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Guia Chapada Diamantina: pontos turísticos e roteiro dia a dia

Chapada Diamantina

Em junho de 2016, escolhemos um destino nacional para nossas férias: a Chapada Diamantina, na Bahia. O Parque Nacional da Chapada Diamantina é ideal para quem ama interação com a natureza e quer aproveitar as férias para fugir um pouco do agito das grandes cidades.

Para chegar ao destino escolhido, pegamos um voo da Azul, e é preciso ficar atento em relação aos voos, pois há dias específicos da semana para conseguir desembarcar em Lençóis-BA.

Dessa vez, optamos por contratar uma agência de turismo local (Volta ao Parque Ecoturismo) para nos acompanhar no roteiro escolhido. Tudo saiu conforme o combinado e o pessoal da agência foi muito atencioso durante toda nossa viagem!

O Rafa foi o nosso guia, responsável por nos aproximar da cultura local com suas “aulas” de história e nos deixar ansiosos pela próxima oportunidade para conhecer mais um pouco da Chapada.

A Chapada Diamantina é realmente muito grande! Desista da ideia de conhecer tudo de uma só vez, a menos que você tenha meses para isso.

Como tínhamos pouco mais de uma semana, optamos por um passeio completo (dentro do possível), que nos desse uma ideia ampla do que é a Chapada. O roteiro se chamava “Volta ao Parque Inesquecível”, com duração de 8 dias e 7 noites, passando por várias cidades e proporcionando uma visão geral das belezas desse paraíso.

Então vamos lá.

Vou te contar todo nosso roteiro e as peculiaridades de cada maravilha que conhecemos durante nossa jornada:

Roteiro: Chapada Diamantina – Volta ao Parque:

Primeiro dia:

Desembarcamos na cidade de Lençóis já próximo a hora do almoço. Nosso receptivo foi feito pela agência Volta ao Parque, e o Rafa (nosso guia) já estava nos aguardando no aeroporto.

Após uns 20 minutos de estrada, chegamos na nossa pousada (Pousada Pouso da Trilha – valor: R$ 165,00 por noite – categoria B – Junho/2016) para o check-in. A pousada escolhida nos ofereceu um bom custo-benefício, era simples, porém muito agradável, bem localizada, limpa e tinha um bom café da manhã. A internet também funcionava a contento!

Após nos acomodarmos, saímos para almoçar em um dos restaurantes da cidade, a escolha do dia foi um restaurante no estilo Self-Service chamado O Bode.

Lençóis é uma cidade pequena, mas com boa estrutura para receber turistas, então não se preocupe com alimentação, pois certamente encontrará restaurantes que te agradam! No jantar a cidade funciona a todo vapor, mas no almoço as opções reduzem bastante, já que a maioria dos turistas está nos passeios durante o dia, voltando para Lençóis apenas no final do dia.

Por volta das 14 horas, partimos para nosso primeiro passeio, em um lindo lugar chamado: Ribeirão do Meio (fica na própria cidade de Lençóis – cerca de 3,5 Km do centro de Lençóis). Fomos de carro até o início da trilha e após caminharmos por aproximadamente 30/40 minutos (a trilha é tranquila, plana e com sombra em sua maior parte), chegamos ao famoso Escorrega do Ribeirão do Meio, no Rio Ribeirão (afluente do Rio São José).

No local, há uma corredeira sobre lajes de arenitos e conglomerados lisos e escorregadios que formam um verdadeiro tobogã natural, que deságua num belíssimo poço de águas muito convidativas, onde passamos nossa tarde!

Não é necessário acompanhamento de guia para esse passeio, pois fica praticamente “dentro” de Lençóis.

Ribeirão do Meio
Ribeirão do Meio

De volta a cidade, aproveitamos a noite e o movimento.

E deixo aqui uma dica de uma lugar super agradável para comer: Café do Mato Cafeteria e Creperia. Os crepes de lá são bom demais! Também vendem café gourmet no local, uma boa opção de “souvenir” (nessa região da Bahia eles cultivam o café da melhor qualidade do Brasil, mas tudo destinado à exportação).

Segundo dia:

Pela manhã fomos conhecer a Serra das Paridas, um sítio arqueológico que se tornou ponto turístico há pouco tempo na Chapada Diamantina. No sítio há mais de mil pinturas rupestres, todas feitas nos grandes blocos rochosos, impossível não se imaginar vivendo como os homens da pré-história, é uma viagem no tempo mesmo!

