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Intercâmbio no exterior depois de adulto? Por que não?

capa blog intercambio-min

Talvez você tenha preconceito com a ideia, ou talvez nunca tenha parado para pensar sobre a possibilidade de fazer um intercâmbio depois de adulto. E considerando que tive a oportunidade de fazer dois intercâmbios consecutivos em 2016 e 2017, quero te dar bons motivos para deixar “maus sentimentos” de lado e pisar fundo nessa.

A primeira ideia de fazer um intercâmbio para estudar inglês surgiu no início de 2016, junto com pesquisas e dúvidas.

Até meados do mesmo a ideia estava formada e seria colocada em prática. Destino escolhido? San Diego, na Califórnia.

*Para saber mais sobre o intercâmbio em San Diego, confira – Next stop: Califórnia! Nosso roteiro

intercâmbio Embassy San Diego
Embassy, San Diego

A viagem de intercâmbio agradou tanto, que em 2017 repeti a dose, dessa vez em Cape Town, na África do Sul.

*Para saber mais sobre a viagem à África do Sul, confira – África do Sul – Índice de todos os posts da viagem

EC Cape Town
EC, Cape Town

E agora, visando estabelecer a diferença entre ambas experiências, achei melhor fazer uma tabela explicativa:

INTERCÂMBIO EM SAN DIEGO INTERCÂMBIO EM CAPE TOWN
MOTIVO Estudar inglês Estudar inglês
COMPANHIA Namorado Namorado
DURAÇÃO DO CURSO 4 semanas 3 semanas
ESCOLA Embassy EC
ACOMODAÇÃO Residência estudantil Hotel
NÍVEL Intermediate Upper intermediate
CLASSE Cerca de 10 alunos Cerca de 10 alunos
IDADE MÉDIA DOS ALUNOS 21 anos 27 anos
DIA DAS AULAS Segunda a quinta Segunda a sexta
PERÍODO DAS AULAS De manhã Alternado (manhã ou tarde)
ATIVIDADES OPCIONAIS Sim Sim
PROVA DE NIVELAMENTO Online e presencial Online e presencial

Na EC, em Cape Town, as turmas são divididas em horários diferentes e alternados. Por exemplo: o nível intermediário tinha aulas de segunda, quarta e sexta a tarde, e terça e quinta de manhã; já o “upper intermediate”, tinha aulas de segunda, quarta e sexta de manhã, e terça e quinta de tarde.

Na Embassy, em San Diego, Rodrigo e eu ficamos em salas separadas, pois estávamos, na época, em nível de inglês diferente.

Considerando essa divisão da escola, pedimos para que ficássemos na mesma turma, pois caso contrário nunca nos encontraríamos para passear.

Ponto positivo para Embassy, nesse quesito, pois, ao meu ver, aulas pela manhã são muito mais interessantes para esses cursos de férias.

Ambos os cursos eram no mesmo estilo: aulas interativas envolvendo as quatro habilidades – escuta, fala, escrita e leitura.

A avaliação era diária e na Embassy havia uma prova semanal para avaliar os conteúdos vistos naquela semana. Já na EC, a avaliação era apenas ao final das três semanas.

A forma de avaliação, período e duração das aulas varia de escola para escola, e talvez hoje até já tenham mudado algumas coisas desde quando eu fiz os cursos.

O fato é que tanto a Embassy quanto a EC são boas escolas, muito renomadas e conhecidas mundialmente. Isso que reputo de fundamental importância na hora de escolher um curso de intercâmbio.

Perguntas frequentes sobre intercâmbio:

1.Existe limite máximo de idade?

Não. Seja qual for sua idade, você pode fazer um intercâmbio. Havia pessoas com mais de 50 anos na minha turma.

A média fica em 20 e 30 anos, mas existem pessoas mais jovens e mais velhas.

2.Existe limite mínimo de duração do curso?

Depende da escola. Geralmente a partir de duas semanas já aceitam alunos na condição de intercambistas.

O problema de fazer um curso muito curto é o custo do material, que vai ser alto comparado à quantidade de aulas.

3.Quem são os alunos?

Pessoas de países variados. Brasileiros procuram muito esse tipo de curso, então provavelmente haverá mais brasileiros na sua sala.

Para driblar essa situação, o segredo é não utilizar o português dentro da escola. Os professores costumam “pegar no pé” para sempre conversar em inglês.

