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Marrakech: tudo que você precisa saber antes de ir

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O Marrocos não é somente um país que se visita, é um lugar que se sente. E Marrakech, a “cidade vermelha”, chega primeiro pelos sentidos: o cheiro das especiarias nos souks, o chamado distante para a oração, as cores vibrantes e a história milenar da Medina. Viajar pelo Marrocos é um convite para quem está disposto a viver uma experiência memorável, sair do óbvio e mergulhar em uma cultura em que a tradição conta um capítulo da história da humanidade.

Para quem tem planos para conhecer o Marrocos, o primeiro ponto importante é definir o estilo da viagem. Na minha opinião, o melhor jeito de conhecer o país é fazendo uma expedição. Nesse formato de viagem o viajante define as datas, duração da viagem e recebe um itinerário que inclui visita a várias cidades e regiões do país (conforme a duração da expedição). A Rafa, da empresa @rafa_marrocos, organiza essas expedições com muita maestria. É a escolha ideal para quem deseja fazer uma viagem completa, incluído diferentes pontos turísticos no Marrocos e experiências que remetem à cultura local.

Apesar da minha opinião, eu não fiz uma expedição pelo Marrocos. O motivo é simples: viajei com meu filho de 2 anos e, pela experiência que já adquiri viajando com criança pequena, estamos numa fase da vida com necessidades diferentes. A expedição é ótima para famílias com filhos maiores (crianças maiores ou adolescentes), casais ou grupo de amigos, mas famílias que viajam com bebês e crianças pequenas, precisam de um roteiro personalizado, adequado à rotina da criança.

Quando defini que Marrakech seria nosso destino para passar a virada do ano (2025-2026), eu entrei em contato com a equipe da Rafa e expliquei o que eu desejava para o roteiro. Recebi um excelente atendimento pelo WhatsApp e tirei todas as minhas dúvidas sobre quais passeios incluir, considerando a condição peculiar da nossa viagem.

E depois das explicações, decidimos montar nossa base em Marrakech e, além de conhecer a cidade e suas atrações turísticas e culturais, fazer um tour de 1 dia no deserto de Agafy. A @rafa_marrocos também ficou responsável pelo nosso traslado aeroporto – hotel – hotel – aeroporto, tudo de forma a contribuir para o conforto da nossa experiência no país.

Como chegar em Marrakech

Chegar a Marrakech é mais simples do que parece.

Embora não haja voos diretos entre Brasil e Marrakech – Aeroporto Internacional Menara (RAK), é fácil chegar lá a partir um aeroporto da Europa.

Lisboa, Madri, Paris, Barcelona, Londres e Roma, são cidades europeias com muitos voos para Marrakech.

Companhias como TAP, Iberia, Air France, Ryanair, EasyJet e Vueling costumam ter boas opções (especialmente as low-cost dentro da Europa).

Nossa opção foi pelo seguinte roteiro:

  • Ida: SP – Madri (ficamos 3 dias em Madri) – voo para Marrakech com a Ryanair.
  • Volta: Marrakech – voo para Lisboa com a EasyJet – Lisboa (ficamos 1 dia) – SP.

A segunda opção é voar direto para o Marrocos, num voo direto do Brasil para Casablanca.

Se você deseja focar apenas no “Marrocos”, essa me parece a melhor opção, pois com um voo direto para Casablanca, você de cara já inclui mais um destino no país. Além disso, não precisa passar por duas imigrações diferentes.

Depois, de Casablanca até Marrakech, você pode pegar um voo interno, ir de carro ou trem.

Os trens no Marrocos são operados pelo Departamento Ferroviário Nacional, conhecido como ONCF (Office National des Chemins de Fer). Em regra, a compra do bilhete pode ser feita diretamente na estação, 30 a 40 minutos antes do embarque (exceto datas especiais, como feriado nacional). A viagem não é rápida como avião, mas não é muito mais prático, já que não precisa chegar com horas de antecedência, fazer check-in, despachar malas, passar por raio-x com filas, etc.

Eu não aconselho ninguém a alugar carro e dirigir no Marrocos, então se optar por se deslocar de carro entre Casablanca e Marrakech, sugiro reservar esse traslado com a agência @rafa_marrocos, que vai organizar pra você com toda a segurança necessária.

Chegando em Marrakech (via aérea), você vai precisar de um transfer ou táxi para te levar até o hotel. Fechei meu transfer com a @rafa_marrocos, e o motorista já estava nos aguardando na chegada. Depois, no retorno, a mesma coisa: combinamos o horário e chegamos com tempo e tranquilidade no aeroporto.

Sempre que for pegar Táxi em Marrakech, precisa combinar o preço com o motorista antes. No geral, costumam cobrar 100 ou 150 dirhams marroquinos pelas corridas. Conseguir valor melhor vai depender do seu poder de barganha. Eu não sei e não gosto de barganhar, então no máximo conseguia reduzir de 150 para 100 dirhams marroquinos.

Documentos necessários para ingressar no Marrocos

Brasileiros não precisam de visto para turismo (até 90 dias). Então é necessário apenas o passaporte válido (recomenda-se pelo menos 6 meses antes da data de expiração).

Na imigração vão pedir para conferir a sua passagem de volta e a sua reserva de hospedagem. Também perguntaram qual a nossa profissão. Foi uma imigração bem rápida e simples.

Viajando com bebê e criança pequena você tem direito à fila preferencial, então foi mais rápido ainda. Acho que foi uma das imigrações mais simples que já fiz na vida.

A moeda do Marrocos

A moeda do Marrocos é o dirham marroquino, que vale aproximadamente R$ 0,60. Então se a entrada para determinado local custa 100 dirham marroquino, significa que você vai pagar cerca de 60, 60 e poucos reais.

A maioria dos locais e lojas só aceita dinheiro em espécie, então leve euros para trocar ao chegar lá. Troque um pouco no aeroporto, quando chegar e, depois, na praça Jemaa el-Fna tem um local que dá para trocar o restante. Também tem caixa eletrônico para sacar da sua conta Wise, por exemplo (foi o que fizemos).

Algumas lojas e restaurantes aceitam cartão de crédito, mas não conte com isso, ou seja, prepara-se para pagar em dinheiro local (alguns locais aceitam euro também, mas a conversão tende a ser pior).