Serra das Paridas
Pinturas rupestres da Serra das Paridas

Depois seguimos para a linda Cachoeira dos Mosquitos (trilha de nível leve, com duração aproximada de 20 minutos), imponente com os seus 60 metros de altura e pura beleza. O nome da cachoeira é devido aos pequenos diamantes que costumavam ser encontrados na região na época do ciclo do ouro, mas infelizmente não tivemos a sorte de encontrar nenhum por lá!

Chapada Diamantina_cachoeira_dos_mosquitos
Cachoeira dos Mosquitos

Nosso terceiro destino do dia foi o grandioso Poço do Diabo. Há divergências acerca da história sobre como surgiu o nome do local, mas uma das versões diz que seria em razão da tonalidade avermelhada de suas águas.

Para chegar até lá, fizemos mais uma pequena trilha sobre as pedras e com algumas subidas, e a recompensa foi uma cachoeira tão linda quanto a primeira e um poço imenso para dar bons mergulhos. Não se assuste com a água aparentemente gelada do poço, porque depois do primeiro mergulho, tudo vira festa.

Poço do Diabo
Poço do Diabo
Cachoeira do Poço do Diabo
Cachoeira do Poço do Diabo

O por do sol foi no cartão postal mais conhecido da Chapada Diamantina: Morro do Pai Inácio, de onde se tem uma vista dos platôs que caracterizam a Chapada. Aqui foram mais uns 15/20 minutos de subida até o topo do morro.

Morro do Pai Inácio
Pôr do sol no Morro do Pai Inácio

Após tantas aventuras, retornamos a Lençóis para curtir um pouco de sua noite agradável e movimentada.

Terceiro dia:

Foi dia de visitar a Gruta Lapa Doce, a Fazenda Pratinha e a Gruta Azul. A Lapa Doce tem imensos salões e formações calcárias. A gruta é imensa e muito escura, então os turistas que a visitam recebem seus equipamentos (capacete e lanterna) antes de iniciar a exploração! Uma experiência fantástica.

Entrada da Gruta Lapa Doce
Saída da Gruta Lapa Doce

Depois de explorar a caverna, partimos rumo à Pratinha. Se você já viu por aí fotos da Chapada Diamantina, com certeza muitas das fotografias mais lindas foram tiradas nesse lugar. Uma água tão tão clarinha, que dá vontade de entrar e não sair mais. No local também é possível fazer flutuação com snorkel (que em sua maior parte é dentro de uma caverna, então você mergulha com uma lanterna), tirolesa, caiaque e SUP. Ah, lá também tem um estúdio fotográfico submerso, muito bacana para quem adora uma fotografia diferente! Esses atrativos são pagos à parte e cada um tem um preço diferente.

Pratinha vista de cima
Pratinha vista de cima
Pratinha (gruta onde tem início a flutuação)
Pratinha (gruta onde tem início a flutuação)
Pratinha e sua água cristalina
Pratinha e sua água cristalina

Ao lado (dentro da mesma fazenda) está a Gruta Azul, uma nascente de água cristalina muito bonita. Quando o feixe de luz solar entra pela caverna e incide na água, o azul reflete de forma tão intensa, que parece que colocaram corante na água!

Gruta Azul com feixe de luz solar incidindo sobre a água e dando esse efeito lindo
Gruta Azul com feixe de luz solar incidindo sobre a água e dando esse efeito lindo

Nossa pernoite mais uma vez foi em Lençóis, então aproveitamos para conhecer o restaurante Lampião Culinária Nordestina e aproveitar mais um pouquinho da noite na charmosa cidade que se preparava para a festa de São João que se iniciaria na próxima semana.

Quarto dia:

Saímos logo cedo em direção ao leste do Parque Nacional para fazer a flutuação no Poço Azul (o passeio é limitado em relação ao número de pessoas e por isso funciona horário marcado). O Poço Azul é uma caverna com água cristalina de visibilidade incomparável (sério, nunca vi nada igual na vida).

Mesmo com profundidade de até 60 metros, é perfeitamente possível ver o fundo (até mesmo com a cabeça fora da água). Entre os meses de novembro a janeiro, a incidência solar não ocorre diretamente na água, mas é maior e dura mais tempo (das 10 às 16 horas), contribuindo ainda mais para a visibilidade da flutuação.

Achei que passaria muito frio por flutuar dentro de uma caverna com pouca iluminação, mas, pra minha sorte, estava enganada: a temperatura da água não se altera no decorrer do ano, mantendo-se sempre em torno de 24º C. Durante a flutuação, é obrigatório o uso de colete e lá é proibido mergulhar ou bater os pezinhos! O lema é “keep calm and enjoy it!”.

