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Jalapão: o deserto das águas no interior do Tocantins

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Você pode até não saber ao certo onde está localizado, mas provavelmente já ouviu falar de um lugar chamado Jalapão, não é mesmo? E aí? Quer descobrir onde fica, como é e o que tem para se fazer nesse parque estadual que ainda pouco se ouve falar no Brasil? Então vem comigo nessa Mala de Viagem, que esse post é pra você!

Não sou uma expert em ecoturismo, mas pelo menos uma vez por ano, Rodrigo e eu nos aventuramos em uma viagem desse estilo e é sempre revigorante.

Dessa vez o destino escolhido foi o Parque Estadual do Jalapão (criado em janeiro de 2001 – por isso o turismo por lá ainda é algo recente), que, também chamado de “deserto das águas”, trata-sede uma unidade de conservação localizada no leste de Tocantins, com área total de 158 970,95 ha.

O nome “Jalapão” tem origem em uma planta chamada jalapa-do-brasil, comum por todo parque (ouvi dizer que tem cachaça feita dessa planta… mas não tivemos a oportunidade de provar).

Se você quer fazer uma viagem de ecoturismo e adora paisagens naturais envolvendo dunas, chapadões e serras, rodeadas por rios, riachos, ribeirões, fervedouros e nascentes, o Jalapão é o seu lugar!

Jalapão: Cachoeira da Velha | Foto: Anna
Jalapão: Cachoeira da Velha | Foto: Anna

Sobre a geografia do Parque Estadual do Jalapão

– área total: 34 mil km2;

– cidades base: Mateiros e São Félix do Tocantins (Ponte Alta e Novo Acordo ficam na região do Jalapão, mas não estão dentro do Parque Estadual do Jalapão);

– vegetação: predomina o cerrado;

– fauna: tucanos, papagaios, araras-azuis, siriemas, emas, urubus, antas, capivara, veados tamaduás-bandeira, lobos-guarás, raposas, gambás, macacos, jacarés, onças, cobras;

– temperatura média: 30º C;

– possui duas estações bem definidas: seca (abril até setembro) e chuvosa (outubro até março);

– densidade populacional: 0,8 habitantes por km2. É comum andar quilômetros e quilômetros sem ver uma pessoa sequer no caminho.

Mapa do Parque Estadual do Jalapão - Tocantins
Mapa do Parque Estadual do Jalapão – Tocantins

Curiosidades sobre o Parque Estadual do Jalapão

– Muitos programas de TV, filmes e novelas têm cenas gravadas no Parque Estadual do Jalapão. A título de exemplo cito o reality show “Survivor” (gravado em 2008), “Largados e Pelados” (estava sendo gravado enquanto estávamos lá, em junho de 2017) e a novela “Araguaia”.

– O Parque Estadual do Jalapão é o berço da produção de artesanato de capim dourado. A comunidade quilombola Mumbuca é a pioneira, tendo o capim dourado como principal fonte de renda. Inclusive, há lei proibindo o transporte do capim dourado in natura (na mala apenas o artesanato, ok?).

– Se você quer ver os campos de capim dourado, então a época boa para ir ao Jalapão é setembro.

Nosso roteiro no Jalapão

Compramos passagens promocionais pela Azul Linhas Aéreas (Campo Grande – Palmas), pagando R$ 930,00 ida e volta para os dois (saiu bem barato).

Chegamos em Palmas no final do dia, ficamos hospedados no Hotel Fit e, no dia seguinte, saímos para uma expedição de 5 dias pelo Jalapão.

 

Confira aqui o post com todas as dicas de Palmas.

Fechamos a expedição com uma agência local, pagando R$ 1.880,00 por pessoa (pegamos uma opção de saída promocional em junho de 2017).

No valor estava incluso: transfer do aeroporto de Palmas até o hotel (ida e volta); transporte até o Jalapão e durante a expedição; 4 diárias em pousadas (sendo a primeira noite na cidade de Ponte Alta e as demais em Mateiros); alimentação (café da manhã, almoço e jantar) e entrada para a maioria dos atrativos.