*Se você ainda não tem uma conta na Wise, mas quiser abrir para experimentar na sua próxima viagem, através desse link.

Marrocos não é um país caro, mas é um país de negociação. Então se não barganhar, estará pagando mais caro do que realmente custa. E quanto custa realmente? Dizem que de 1/3 a metade do valor cobrado.

O Marrocos tem cultura de gorjetas para guias, carregadores de malas, motoristas e restaurantes.

Quando ir para o Marrocos

Tem destino que eu costumo dizer assim: você pode ir quando desejar, mas a escolha da data vai depender do que você espera encontrar e fazer no destino.

Marrocos não é assim. Eu não recomendo ninguém a viajar para o Marrocos no auge do verão. Marrakech tem clima quente e árido, com verões bem intensos e invernos amenos. Então eu digo: tudo bem viajar para lá no inverno, mas evite o verão, principalmente os meses de junho, julho, agosto e setembro.

Olhando as temperaturas você pode até pensar: “não achei tão quente assim…”, mas lembre que uma coisa é a temperatura em si, e outra é a sensação térmica. Não consigo nem imaginar como se torna desagradável passear pelos souks da Medina num dia que o termômetro está marcando mais de 30°C.

As temperaturas abaixo mostram a média aproximada de calor em Marrakech durante o ano:

MêsTemperatura média Média mínimaMédia máxima
Janeiro9.7 °C2.7 °C17.5 °C
Fevereiro11.3 °C4.1 °C19.0 °C
Março14.6 °C6.9 °C22.6 °C
Abril17.1 °C9.5 °C24.6 °C
Maio20.4 °C12.4 °C28.2 °C
Junho24.4 °C15.8 °C32.7 °C
Julho27.5 °C18.3 °C36.1 °C
Agosto27.6 °C19.0 °C36.0 °C
Setembro23.6 °C16.3 °C31.2 °C
Outubro20.1 °C13.1 °C27.4 °C
Novembro14.2 °C7.5 °C21.4 °C
Dezembro11.0 °C4.2 °C18.7 °C

Repare que a amplitude térmica é grande na região, característica comum em locais áridos.

Quanto às chuvas, Marrakech é bem seca, com a chuva concentrada principalmente no inverno e início da primavera. Fomos no inverno (28 de dezembro a 04 de janeiro), choveu pouco e isso não foi um problema para o roteiro.

Os melhores meses para visitar Marrakech são março, abril e outubro. Maio e novembro são meses de transição, mas também podem ser considerados. Dezembro a fevereiro são meses frios, então dá para ir, porém, não vai dar para aproveitar as piscinas dos hotéis.

Fomos no inverno e digo que dá pra ir, mas não é a melhor época para visitar o Marrocos. Marrakech não é uma cidade com tantos pontos turísticos, ou seja, não é um destino que você vai encher seu roteiro de passeios o tempo todo. Considerando isso, aproveitar o hotel faz parte da viagem e os hotéis realmente são pensados para isso. Se você viaja no calor (não no calor extremo, mas numa época que a temperatura está agradável), dá para aproveitar as piscinas, tomar sol, relaxar.

Quantos dias ficar em Marrakech

Se você fizer sua viagem no formato “expedição”, não precisa se preocupar muito com isso, só em decidir as datas da viagem e o roteiro que quer fazer, pois tem expedições de mais ou menos dias, dependendo do itinerário. Nesse caso o planejamento da viagem é muito fácil, pois tudo já está previamente organizado e preparado para você. Confirma no perfil da @rafa_marrocos quais são as opções de grupos e datas.

Eu fiquei uma semana em Marrakech e digo que foi muito tempo. Com esse tempo daria para ter dividido a viagem em duas bases pelo menos: Casablanca e Marrakech ou Marrakech e Fez.

Para Marrakech, 4 dias é tempo suficiente. As distâncias no Marrocos são longas, então não é viável montar base em Marrakech, pensando que dali você vai conseguir fazer “bate-volta” para outras cidades próximas, porque não vai. O deslocamento será no mínimo de 3h para ir e mais 3h para voltar, tornando o passeio de um dia muito cansativo, principalmente se você está viajando com criança pequena.

Então é importante definir primeiro o roteiro para então decidir quantos dias ficar. A época da viagem também influencia nessa decisão. Talvez se eu tivesse ido durante o calor, não teria achado 1 semana tanto tempo assim, pois teria mais coisas para fazer no hotel, por exemplo.

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Como se vestir no Marrocos

Marrocos é um país muçulmano, por isso a necessidade do tópico.

Uma turista no Marrocos não precisa se vestir como local, mas deve buscar um equilíbrio entre conforto, respeito cultural e praticidade. Isso ajuda a evitar olhares indesejados, facilita a interação com os moradores e torna a viagem mais tranquila, especialmente em cidades como Marrakech, Fez e Meknès.

  • Calças, saias ou vestidos abaixo do joelho
  • Blusas que cubram os ombros (manga curta ou 3/4 são ideais)
  • Tecidos leves e soltos (algodão, viscose, linho)
  • Tênis ou sandálias confortáveis para caminhar bastante
  • Lenço (pashmina) na bolsa

Já ouvi muitos relatos de mulheres que se sentiram “invadidas” e não gostaram do Marrocos por não se sentirem respeitadas (principalmente mulheres que viajaram sozinhas ou entre amigas).

Se vestir dentro do esperado para uma turista que visita um país muçulmano não é certeza de evitar os “olhares indesejados”, mas quanto mais discreto o visual, menos atenção você tende a receber.

Eu estava acompanhada do meu marido e do meu filho de 2 anos. Além disso, viajei no inverno, que, por si só, exige uma vestimenta mais coberta. Então, considerando essas circunstâncias, que podem ter sido determinantes para o que eu vou dizer agora: eu não tenho absolutamente nenhum relato de situação desconfortável (nesse sentido) para descrever.

Se a sua viagem também for durante os meses mais frios do ano, é essencial se vestir em camadas. O dia começa bem frio e por volta das 11h da manhã começa a esquentar. Durante a tarde dá até para ficar sem blusa. E, no final da tarde/começo da noite, volta a esfriar muito. A amplitude térmica é grande, por isso se vestir em camadas (ao longo do dia você pode ir tirando) é crucial.

