel com quartos privados. É bem simples, o café da manhã era super básico, mas o quarto tinha um bom espaço, o banheiro (embora pequeno), tinha água quente.

A cidadezinha de San Pedro do Atacama, que na verdade é um povoado, é bem pequena, então dá pra fazer tudo a pé, de modo que não há muita preocupação em escolher uma hospedagem “longe”.

O que tem para fazer em San Pedro de Atacama?

San Pedro de Atacama é a base para se conhecer o Atacama. É lá que você vai se hospedar, jantar e fazer comprinhas nos mercadinhos.

O vilarejo (de mais ou menos 8.000 habitantes – mas que recebe milhares de visitantes todos os anos) fica bem pertinho da divisa com a Bolívia (por isso é tão comum combinar Atacama e Uyuni na mesma viagem).

A rua principal de San Pedro se chama Caracoles, e nela estão concentrados restaurantes, lojinhas e mercadinhos. 

O mais importe: é lá que você vai comer (quando não estiver nos passeios). Mas não se preocupe com isso, pois caminhando pelas ruelas principais, opções de restaurantes você verá que não faltam.

Geralmente os restaurantes tem o “menu do dia”, com entrada, prato principal e sobremesa (às vezes) por um preço fixo. Optamos por esse menu várias vezes e tivemos resultados positivos. Por mais que seja uma cidadezinha/povoado pequeno, vivem do turismo, então você se alimenta bem por lá, não se preocupe.

Além disso, a cidade possui um mercado de artesanato, uma igrejinha e muitas agências de turismo que fazer os passeios tanto no Atacama como a travessia para o salar do Uyuni na Bolívia.

Quantos dias ficar no deserto do Atacama?

Nós ficamos 5 dias completos. Foi tempo suficiente para fazer a maioria dos passeios, mas não todos.

Optamos por incluir 2 passeios por dia em 2 dos dias, e nos outros 3 dias fizemos apenas um passeio para não tornar a viagem muito cansativa e conseguir curtir com mais calma.

Faltou escalar o vulcão (aquele mesmo que estava em erupção) e ir às Termas de Puritamas (baita arrependimento: deveria ter deixado de ir ao Vale do Arco-Íris e feito o passeio às Termas) e fazer o tour astronômico, que daria muito bem para ter feito, pois é um passeio noturno.

Muita gente combina o deserto do Atacama (pelo menos 5 dias) com o Salar do Uyuni (3 ou 4 dias). Você pode fechar tudo lá por San Pedro de Atacama, na agência de sua preferência.

Deixamos o salar pra uma próxima oportunidade.

Contratar agência ou ir ao Atacama por conta própria?

Minha experiência foi com a agência Ayllu Atacama.

Meu feedback é favorável, pois os guias eram experientes, sabiam muito sobre a geografia do local, sempre nos explicando e nos dando informações importantes sobre os lugares por onde passávamos. A Ayllu atende muitos brasileiros, então você encontrará muitos blogs indicando eles.

Além disso, os lanches servidos nos passeios passeios eram bons (lanche, café da manhã, almoço, a depender do passeio e da hora).

Lanchinho e Pisco Sour na Laguna Tebinquinche - Atacama
Lanchinho e Pisco Sour na Laguna Tebinquinche – Atacama
Mais lanchinhos com a Ayllu - Atacama
Mais lanchinhos com a Ayllu – Atacama

Outra coisa bacana é que no panfleto dos passeios/programação, sempre tinha a indicação do que você precisava levar (ex. chapéu, roupa de banho, casaco, chinelo, tênis). Foi muito útil.

Fechamos os passeios lá mesmo (utilizando sempre a técnica da pechincha). Como há muitas agência oferecendo os mesmos serviços, você pode tranquilamente acertar tudo lá, quando chegar.

O legal é já ter em mente o que vai querer fazer, assim conseguirá otimizar seu tempo.

Conheço várias pessoas que foram de carro, por conta própria, e também gostaram da experiência.

Se essa for a sua escolha, é preciso ficar atento a duas coisas: é comum o carro quebrar (até mesmo 4×4) no meio da viagem, e aí você vai ter dificuldade para arrumar, enviar peça, esperar ajuda (há até uma certa resistência do pessoal que trabalha com o turismo em ajudar pessoas que passam apuros com carro próprio na viagem); além disso, alguns lugares não são sinalizados, o que dificulta chegar por conta, a exemplo do Salar de Tara (os passeios mais tradicionais são sinalizados e o acesso é fácil).

O que fazer no Atacama?

Fiz outro post para contar tudo sobre todos os passeios que fizemos, se recomendo ou não e o que ficou de fora da nossa lista, mas você não pode deixar de fora da sua.

Clique aqui para conferir o post sobre os passeios.

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Anna
Anna
Escorpiana assumida, Defensora Pública em MS e wanderlust por natureza. Está sempre programando uma nova aventura e em busca de experiências, porque acredita que a melhor viagem é sempre a próxima!