Flutuação no Poço Azul
Flutuação no Poço Azul

As grutas com poços de águas cristalinas são uma das principais atrações da Chapada Diamantina, e continuando em busca de outras águas azuis, visitamos o Poço Encantado. O lugar, assim como a Gruta Azul, é apenas para contemplação, e que contemplação!

O visual impactante é gerado pela combinação da transparência e do reflexo azul da água que recebe a incidência dos raios solares.

Durante o outono e inverno, devido à posição do sol, os raios solares penetram na caverna, atravessam o poço e formam um incrível feixe de luz de cor azul turquesa.

Assim, mesmo com profundidade que varia de 20 a 60 metros, é possível ver nitidamente o fundo (de fora da água e no escuro da caverna).

No Poço Encantado, esse espetáculo dura até o dia 10 de setembro de cada ano. Além da data, preste atenção também nos horários: a média dessa incidência é de 3 horas por dia, iniciando às 10 horas da manhã e finalizando às 13 horas. Programe-se para não perder o show!

Poço Encantado
Poço Encantado

Na sequência, seguimos viagem até a Pitoresca Vila de Igatu, feita de pedras e encravada na Serra do Sincorá, foi construída há muitos anos por garimpeiros, sendo hoje habitada por pouco mais de 400 pessoas. Lá visitamos as ruínas que a fazem ser conhecida como “Machu Pichhu Brasileira”. Conhecemos também a Galeria Arte e Memória, um museu a céu aberto que retrata o período do garimpo no local, depois aproveitamos para tomar um café da tarde da cafeteria da própria galeria e passamos horas ouvindo as histórias contadas pelo Rafa (nosso guia) sobre o período do garimpo, a cultura local e como é a vida naquele lugar tão mágico.

Pernoitamos em Iguatu (pela distância já percorrida durante o dia e roteiro dos dias seguintes, não seria a melhor opção voltar a Lençóis, por isso o nosso roteiro também incluiu pernoite em outras cidadezinhas da Chapada). A Pousada escolhida foi a Pousada Flor de Açucena, toda construída ao redor das rochas originárias da Vila de Igatu, em perfeita integração com a natureza.

Quinto dia:

Após o café da manhã, partimos em direção ao extremo sul do Parque Nacional, até o município de Ibicoara, onde visitamos minha (até então desconhecida) atração preferida: a espetaculosa Cachoeira do Buracão, com aproximadamente 100 metros de queda em forma circular e um impressionante cânion sinuoso! É realmente um lugar de tirar o fôlego. Tivemos a oportunidade de conhecer a cachoeira por cima (o que nos rendeu fotos incríveis) e, depois de uma trilha de 6 km (nível intermediário), tivemos também a oportunidade de mergulhar naquelas águas, nadar pelo cânion e relaxar embaixo da queda d´água!

Cachoeira do Buracão vista de cima
Cachoeira do Buracão vista de cima
Poço da Cachoeira do Buracão
Poço da Cachoeira do Buracão

Fizemos um lanche reforçado no local (tudo preparado pela agência que escolhemos) e depois seguimos até a charmosa cidade de Mucugê, local da nossa pernoite. Dessa vez, a pousada escolhida foi a Pousada Monte Azul (achamos um bom custo-benefício e tinha um café da manhã com várias opções, inclusive tapiocas feitas na hora).

Sexto dia:

Esse foi definitivamente o dia da trilha mais intensa. Seguimos de Mucugê até Guiné de carro. Guiné é a entrada para o Vale do Pati, cuja travessia é considerada a mais linda do Brasil. Nosso destino era apenas o Mirante do Pati (não fizemos a trilha do Vale, pois isso exige pelo menos 3 dias), onde avistamos as montanhas e por onde passam as caminhadas da travessia. Foram aproximadamente 19 km de trilha, de dificuldade intermediária/avançada, em razão da distância e subida (logo no início da trilha).

Não digo que não gostei da experiência, mas caminhar tantos quilômetros somente para chegar até o mirante? Confesso que hoje trocaria este passeio por outro. Fazer o passeio completo (trilha de 3 dias ou mais) deve ser muito show, mas a simples visita ao mirante (depois de tantos quilômetros de caminhada com sol forte na cabeça) acho dispensável (mas essa é apenas a minha opinião, ok?).

Trilha até o mirante do Vale do Pati
Trilha até o mirante do Vale do Pati
Mirante do Vale do Pati
Mirante do Vale do Pati

No fim do dia seguimos para o Vale do Capão, uma comunidade pitoresca com seus encantos próprios, onde a tranquilidade e a interação com a natureza parecem fazer parte da rotina dos locais. Pelo tamanho e estrutura do local, não recomendo não passar mais de uma ou duas noites por lá. Para jantar, procurem pela Pizzaria Capão Grande e experimentem uma pizza rústica, cortada assimetricamente em 16 pedaços para se comer com as mãos.