Na mala eu inclui roupas térmicas e casaco Fiero. Pela manhã e quando escurecia, não dava para abrir mão dessas peças.

Fiero é uma marca brasileira, especializada em roupas, calçados e acessórios para o inverno, frio e neve. São produtos de alta qualidade, tecnologia e resistência térmica. Vale o investimento, pois são peças coringas e necessárias em todas as viagens de frio. Com o com maladeviagem, leitores do blog têm 10% de desconto em todo site.

Se estiver calor, prefira roupas de tecido leve, claro e respirável, evitando decotes profundos, blusas de alça fina ou tomara-que-caia, shorts curtos e saias curtas, roupas muito justas ou transparentes. Nada disso é ilegal, mas pode gerar olhares, comentários ou desconforto. Se quiser, dentro dos resorts, hotéis e riads você vai sentir mais liberdade para usar roupas.

No Marrocos, vestir-se com respeito à cultura local, não significa abrir mão do estilo. Roupas leves, soltas e que cubram ombros e joelhos garantem conforto no calor intenso e ajudam a ter uma experiência mais tranquila e respeitosa, especialmente para mulheres viajando sozinhas. E se adequar aos costumes local, também faz parte da experiência da viagem.

A segurança no Marrocos (principalmente Marrakech)

Em linhas gerais, pode-se afirmar que o Marrocos é considerado um país seguro para turistas, inclusive para mulheres viajando sozinhas, desde que sejam tomados cuidados básicos, como em qualquer outro destino.

O turismo é muito importante para a economia do país, então há forte presença policial em áreas turísticas. Em Marrakech você percebe a presença ostensiva de policiais em todos os lugares.

Crimes violentos contra turistas são raros e cidades como Marrakech, Fez, Rabat e Casablanca recebem milhões de visitantes por ano.

A população, em geral, é acolhedora e prestativa. Todavia, eu tive muita dificuldade com a comunicação, pois além do árabe e do berbere, a população fala francês. Meu nível de francês é muito limitado para estabelecer um diálogo, então isso dificultou a comunicação. Nem mesmo no meu hotel os funcionários inglês (apenas um ou outro que entendia e falava um pouco de inglês). Mas, para quem fala francês, tenho certeza que essa barreira não existirá.

De todos os países que já visitei, Marrocos foi o mais desafiador no quesito “comunicação”, mas mesmo assim não passamos nenhum sufoco ou perrengue. Ainda que na “base da mímica”, conseguimos resolver as demandas básicas do dia a dia de uma viagem.

A maioria dos problemas enfrentados por turistas envolve situações leves e pequenos golpes, sendo os mais comuns: “guias falsos” nas Medinas, pessoas oferecendo ajuda e depois cobrando, taxistas cobrando mais caro (por isso importante combinar o valor antes), furtos em locais muito cheios (como nos souks).

Para evitar cair em golpes, negocie o preço antes de aceitar um serviço, cuide dos seus pertences, mantenha a bolsa junto ao corpo e sempre fechada, diga “não” com firmeza quando não quiser “ajuda” ou informações, contrate guias oficiais se necessário for, tenha internet sempre disponível para te ajudar quando precisar pesquisar ou confirmar algo.

Eu já viajei para vários países com essas mesmas questões dos “golpes”, então não é algo que me incomoda, porque já sei que existe em muitos lugares e como agir para evitá-los. É chato, pois prejudica a nossa experiência no destino. A gente se fecha mais como turista, fica com receio de falar com as pessoas, de perguntar as coisas, mas não tem muito o que fazer.

O que mais me deixou tensa na verdade foi o movimento, o trânsito, o fluxo intenso de pessoas (isso na cidade antiga, na Medina, nos Souks). O trânsito é desordenado, motos e carros passando por todos os lados, muita gente buzinando ao mesmo tempo. O pedestre precisa ir “se enfiando” para conseguir passar. Eles realmente confiam que um vai enxergar o outro e ninguém vai bater. Viajando com criança, essa sem dúvida foi a parte mais desafiadora da viagem. Eu não tive medo de ser vítima de crime (quanto a isso eu achei tranquilo, com muito policiamento ostensivo nos lugares), eu tive medo de ser vítima de um acidente, andando com carrinho de bebê no meio do trânsito caótico e entre as motos dos souks. É algo importante para alertar, pois não é um estilo de viagem para toda e qualquer família com crianças.

Onde se hospedar em Marrakech

As hospedagens são, em dúvida, um ponto forte de Marrakech. São muitas opções legais de resorts, hotéis e riads.

Independente do seu perfil, tenho certeza que encontrará uma opção muito bacana de local para ficar.

Vamos começar com a lista dos “mais mais”, hotéis de alto padrão que recebe hóspedes do turismo de luxo do mundo todo.

Riads (ou estilo “riad” – com foco na cultura local)

Resorts (ou estilo “resort” – com estrutura grande)

Foi apenas uma lista exemplificativa, porque se eu fosse colocar todas as hospedagens legais em Marrakech, teria que ficar horas selecionando.

Quando eu decidi passar a virada do ano em Marrakech, eu escolhi o destino de forma aleatória, não pesquisei muito sobre o local nem sobre as opções de hotéis e riads.

Acabei optando por ficar no Club Med La Palmeraie e quando eu cheguei lá e entendi como é a dinâmica da cidade, eu percebi que, apesar de ser um bom resort, poderia ter feito uma escolha ainda melhor.

Eu fui pela decisão óbvia e fácil: um resort, com área kids, piscinas, café da manhã, almoço, jantar e bebidas inclusas. Não é uma proposta ruim, até porque se eu fosse cotar uma semana de hospedagem em outro hotel, provavelmente o custo seria mais alto.

O fato de ter refeições incluídas foi um diferencial, pois facilitou manter a rotina do João, fazer as refeições no horário e escolher opções com menos tempero local e que ele aceita melhor. E isso não nos impediu de experimentar um ou outro restaurante na Medina.

Porém, Marrakech poderia me entregar mais. Foi a falta de pesquisa que me fez decidir “errado”. Eu achei que o inverno em Marrakech fosse como no Egito. Uma amiga estava em Hurghada, aproveitando piscina e mar com os filhos. Achei que seria igual com a gente, mas no Marrocos faz frio mesmo em dezembro e janeiro.