As expedições saem de Palmas e retornam a Palmas. É comum e recomendado fazer essa viagem com uma agência, principalmente se você não tem o hábito de dirigir em estradas de chão e com pouca sinalização.

Além disso, é recomendado fazer esse percurso com veículo 4×4, em virtude do grande risco de atolar, furar pneu, etc.

Também não há sinal de celular no Parque Estadual do Jalapão (exceto nas pousadas onde dormimos).

Jalapão e suas estradas de terra | Foto: Anna
Jalapão e suas estradas de terra | Foto: Anna

1º dia

Saímos de Palmas pela manhã com destino a Ponte Alta (200 km de Palmas), onde chegamos para o almoço. Após almoço saímos com destino ao Cânion Sussuapara e, posteriormente, fomos ver o por do sol na Pedra Furada. Entre uma atração e outra, passamos em uma lojinha de artesanatos feitos com Capim Dourado (tudo mundo bonito e com preços atrativos). No final do dia retornamos à pousada em Ponte Alta para o jantar.

Cânion Sussuapara

Está a 15 km de Ponte Alta e é uma fenda estreita de cerca de 25 metros de profundidade. As paredes do local são úmidas (com água sempre pingando) e as rochas impedem que o sol chegue ao solo, fazendo com que o cânion seja bem fresco (você até esquece dos 35ºC que faz lá em cima). A vegetação é muito verde e a sensação é que você está em um lugar diferente do cerrado que viu na entrada. Por ali passa um pequeno rio (atualmente assoreado) que desemboca em uma queda d´água onde é possível se refrescar (apenas um por vez, em razão do seu tamanho).

O carro é estacionado no início da trilha (poucos metros de trilha). Essa trilha é tranquila – no dia estávamos de tênis, mas tem muita gente que faz de chinelo mesmo (só cuidado para não escorregar na descida).

Jalapão: Cânion Sussuapara | Foto: Anna
Jalapão: Cânion Sussuapara | Foto: Anna
Jalapão: queda d´água de 5 metros no Cânion Sussuapara | Foto: Anna
Jalapão: queda d´água de 5 metros no Cânion Sussuapara | Foto: Anna

Pedra Furada

O atrativo conhecido como “Pedra Furada” é um conjunto de blocos de arenito que foram esculpidos pela ação de eventos naturais como chuva e ventos. A pedra furada é que está do lado de cima (você faz uma pequena trilha de poucos metros para chegar até lá), mas logo na parte de baixo (à direita) você já encontra uma outra “pedra furada”, que se assemelha a um portal.

Quando estiver por lá, cuidado para não fazer barulho, pois no local tem muitas abelhas e inclusive já houve acidentes com “turistas barulhentos” que passaram por ali sem respeitar a natureza!

A Pedra Furada não fica muito longe do Cânion Sussuapara e é um ótimo lugar para ver o por do sol. Acho que as imagens falam por si…

Pedra Furada (lembra o formato de um mapa) - Jalapão
Pedra Furada (lembra o formato de um mapa) – Jalapão
Jalapão: por do sol na Pedra Furada | Foto: Anna
Jalapão: por do sol na Pedra Furada | Foto: Anna

O primeiro dia foi o menos impactante em termos de atrações no Jalapão, pois o melhor ainda estava por vir…

2º dia

Saímos pela manhã com destino à Cachoeira da Velha (chegamos já próximo ao horário do almoço), depois descemos até a Prainha do Rio Novo para banho e piquenique (local onde foi gravado cenas do filme “Deus é Brasileiro”). Outra curiosidade é que a fazenda onde estão a cachoeira e a prainha, já pertenceu a Pablo Escobar (inclusive dizem que havia laboratórios de fabrico de drogas por lá). Hoje o local está sob responsabilidade do estado do Tocantins.

Cachoeira da Velha

Está entre os atrativos mais procurados da região. É uma grande queda d’água em forma de ferradura, possuindo aproximadamente 100 metros de largura e 15 metros de altura. Não é possível nadar ali (questões de segurança, pois a água é violenta mesmo), mas eis um aviso aos aventureiros: é possível fazer rafting em suas águas!