Pernoitamos no Vale do Capão, mas, dessa vez, a pousada escolhida ficou bem abaixo do esperado, então não faz sentido recomendá-la aqui…

Sétimo dia:

Mais um lugar maravilhoso para lista: Cachoeira da Fumaça (pelo lado de cima, pois a trilha para vê-la do lado de baixo é outro tipo de passeio, com duração de mais de um dia, sendo preciso acampar no caminho). É a segunda maior cachoeira em queda livre do Brasil, com quase 400 metros.

Fizemos um trekking de cerca de 13 km (total) e esse sim é totalmente recompensador! Embora seja muito difícil encontrar a Fumaça com água (só tem água nos períodos chuvosos – dezembro/janeiro), a vista que se tem lá de cima é privilegiada, e faz qualquer um descobrir que tem medo de altura.

Sabe aquele lugar que por mais que você tente descrever parece que faltam palavras? E o mais legal é que fui até lá sem esperar muito, pensando “que graça teria uma cachoeira sem água?” E não é que eu me enganei redondamente? A falta de água não tira em nada o escândalo que é esse lugar!

Cachoeira da Fumaça
Cachoeira da Fumaça
Cachoeira da Fumaça vista por cima
Cachoeira da Fumaça vista por cima

Na parte da tarde desfrutamos da tranquilidade do Riachinho e aproveitamos nossos últimos momentos de sol na Chapada Diamantina, pois no dia seguinte (depois de desfrutar mais um pouquinho da graciosa cidade de Lençóis e comer mais um crepe do Café do Mato Cafeteria e Creperia) já seria necessário pegar o voo de volta para casa, ficando as lembranças dos dias tão especiais que passamos por lá e a vontade de voltar para conhecer mais um pouquinho daquele paraíso!

Tarde relax no Riachinho
Tarde relax no Riachinho

Existem inúmeras opções de turismo na Chapada Diamantina, cidades para conhecer e lugares para explorar, mas o roteiro que fiz atendeu muito bem as minhas expectativas, pois envolveu passeios variados, o que me permitiu ter a oportunidade de vivenciar de forma ampla e geral Chapada.

Seja qual for seu interesse, se você gosta de viagens de ecoturismo, certamente encontrará sua opção perfeita na Chapada Diamantina. Há opções de passeios mais leves, mais intensos, com mais ou menos adrenalina, e você pode montar seu roteiro conforme seu perfil.

Além disso, muitas pessoas optam por alugar um carro e conhecer o Parque por conta própria, o que pode ser uma ótima ideia, desde que precedida da organização necessária. Mas atenção: há determinados passeios que só podem ser feitos se acompanhados de guia turístico, então se informe antes a respeito das exigências do local que você pretende visitar.

O que levar na mala/mochila para a Chapada Diamantina?

  • Levar uma mochila de 15 a 30 litros para utilizar nos passeios e trilhas.
  • O que levar na mochila? Toalha (de preferência aquelas próprias para trilha, de secagem rápida), canga, roupa de banho, óculos de sol, chapéu/boné, capa de chuva (se sua viagem for durante o período chuvoso), casaco corta vento (no fim do dia a temperatura costuma cair), repelente, protetor solar, chinelo, uma troca de roupa, água, lanches (e saquinho plástico para guardar seu lixo).
  • Roupas leves (calça e bermuda/shorts próprios para trilha, camisetas, blusa para a noite) e sapatos confortáveis (tênis/bota para caminhar e chinelo são fundamentais).
  • Câmera fotográfica.
  • Remédios e itens pessoais.

Obs. Optamos por fazer o roteiro com uma agência, mas saiba que não é necessário. Você pode montar seu roteiro por conta própria e alugar um carro para chegar nos atrativos. Porém, algumas trilhas precisam ser feitas na companhia de guia de turismo credenciado.

Você gosta de viagem de ecoturismo? Então que tal conferir também as dicas de viagem sobre Bonito-MS? Veja aqui o post que preparei sobre o que fazer em Bonito.


Faça aqui o download do meu roteiro completo na Chapada Diamantina.


Anna
Anna
Escorpiana assumida, Defensora Pública em MS e wanderlust por natureza. Está sempre programando uma nova aventura e em busca de experiências, porque acredita que a melhor viagem é sempre a próxima!