Na verdade, os franceses (público majoritário nos hotéis da rede Club Med) pareciam encarar a piscina sem frio algum, mas sengue francês é “diferente” do brasileiros né? A gente, no máximo, estava conseguindo passar uma parte da tarde sem blusa, mas daí para entrar na piscina (que era climatizada, não aquecida), tinha um passo grande.

Então, o ideal seria ter organizado a viagem diferente: menos dias de viagem e um outro estilo de hotel. Uma semana no Club Med Marrakech (semana do ano novo) custou R$ 26.654,00. Com esse valor eu poderia ter escolhido um hotel de categoria superior ou mesmo um riad charmoso e ficado menos dias.

O Club Med Marrakech é um resort bonito, completo e com belos jardins. Mas ele tem uma vibe “verão”, isto é, ele é nitidamente um hotel para os meses quentes, voltado para um público que quer aproveitar as piscinas e as atividades ao ar livre.

Eu gosto dos resorts da rede Club Med para viagens de esqui. Nesse quesito, realmente é o melhor custo benefício para viagens em família, sobretudo para famílias que estão começando a esquiar ou com nível intermediário no esporte. Mas para um destino como Marrakech, que te oferece uma vasta gama de hospedagens interessantíssimas, o Club Med não se destaca.

A rede francesa estava de fato praticamente lotada, sobretudo por famílias francesas, viajando com bebês e crianças das mais variadas idades. Mas é importante lembrar que francês viajando para Marrakech no inverno, está buscando outra coisa, bem diferente do brasileiro viajando para o mesmo destino.

O Francês está “fugindo” do frio, é como se fosse uma opção prática, rápida e barata para uma fuga do rigor do inverno francês, num destino com inverno ameno (pelo menos durante o dia) e clima de férias que só um resort familiar proporciona para as crianças.

Os franceses não estavam muito interessados em passeios, tour pela Medina e compras nos souks. Não que eles ficassem só dentro do resort, mas o resort era o motivo principal da viagem.

Pra gente, que queria conhecer a cidade, fazer os passeios e, no tempo livre, curtir o hotel, a conclusão foi que eu poderia ter pesquisado mais antes de ir e, muito provavelmente, a escolha teria sido diferente (um hotel de luxo ou riad perto da Medina e apenas 4 dias de viagem).

E para quem não sabe o que é um “riad” (eu também não sabia), os riads marroquinos são um dos elementos mais autênticos da arquitetura e da hospitalidade do Marrocos. Para quem quer uma experiência autêntica, ficar em um riad é parte essencial da viagem pelo país.

Riad é uma casa tradicional marroquina, geralmente localizada dentro das medinas (cidades antigas), construída em torno de um pátio interno. A palavra vem do árabe “ryad”, que significa jardim. Esse pátio central costuma ter árvores (como laranjeiras e palmeiras), fonte ou espelho d’água, mosaicos, arcos e detalhes artesanais.

A fachada externa de um riad é simples e discreta, pois toda a beleza deve se voltar para dentro (uma característica da cultura islâmica, que valoriza espaços internos), os quartos se abrem para o pátio central e muitos riads possuem terraço no topo, com vista para a medina. Esse formato garante privacidade, silêncio e frescos em meio ao caos do lado de fora.

Se estiver viajando com criança e decidir ficar em um riad, precisa analisar a localização e o acesso, pois se o riad ficar em uma rua muito estreita e de difícil acesso, talvez o carro não chegue até lá e carregar as malas a pé, pode ser um problema. Outra questão a observar é que nem sempre os riads tem elevador, o que pode ser ruim para quem viaja com carrinho de bebê.

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Os passeios: o que fazer em Marrakech

Segue a lista dos passeios para quem viaja a Marrakech:

  • Praça Jemaa el-Fna
  • Souks da Medina
  • Mesquita Koutoubia
  • Palácio Bahia
  • Túmulos Saadianos
  • Madrasa Ben Youssef
  • El Badi Palace
  • Jardin Secret
  • Jardim Majorelle
  • Fazer um Hammam tradicional
  • Refeição em um Rooftop na Medina
  • Bairro Gueliz
  • Tour ao Deserto de Agafy

Praça Jemaa el-Fna

A Jemaa el-Fna é o coração pulsante de Marrakech e um dos lugares mais emblemáticos do Marrocos. Mais do que uma praça e um cartão postal do país, ela é um grande palco a céu aberto onde a cidade acontece, caótica, vibrante, intensa e colorida.

A praça existe desde o século XI, quando Marrakech foi fundada, e sempre foi um ponto de encontro popular. Em 2001, a Jemaa el-Fna foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, não por sua arquitetura, mas pela vida que acontece ali: músicos, artistas de rua, barracas de comidas e sucos e tradições orais passadas de geração em geração.

Durante o dia a praça não é muito movimentada, mas já se percebe o que vem por aí, ao anoitecer. Ainda sob a luz do sol você vai ver alguns “encantadores” de serpentes, macacos na coleira, artistas e rua e barracas de artesanato. Fique longe do pessoal com animais: além de ser eticamente reprovável (animais em clara situação de maus-tratos), se notarem que você está olhando ou filmando, farão uma abordagem agressiva, colocarão a cobra no seu pescoço sem autorização, pedirão dinheiro… Evite contato visual.

À noite a praça se transforma em um enorme mercado de comida ao ar livre. As barracas numeradas servem pratos típicos como: tajine, espetinhos, harira (sopa tradicional), caracóis… Não sei qual a procedência e higiene desses alimentos, então preferi não comer. Inclusive a nossa guia orientou a não comer.

Espere também por músicas, luzes, fumaça, muito barulho e motos passando para lá e para cá.

Minha sugestão é dar uma volta na praça ainda no final da tarde e quando perceber que está começando a fase de transição, assistir essa mudança em um dos vários cafés e restaurantes com roof-top ao redor da praça.

A experiência muda completamente conforme o horário, vale a pena visitar de dia e à noite, mas com criança, eu acho mais tranquilo passear por ela durante o dia e, à noite, acompanhar a partir de um roof-top.