Cachoeira da Velha bem de pertinho - Jalapão | Foto: Anna
Cachoeira da Velha bem de pertinho – Jalapão | Foto: Anna
Jalapão: Cachoeira da Velha | Foto: Anna
Jalapão: Cachoeira da Velha | Foto: Anna

Prainha do Rio Novo

Fica praticamente do lado da Cachoeira da Velha e é um ótimo lugar para relaxar. É uma prainha de rio, com areia e água meio geladinha, mas logo acostuma e fica uma delícia.

Antes era permitido acampar por ali, mas ouvi dizer que as regras mudaram e que o acampamento na região pode ser um perigo, visto que é rota de passagem de onças (a informação foi repassada por uns colegas motoqueiros que estavam fazendo o Jalapão por conta própria e acampando onde dava… Por via das dúvidas, retirei “acampar na Prainha do Rio Novo” da minha lista de “1.000 coisas pra fazer antes de morrer”…).

Jalapão: Prainha do Rio Novo | Foto: Anna
Jalapão: Prainha do Rio Novo | Foto: Anna

Nesse dia lanchamos por ali mesmo, pois não tem opções de almoço na região, então, até onde sei, todas as agências fazem um lanche nesse dia para não perder tempo.

Dunas do Jalapão

Após o lanche (basicamente pão, frutas variadas e suco), saímos em direção às dunas alaranjadas do Jalapão para ver o por do sol. As dunas são o cartão postal do Parque Estadual do Jalapão, e chegam a medir 40 metros de altura.

Nessas dunas foram gravadas cenas da novela “Araguaia”, da Rede Globo.

Ahhh, já ia me esquecendo: antes de chegar nas dunas paramos em um lugar muito bonito chamado Lagoa dos Jacarés (de fato há muitos jacarés habitando a lagoa, mas por sorte não nos deparamos com nenhum).

Lagoa dos Jacarés - caminho para as Dunas do Jalapão | Foto: Anna
Lagoa dos Jacarés – caminho para as Dunas do Jalapão | Foto: Anna

No caminho até as Dunas sempre a vista é para a Serra do Espírito Santo:

Ao chegar nas Dunas, a trilha é plana e curta (duração: uns 10 minutos). É Importante lembrar que o horário limite para chegar nas Dunas é 17:30, pois depois disso ninguém mais entra.

Dunas do Jalapão | Foto: Anna
Dunas do Jalapão e Serra do Espírito Santo ao fundo | Foto: Anna

Chegar até as Dunas não é tarefa fácil. Foram muitas e muitas horas dentro do carro nesse dia (mais ou menos umas 6, 7 horas ao todo).

Para quem não é muito fã de horas e horas dentro do carro, esse é o problema do Jalapão: o tempo de deslocamento até chegar de um atrativo a outro, torna a viagem cansativa.

Dunas do Jalapão: cartão postal | Foto: Anna

No fim do dia, depois de mais um por do sol digno de “top 5 da vida”, dessa vez retornamos para a cidade de Mateiros, onde jantamos e descansamos para o dia que vinha pela frente.

3º dia

Pelo roteiro, teríamos a opção de subir a Serra do Espírito Santo para ver o sol nascer. Inicialmente iríamos fazer o passeio (este seria pago à parte: R$ 100,00 por pessoa se fechasse um grupo de pelo menos 4 pessoas), mas mudamos de ideia e trocamos a trilha por uma visita a um fervedouro que não estava no roteiro (Fervedouro do Ceiça).

A ideia da subida à Serra é legal, exceto pelo fato de que teríamos que acordar 3 e meia da matina para viajar por 1 hora e meia até à base da Serra do Espírito Santo e, depois do passeio, voltar todo o percurso até chegar na pousada em Mateiros para o café da manhã.