Nos momentos em que a atividade for em dupla/grupo, procure pessoas de outras nacionalidades, até mesmo para gerar intercâmbio cultural.

4.Quantas pessoas estudam na mesma sala?

Geralmente no máximo 15 pessoas. Além disso, a rotatividade de alunos é grande, pois toda semana tem gente finalizando o curso e gente começando o curso.

5.Existe data certa para começar o curso?

Não. Existe uma rotatividade, então todo início de semana inicia um “novo curso” e toda sexta-feira encerra um curso (pelo menos para alguém).

O ponto chato disso é que a depender do seu início, você pega o livro já no meio. Mas cada semana é uma nova lição do livro, então você pega o livro já começado, mas a lição desde o começo.

6.Como são as aulas?

São bem dinâmicas e depende da metodologia da escola. Porém, sempre há aplicação de atividades de escrita, conversação, leitura e audição.

7.Existem atividades extras?

Geralmente sim. Podem haver aulas extras gratuitas e não obrigatórias no período vespertino (ou matutino se a aula for pela manhã), cursos para desenvolver uma habilidade específica (exemplo: aula de conversação ou aula de interpretação textual), além de atividades culturais e filantrópicas.

As escolas também são conveniadas com agência que fazer excursões e passeios (custo adicional).

8.Há provas?

Tem escola que aplica prova semanal, outras aplicam prova ao final de um número determinado de semana ou apenas no final do seu curso.

Seja qual for a forma adotada, a prova/avaliação/teste é necessário para que você receba seu certificado ao final.

9.Como eu me matriculo em um intercâmbio?

Entrando em contato direto com a escola ou através de agências de intercâmbio intermediárias, que fazem o processo de matrícula e documentação do aluno para com a escola.

Algumas escolas permitem que o trâmite da matrícula seja organizado pela internet. Nesse caso uma pessoa entrará em contato contigo para passar as informações acerca do procedimento.

Os meus dois intercâmbios foram feitos pela CI (agência de intercâmbio) de Campo Grande. Eu até a agência, escolhi tudo da forma que eu queria (dentre as opções possíveis), e a agência procedeu minha matrícula e documentação.

10.Onde eu vou me hospedar?

As opções mais comuns são casa de família ou residência estudantil.

Na casa de família você provavelmente garante uma maior imersão cultural. Costuma ser a opção mais econômica e inclui café da manhã e jantar (mas isso não é uma regra absoluta).

A residência estudantil lhe concede maior liberdade. Existem diversas categorias de residência, com quarto individual, duplo, quádruplo… Algumas escolas oferecem dormitórios no próprio estabelecimento (em um prédio agregado à escola).

Se você opta por ficar em casa de família ou residência estudantil, a hospedagem “entra no pacote” do intercâmbio e os valores variam conforme a modalidade de hospedagem escolhida.

Sendo a escola responsável pelo oferecimento dessa hospedagem, eventuais problemas serão resolvidos pela escola, podendo, inclusive haver pedido de mudança da casa de família, caso você não se adapte por alguma razão.

A terceira opção, menos usual, é não contratar a hospedagem juntamente com o curso. Essa foi minha escolha em Cape Town, pois como além do intercâmbio o objetivo era ter também uma “viagem de férias padrão”, optei por reservar hotéis para as 3 semanas de curso.

Além disso, o curso da hospedagem na África do Sul é acessível (principalmente numa comparação com San Diego), o que me deu “o direito” de usufruir de mais conforto.

Colocando na ponta do lápis, gastei menos com 3 semanas de hospedagem em hotel em Cape Town, do que com 4 semanas de hospedagem em residência estudantil (um quarto simples, sem arrumação diária, sem café da manhã) em San Diego.

hotel circa cape town
Hotel Circa, onde nos hospedamos no intercâmbio em Cape Town
Hotel Circa, em Cape Town
Hotel Circa, em Cape Town

Não optei por casa de família justamente por querer associar intercâmbio + viagem de férias e passeios. Mas não deixa de ser uma opção bacana, principalmente se seu foco for evoluir no idioma.

Independentemente da sua escolha, procure opções próximas à escola, visando facilitar o deslocamento e não perder muito tempo todos os dias (se der pra ir a pé, é a melhor escolha). Mais uma coisinha: veja se tem mercado nas redondezas, porque fazer compras e andar quilômetro com sacola pesada nas mãos, ninguém merece!