A praça é um local seguro, especialmente por ser uma área muito vigiada e cheia de gente. Mas exige atenção ao risco de furtos, abordagens insistentes e a situação com os animais que relatei acima. Não costuma haver violência, mas o assédio turístico pode cansar.

Eu não gostei da atmosfera do local, mas o fato de eu gostar ou não, em nada tem relação com sua importância histórica e cultural. Uma vez em Marrakech, tem que conhecer a praça Jemaa el-Fna, independente da sua opinião pessoal sobre o local.

Perto da praça tem uma doceira muito boa. Chama Parisserie des Princes. Todos os doces que experimentamos eram bons. Tem uma vitrine, você escolhe o que deseja e depois paga por kg. Não é caro e tudo muito gostoso.

Souks da Medina

Os souks da Medina são o ponto alto da viagem a Marrakech.

Formam um imenso labirinto de ruelas estreitas, cheias de lojas, oficinas e barracas que vendem praticamente tudo o que se imagina. É aqui que Marrakech mostra seu lado tradicional, comercial e vibrante, onde os viajantes se encantam ao mesmo tempo que se sentem completamente perdidos.

Visitamos os souks várias vezes durante a viagem, até porque é necessário passar por eles para chegar na maioria dos lugares (em se tratando de passeio pela Medina).

Os souks existem há séculos e sempre foram o centro comercial da cidade. Cada área tradicionalmente se especializava em um tipo de produto (couro, metal, especiarias, tecidos), uma organização que ainda hoje pode ser percebida. Mais do que um lugar para compras, os souks são um reflexo da vida cotidiana marroquina, onde artesãos trabalham à vista de todos, mantendo técnicas passadas de geração em geração.

Nos souks você pode comprar artesanato típico, como tapetes, lanternas, cerâmicas, itens de couro, especiarias e óleos. E também pode observar artesãos trabalhando (ferreiros, curtidores, marceneiros), fotografar as ruelas e o vai-e-vem das pessoas, motos, bicicletas e até animais.

Lembrando que na hora de comprar algo, negociar é esperado e quase obrigatório.

O desafio é diferenciar itens locais e artesanais, dos produtos “made in China”. E isso não é só ali nos souks de Marrakech, mas sim no mundo inteiro. Meses atrás, na Grécia, eu me vi na mesma situação: perdida em meio a tantas coisas e, muitas vezes com dificuldade para decifrar o que era um artesanato local do que não era.

Na dúvida, optei por comprar algo que que não tem erro: couro. Compramos jaquetas de couro para família toda e eu também comprei um babouche de couro.

Para quem já conhece o local, já foi mais de uma vez pra lá ou está acompanhado de um guia confiável, a experiência de compra tende a ser mais interessante. De fato há muitas coisas legais para explorar, mas sem saber onde ir, fica difícil.

Nos últimos dias de viagem já estávamos mais “experientes” e encontramos umas regiões com lojas muito mais atrativas. O segredo é fuçar e não ter preguiça de andar.

Melhor sem criança! Andar pelos souks com um carrinho de bebê foi uma experiência inesquecível… Não necessariamente no bom ou mau sentido, mas teremos boas histórias dessa viagem para contar para o João no futuro.

Digamos que é um local é relativamente seguro, mas exige atenção constante: cuidado com furtos, com pessoas oferecendo ajuda para “mostrar o caminho” e depois cobrando, com motocicletas passam rapidamente pelas ruelas. Em meio a tudo isso, João dormia profundamente no carrinho – o sono tranquilo no local mais conturbado por onde ele já passou.

Visualmente falando, os souks têm o seu charme. Parece filme mesmo. Quem já foi ao Epcot em Orlando, nota claramente a semelhança e de onde veio a inspiração dos cenários do parque.

Não é um lugar “bonito” no sentido clássico, mas é extremamente fotogênico e autêntico. A beleza é encontrada nos detalhes.

Os souks da Medina são um mergulho no caos organizado de Marrakech: um labirinto de cores, sons e cheiros onde negociar faz parte da cultura e se perder é quase obrigatório.

Mesquita Koutoubia

A Mesquita Koutoubia é o principal símbolo religioso e arquitetônico de Marrakech e um dos marcos da cidade. Marrakech não tem grandes prédios, então o minarete da Koutoubia domina o horizonte e serve como ponto de referência para se localizar na Medina.

Construída no século XII, durante o período da dinastia Almóada, a Koutoubia é a maior mesquita de Marrakech. Seu nome vem da palavra árabe koutoubiyyin (livreiros), pois antigamente havia um grande mercado de livros ao redor do local.

O minarete da Koutoubia inspirou outras construções famosas do mundo islâmico, como a Giralda, em Sevilha e a Torre Hassan, em Rabat.

No Marrocos, via de regra, não muçulmanos não podem entrar no interior das mesquitas. A única mesquita do país que pode ser visitada interiormente por turistas não muçulmanos é a Mesquita Hassan II, localizada em Casablanca.

Então, no caso da Mesquita Koutoubia, a visita se resume ao lado externo.

Palácio Bahia

O Palácio Bahia é um dos melhores exemplos da arquitetura palaciana marroquina e uma visita essencial para quem quer entender como vivia a elite do país no final do século XIX. Seu nome vem da palavra árabe bahia, que significa “brilho” ou “beleza”.

O palácio foi construído no final do século XIX por Ahmed Ben Moussa (Ba Ahmed), grão-vizir do sultão, com a intenção de ser o mais grandioso palácio de sua época. Ele abrigava o vizir, suas esposas, concubinas, servos e funcionários, funcionando quase como uma pequena cidade.

Hoje, o Palácio Bahia é um importante patrimônio histórico e ajuda a compreender a organização social da época, a riqueza da elite marroquina e a estética da arquitetura tradicional islâmica.

Fizemos um tour guiado, com guia local, através da @rafa_marrocos e recebemos toda a explicação sobre a história do palácio, seu significado o que era cada cômodo.

A entrada no palácio custa 100 dirham marroquino (MAD), o que equivale a cerca de 60 – 70 reais. A compra do ingresso é feita na hora, na bilheteria do local e não precisa marcar hora para visita.

O Palácio Bahia revela o lado mais elegante e silencioso de Marrakech. Entre pátios, jardins e mosaicos minuciosos, é fácil imaginar como vivia a elite marroquina no auge do século XIX.

Túmulos Saadianos

Os Túmulos Saadianos são um complexo funerário real que guarda os mausoléus da dinastia Saadiana, responsável por um dos períodos mais prósperos da história do Marrocos. É um lugar que mistura história, arte e silêncio, escondido em meio à agitação da medina.

Os túmulos datam do século XVI, principalmente do reinado do sultão Ahmed al-Mansur, um dos mais poderosos governantes do Marrocos. Após a queda da dinastia Saadiana, o local foi selado e esquecido por séculos, sendo redescoberto apenas em 1917, durante o período do protetorado francês.

Ali estão enterrados sultões saadianos, membros da família real, altos dignitários e servidores. O local é considerado um dos mais belos exemplos da arte funerária islâmica no país.

Durante minha visita o local estava em reforma, então a experiência ficou prejudicada. Não sei como seria fora do período de reforma para tecer comparações. O que posso dizer é que, após entrar, fiquei bastante tempo numa fila esperando minha vez para observar o salão das Doze Colunas, suas colunas de mármore italiano, mosaicos zellige e estuques esculpidos. Registrei com foto e vídeo e fui embora.

A área externa, fora do salão das Doze Colunas, está mal preservada, com mato tomando conta de boa parte do jardim.

Valor do ingresso: 100 MAD. Compra na hora e paga em espécie.

Madrasa Ben Youssef

A Madrasa Ben Youssef foi a maior e mais importante escola islâmica do Marrocos e hoje é um dos exemplos mais extraordinários da arquitetura islâmica tradicional no país. É um lugar que impressiona pela beleza, simetria e silêncio.

Fundada originalmente no século XIV e reconstruída no século XVI durante o reinado do sultão Abdallah al-Ghalib, da dinastia Saadiana, a madrasa chegou a abrigar cerca de 900 estudantes vindos de várias regiões do Marrocos e do norte da África.

Durante séculos, foi um importante centro de estudos do Alcorão, direito islâmico, teologia e ciências, desempenhando um papel central na formação religiosa e intelectual do país.

Dentre os locais que se visita com ingresso, esse foi o meu preferido em Marrakech. É realmente um lugar muito bonito, repleto de detalhes arquitetônicos impressionantes: mosaicos zellige, estuques esculpidos, madeira de cedro ricamente trabalhada e simetria.

Foi o passeio preferido do João também, que se interessou pelo estilo de “labirinto” do local, cheio de portas, escadas e pátios.

Valor do ingresso: 50 MAD. Compra na hora e paga em espécie.

El Badi Palace

O Palácio El Badi é hoje uma grande ruína histórica, mas já foi considerado um dos palácios mais luxuosos do mundo islâmico. A visita não impressiona pela ornamentação preservada, e sim pelo que o local representa.

O El Badi foi construído no século XVI pelo sultão Ahmed al-Mansur, da dinastia Saadiana, para celebrar a vitória marroquina sobre os portugueses na Batalha dos Três Reis. Na época, o palácio simbolizava poder e riqueza, decorado com mármore italiano, ouro do Sudão. ônix e mosaicos sofisticados.

Cerca de um século depois, o palácio foi saqueado e desmontado por ordem do sultão Moulay Ismail, que reutilizou seus materiais em outras construções. O que restou foi esse enorme complexo em ruínas que existe hoje.

Caminhamos pelo pelo grande pátio central, com espelhos d’água, exploramos os corredores, plataformas e antigas salas e tiramos belas fotos.

Valor do ingresso: 100 MAD. Compra na hora e paga em espécie.

Jardim Majorelle

O Jardim Majorelle é um oásis colorido e bem cuidado em meio ao ritmo intenso de Marrakech. Famoso pelo tom vibrante de azul, conhecido como Azul Majorelle, o jardim combina natureza, arte e moda, sendo um dos pontos turísticos mais visitados da cidade.

O jardim foi criado na década de 1920 pelo artista francês Jacques Majorelle, que transformou o espaço em um refúgio botânico e artístico. Após morte de Jacques e anos de abandono, o local foi comprado e restaurado nos anos 1980 por Yves Saint Laurent e seu companheiro Pierre Bergé, que salvaram o jardim da destruição e o transformaram em um ícone cultural.

As cinzas de Yves Saint Laurent foram espalhadas no jardim, reforçando sua importância simbólica.

Hoje, o espaço abriga também o Museu Berbere (que apresenta a cultura amazigh) e o Museu Yves Saint Laurent (ao lado do jardim).

É um passeio contemplativo e agradável. São muitos cactos, palmeiras, bambus e plantas exóticas, vindas das mais variadas regiões do mundo.

Para quem viaja com crianças, é necessário uma observação: é um local muito bonito, um passeio relaxante, mas com regras. Os visitantes precisam caminhar pelos caminhos determinados, não pode sair da área/passarela, não pode pegar nas plantas ou brincar com as pedrinhas no chão. É um passeio contemplativo e não interativo. Tem seguranças fiscalizando o respeito à ordem e regras do local. Então, dependendo da idade e comportamento da criança, talvez seja melhor evitar, justamente pelo estresse que pode causar, já que é natural que a criança sinta vontade de mexer.

Não tivemos problema. Expliquei ao João que não poderia pegar nas plantas nem brincar com as pedras. Com receio de levar bronca, ele respeitou e “se comportou”. Mas eu senti que o passeio que é para ser relaxante, pode se tornar estressante, dependendo da situação.

Valor do ingresso: 170 MAD. Compra pelo site, com data e hora marcada. Os ingressos são limitados por horário e é altamente recomendado comprar com antecedência. Jardim, Museu Berbere e Museu YSL têm ingressos separados (ou combinados).

Jardin Secret

O Jardin Secret é um oásis escondido no coração da medina, mais tranquilo e menos concorrido do que o Jardim Majorelle. É um lugar para desacelerar, respirar e apreciar a arquitetura islâmica e a tradição dos jardins árabes.

O espaço existe desde o século XVI, mas ficou fechado ao público por muitos anos. Após um cuidadoso processo de restauração, o Jardin Secret foi reaberto e hoje mostra como eram os jardins privados da elite marroquina, inspirados no conceito islâmico de paraíso: água, sombra, simetria e silêncio.