11.Ir com outra pessoa que fala seu idioma atrapalha?

Sem dúvida atrapalha. Como meu objetivo era “desenferrujar” um pouco meu inglês, os intercâmbios, nos moldes em que foram realizados, cumpriram sua função.

Se sua necessidade for outra, então evite ao máximo contato com brasileiros, pois falar português é “tão confortável”!

No primeiro intercâmbio em San Diego, estávamos mais focados no curso em si, então nos obrigávamos a conversar em inglês. Deu certo, mas não é a mesma coisa do que o contato com um nativo, evidentemente.

Defina suas prioridades.

12.Qual intercâmbio eu preferi?

Novamente vamos à tabela comparativa:

INTERCÂMBIO EM SAN DIEGO INTERCÂMBIO EM CAPE TOWN
APRENDIZADO X
MELHOR CURSO X
MAIS CONFORTO X
MAIS QUALIDADE DE VIDA X
ONDE GASTEI MENOS X
ONDE “VIVI MAIS A LÍNGUA” X
ONDE ME SENTI MAIS “NATIVA” X
CIDADE QUE MAIS GOSTEI X
ONDE COMI MELHOR X

Acho que as respostas são reflexo da seguinte situação: em San Diego foquei mais no curso e em Cape Town fiz o curso, mas sem esquecer que eu “estava de férias”.

Ambas as escolas são boas e eu faria novamente o curso em qualquer delas.

A África do Sul é um país considerado barato para brasileiros, então a qualidade de vida que tive na Cidade do Cabo foi muito maior do que a que tive em San Diego, uma cidade linda, que eu adoro, mas que pelo custo de via, não me proporcionou o mesmo conforto que a primeira.

13.Curso de intercâmbio de férias vale à pena?

Vale, sem dúvida que vale! Não podemos comparar um curso de férias de poucas semanas com um curso semestral ou anual de intercâmbio.

Nunca fiz um intercâmbio semestral ou anual e hoje, na atual fase da minha vida, acaba sendo impossível me ausentar por tanto tempo.

O curso de férias é o que a maioria das pessoas podem fazer, em razão da idade e do que vem junto com ela rsrs… (família, trabalho), e se mostrou muito eficaz nas duas oportunidades que tive.

Primeiro que serviu para treinar o inglês, relembrar um pouco a língua e dar aquela destravada geral que acaba acontecendo quando ficamos muito tempo sem estudar.

Segundo que é uma ótima forma de conhecer outras culturas, uma troca de experiência fantástica. O fato de ter colegas de classe de diversos lugares do mundo, gerava um intercâmbio cultural fantástico, principalmente quando cada um contava um pouco sobre como funcionava determina coisa em seu país. E essa pra mim é a parte mais legal do intercâmbio!

O inglês “de classe” é diferente do inglês “de rua”, fato. Na classe os professores falam devagar, explicam terminologias, usam palavras fáceis. Então quanto a isso, não dá pra afirmar (tomando por base as experiências que tive), que fazer aulas de inglês num curso de férias vai ter preparar suficientemente para encarar o dia a dia.

Mas que isso não te desanime, pois ajudar e acrescer sem dúvida irá! O segredo é unir aulas e vivência.

Por isso que se o seu objetivo é realmente ser fluente na língua, será necessário mais do que apenas algumas aulas. Você vai precisar viver como um local, fazer amizade com locais e não se misturar com brasileiros.

Confira agora o vídeo com mais informações e dicas sobre como foi fazer um curso de intercâmbio de três semanas na EC, em Cape Town:

Youtube.com/blogmaladeviagem – increva-se!

A Lívia, do Blog O Mundo e Minhas Voltas, contou tudinho sobre sua experiência em Londres, assim como a Gabi do Blog Acumulando Viagens fez em relação ao seu intercâmbio em Vancouver.

Esse ano vou pular, mas ainda não abandonei a ideia de fazer outros intercâmbios nos mesmos moldes futuramente! Quem sabe em Malta? Austrália? Nova Zelândia? Canadá? Irlanda? Inglaterra? Ixe.. A lista ainda é grande…

Abraços,

Anna.

Anna
Anna
Escorpiana assumida, Defensora Pública em MS e wanderlust por natureza. Está sempre programando uma nova aventura e em busca de experiências, porque acredita que a melhor viagem é sempre a próxima!