O complexo é dividido em dois jardins: o Jardim Exótico, com plantas de várias partes do mundo, e o Jardim Islâmico, baseado em princípios tradicionais da arquitetura islâmica.

Como já tínhamos visitado o Jardim Majorelle, acabamos não indo no Jardin Secret, mas quis listar aqui como mais uma sugestão de passeio.

Fazer um Hammam tradicional

Um hammam é um dos rituais mais tradicionais e importantes da cultura marroquina, e viver essa experiência vai além de um simples banho.

Tradicionalmente, o hammam é um banho público de vapor, herança das tradições romanas e profundamente integrado à cultura islâmica do Norte da África. No Marrocos, ele funciona tanto como um espaço de higiene quanto de convivência social e bem-estar.

Para os marroquinos, ir ao hammam é um hábito regular.

O ritual acontece em etapas, geralmente em salas com diferentes temperaturas:

  1. Sala morna, quando o corpo começa a relaxar
  2. Sala quente, com vapor intenso para abrir os poros
  3. Esfoliação com sabonete preto (savon beldi) e luva kessa
  4. Enxágue com água quente
  5. Massagem ou hidratação com argila ghassoul

O Hammam turístico se assemelha a uma estrutura de spa, oferecendo conforto e privacidade, ambiente elegante e preço mais alto que os locais tradicionais, frequentados pelos locais.

É uma experiência legal para incluir na viagem. Tive a oportunidade de experimentar um Hammam quando estive em Istambul. Agora, viajando com criança pequena, tive que pular a experiência.

O Hamman proporciona um relaxamento profundo, uma sensação real de cuidado e renovação. Recomendo a experiência.

Refeição em um Rooftop na Medina ou em um restaurante interessante

Eis algumas sugestões para incrementar seu roteiro: Le Salama, Le Jardin de Lotus, Le Table du Souk, Dar Dar Rooftop, Nomad, Atay Cafe, La Familie, Amor, Café Zeitoune, Chabbi, Mandala Society, L´Mida, Kessabine, Palais Narwama, Kabana, Nobu, Lolla Lounge, La Pergola, Laô, El Fenn, Terrasse de Epices.

Belly Dance Restaurants*: Dar Essalam, Comptoir Darna, Malak Emeraude, Palais Jad Mahal, Azar e The Folk.

*Belly Dance Restaurant (Restaurante de Dança do Ventre) é um estabelecimento com culinária árabe ou do Oriente Médio, com apresentações ao vivo de dançarinas de dança do ventre (chamadas de “belly dancers”) como forma de entretenimento, criando uma experiência cultural e imersiva para os clientes. 

Seja qual for o restaurante escolhido, sempre importante fazer reserva prévia.

Tour ao Deserto de Agafy

O Deserto de Agafay é uma paisagem árida e pedregosa localizada a cerca de 30–40 km de Marrakech, perfeita para quem quer viver uma experiência de deserto e não tem tempo para fzer uma viagem até o Saara. Apesar de não ter dunas de areia, o cenário é bonito e oferece uma mudança total de ritmo em relação à cidade.

Agafay não é um deserto clássico, mas um deserto rochoso. Ele se tornou popular nos últimos anos como alternativa para viajantes que não querem se deslocar até o Saara, oferecendo experiências como jantares no deserto, passeios de camelo e acampamentos de luxo.

Sem dúvida foi o passeio preferido do João em Marrakech. Fizemos o tour privativo com a @rafa_marrocos, foi muito tranquilo e confortável.

O motorista veio nos buscar no horário combinado (meio da tarde), na ida passamos em uma cooperativa de mulheres que produzem cosméticos com óleo de argan e logo na sequência chegamos ao deserto de Agafy. É um trajeto rápido e o maior tempo do deslocamento é dentro de Marrakech, por causa do trânsito. Quando chega na estrada, fica bem rápido.

Quando chegamos no deserto, a paisagem estava belíssima, então aproveitando para registrar o momento. João logo viu os camelos e ficou empolgado esperando sua vez. Depois, na hora das apresentações típicas, ele fez questão de participar:

Fizemos o tradicional passeio de camelo ao pôr do sol, depois assistimos algumas apresentações típicas e finalizamos com um típico jantar com música tradicional.

É um passeio seguro, principalmente se feito por intermédio de agências confiáveis e transporte organizado, como foi o nosso caso.

Considerando que nossa viagem aconteceu durante o inverno, para esse passeio foi importante roupa extra, visto que ele tem início no meio da tarde, mas envolve várias atividade e finaliza apenas à noite, quando já estava bem frio.

Optei por me vestir em camadas, da seguinte forma:

Com essas peças da Fiero, além de elegante, fiquei quentinha e protegida do frio no deserto de Agafy.

A Fiero é uma marca especializada em moda e acessórios para o frio, inverno e neve, oferecendo soluções inovadoras e de alta qualidade para enfrentar baixas temperaturas. A marca combina tecnologia e design em peças que garantem aquecimento, conforto e estilo, ideais para viagens e uso no dia a dia.

No site você pode pesquisar por gênero (masculino, feminino ou infantil); calçados, vestuário ou acessórios; temperatura e condição (destinos com neve ou sem neve). Assim fica muito mais fácil acertar nas escolhas que vão para sua mala, conforme cada tipo de viagem.

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Bairro Gueliz

O Gueliz é o bairro moderno de Marrakech, bem diferente da medina histórica. Com avenidas largas, prédios contemporâneos, cafés, lojas e restaurantes internacionais, ele mostra uma face mais cosmopolita da cidade.

O bairro foi planejado durante o protetorado francês, no início do século XX, para ser a “cidade nova” fora das muralhas da medina. A ideia era criar um espaço mais organizado, com arquitetura moderna, infraestrutura e comércio voltados para estrangeiros e para a elite local.

Hoje, Gueliz é onde vivem muitos moradores de classe média e onde funcionam muitos escritórios, lojas internacionais, cafés e restaurantes contemporâneos.

Sugestões de restaurantes em Gueliz: Capuccino, Extrablatt, Mama Mia, La Trattoria, Casa José, Café Gourmet, Amal e Bey961.

Gueliz é um dos bairros mais seguros de Marrakech, com ruas largas e bem iluminadas, menos assédio turístico e ambiente mais tranquilo, inclusive à noite. É uma ótima área para caminhar sem pressa.

Culturalmente falando, a Medina é muito mais interessante, mas Gueliz é um interessante contraponto à parte antiga da cidade, organizado, funcional e moderno. Vale a pena como complemento ao roteiro.

Possibilidade de day tour

Como eu disse, exceto deserto de Agafy, não tem nada pertinho de Marrakech, que combine bem para um day tour tranquilo.

Entretanto, para quem não se importa em passar muitas horas dentro do caro, pois realmente tem interesse em desfrutar mais da experiência e conhecer mais o destino, existe a possibilidade de um day tour que inclui as montanhas Atlas, Ait Ben Haddou e Ouarzazate, com saída de Marrakech 7:30 e chegada por volta das 20:30.

No caminho, você atravessará a cordilheira do Alto Atlas, passando por Tizin´Tichka, o ponto mais alto. Haverá parada para contemplação da paisagem.

Ait Ben Haddou é uma antiga cidade fortificada berbere, feita de barro e adobe, famosa por sua arquitetura tradicional e por ser Patrimônio Mundial da UNESCO. É um exemplo impressionante da arquitetura de terra do Norte da África, servindo como ponto estratégico em antigas rotas de caravanas e de cenário para vários filmes famosos e séries, como Gladiador e Game of Thrones.

Ait Ben Haddou é feito um tour com guia local e almoço. Depois o tour segue rumo a Ouarzazate, com visita aos famosos Studios Atlas.

O fato de estar muito frio na região, com neve no caminho e, principalmente, o fato de eu estar viajando com João (2 anos de idade), foram determinantes para eu desistir do passeio.

Apesar de eu não ter feito, quis registrar essa possibilidade aqui, pois, dependendo do seu interesse, pode ser uma opção de day tour viável. Ainda que muitas horas de deslocamento, a oportunidade de Ait Ben Haddou pode ser única.

Avalie e tire suas dúvidas com a @rafa_marrocos. E se sua viagem for no estilo “expedição”, provavelmente o roteiro vai incluir esses locais.

Dicas bônus: Marrakech com crianças

Day Tour no deserto de Agafy: costuma ser o passeio preferido das crianças. O deserto fica perto de Marrakech (cerca de 1h), então não é uma viagem cansativa.

Hotel com área para brincar: a cidade é repleta de riads e hotéis incríveis, mas na hora de escolher, opte por um que inclua atividades para os pequenos.

Carrinho para passear pela Medina: se o seu filho ainda for bebê, dá para usar o canguru, mas para crianças a partir de 2 anos (grande para usar canguru e pequeno pra caminhar pela Medina), o carrinho é indispensável.

Pausas durante o dia e hora do chá: leve lanchinhos na mochila e faça pequenas pausas durante o dia. João toda hora me perguntava: “o que você trouxe pra comer na mochila?”.

Internet no celular: se você não fala francês, vai ter dificuldade na comunicação. Então ter internet sempre a mão vai te ajudar a formular perguntas/respostas para as pessoas, planejar rotas, não se perder, encontrar locais para comer, etc.

Eu sempre viajo com a internet da SimPremium, que agora com o E-sim é ainda mais prático, sem necessidade de troca de chip. Assim, desde a hora que meu avião pousa no destino, não enfrento problemas com falta de internet na viagem. Leitor do blog MV tem 20% na aquisição do chip de celular ou E-sim SimPremium ao utilizar o cupom “maladeviagem”. Clique aqui para pedir o seu!

Fuja do calorzão: não vá em junho, julho, agosto ou setembro. Prefira março, abril, outubro e primeira quinzena de novembro. Dezembro a fevereiro não é ruim, mas não dá pra curtir as piscinas do hotéis.

4 dias é um bom tempo: 3 dias é pouco, mais de 5 dias já demais. Pela quantidade de atrações e pontos turísticos, 4 dias é um bom tempo para conhecer Marrakech, esse destino intenso e que merece ser visitado ao menos uma vez!

Conclusão sobre a viagem a Marrakech

Marrakech não é um destino tão fácil para viajar com uma criança de 2 anos, mas a viagem é possível e pode ser tranquila, com o planejamento adequado e conforto necessário.

A cidade é intensa, barulhenta, com trânsito caótico e, muitas vezes, cansativa, especialmente para quem não está acostumado a negociar preços, dizer “não” com firmeza ou se orientar em meio a ruelas que parecem um labirinto sem fim. Há golpes, algumas abordagens insistentes e momentos de desconforto, sobretudo nas áreas mais turísticas da Medina. Mas isso não muda o fato de que com informação, atenção e bom senso, Marrakech é um destino seguro e perfeitamente possível de ser bem aproveitado.

Em contrapartida, poucos lugares no mundo oferecem uma experiência cultural tão rica e sensorial. Entre palácios, jardins, souks, hammams e cafés escondidos nos telhados da cidade, Marrakech revela uma beleza única. É uma cidade onde o agito da Jemaa el-Fna convive com o silêncio absoluto de um riad, e a confusão das ruas dá lugar a gestos simples de hospitalidade, como um chá de menta servido sem pressa.

Então a minha resposta sobre Marrakech nunca será um simples “sim ou não”, sempre vai depender do contexto, do seu perfil de viajante, do que você está buscando e das suas necessidades. Para um casal sem filhos eu vou recomendar um estilo de viagem para Marrakech. Para um grupo de amigos ou para uma família com filhos crescidos, outro estilo. E para uma família no formato da minha (com filho pequeno), as sugestões serão diferentes.

Viajar para Marrakech exige abertura, paciência e respeito à cultura local, mas recompensa quem aceita o desafio. Não é uma cidade para ser apenas visitada, é uma cidade para ser sentida e uma viagem para aprender. Com seus contrastes, imperfeições e encantos, Marrakech pode não agradar a todos, mas dificilmente deixa alguém indiferente. E, no fim das contas, são justamente essas viagens intensas, que nos tiram da zona de conforto e que costumam ficar na memória por mais tempo.

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Wanderlust por natureza, no meu tempo livre estou sempre programando uma nova aventura ou experiência, pois acredito que a melhor viagem é sempre a que está por vir!

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