Assim, por mais bonito que possa ser, considerando que esse é um tipo de passeio oferecido em vários outros lugares do país (sem necessidade de passar tantas horas no carro), optamos por trocá-lo por um fervedouro, que era no caminho para as demais atrações do dia e, ainda, uma atração que só se encontra no Parque Estadual do Jalapão!

Achamos uma escolha bem feita e não nos arrependemos (eu realmente ainda estava muito cansada das horas que passamos viajando no dia anterior).

*Durante o período que estávamos lá, havia um grupo conhecendo o Jalapão de bike! E um dos feitos deles foi subir a Serra do Espírito Santo com a bicicleta nas costas e pedalar lá em cima. Dias depois fiquei sabendo que o grupo não aguentou seguir viagem de bike e pediu socorro. Se até de carro eu cansei, imagina de bike?

Bom, então nossa primeira atividade do dia foi o fervedouro do Ceiça, lindíssimo! Super recomendo! Aliás, acho que está na hora de explicar o que é um fervedouro, certo?

Pois bem, fervedouros são nascentes chamadas de ressurgências que brotam com muita pressão em diâmetro pequeno, com temperaturas muito agradáveis para banho (a água chega quase a ser morna). É impossível afundar em um fervedouro (experiência própria). A pressão da água te joga pra cima e você fica literalmente flutuando – é um misto entre “boiar na maionese” (no caso, a areia seria a maionese) e “se sentir um astronauta”.

Há boatos que um fazendeiro encontrou um fervedouro com água quente em sua propriedade e está tentando incluí-lo na rota do turismo pelo Parque Estadual do Jalapão. Pergunte por esse fervedouro quando estiver lá!

Geralmente há tempo estipulado (20 ou 30 minutos) por grupo dentro do fervedouro, além de limite de pessoas (que varia conforme o tamanho do fervedouro). Essas restrições são por questões de preservação. Como fomos em dias tranquilos e encontramos os fervedouros sempre vazios, deixavam-nos ficar mais tempo do que o inicialmente estabelecido.

Já aviso de antemão que recomendo todos os fervedouros que fomos e cada um tem sua beleza singular. Sem dúvida os fervedouros foram minha atração preferida no Jalapão.

Fervedouro do Ceiça

Foi nosso primeiro fervedouro da vida! Cheio de bananeiras ao seu redor, logo me apaixonei pelo lugar. Quando você entra nesse fervedouro parece que nada está acontecendo, pois de início não é possível sentir o efeito da ressurgência… Mas experimente entrar correndo e depois me conta o que aconteceu, ok?

Fervedouro do Ceissa - nossa primeira experiência
Jalapão: Fervedouro do Ceissa – nossa primeira experiência | Foto: Anna
Jalapão: Fervedouro do Ceissa - nossa primeira experiência | Foto: Anna
Jalapão: Fervedouro do Ceissa | Foto: Anna

Na sequência seguimos para o Fervedouro Buritis, onde almoçamos nesse dia.

Fervedouro Buritis

Encanta pela tonalidade da água. Não tem tanta pressão como o Fervedouro do Ceiça, mas ao contrário do primeiro, tem vários pontos de ressurgências que te fazem flutuar. O que mais me atraiu sem dúvida foi a água cristalina.

Este fervedouro fica a 18 km de Mateiros e tem um limite de 6 pessoas por vez. Mas como estávamos com sorte, também pegamos ele vazio, todo pra gente.

Fervedouro Buritis e sua água azul linda
Jalapão: Fervedouro Buritis e sua água azul linda | Foto: Anna

Outra observação legal para fazer aqui é que, como os fervedouros são nascentes, eles sempre desembocam em um rio. Então do lado de todos os fervedouros que fomos, também tivemos a oportunidade de experimentar as águas do rio vizinho (sempre mais frias). Isso acaba sendo uma ótima opção para tirar a areia do corpo.

A última atração do dia foi uma visita à comunidade do Mumbuca (percursores do Capim Dourado). Lá conhecemos como é a comunidade quilombola e compramos alguns artesanatos feitos de capim dourado (base da economia local).

No fim do dia retornamos a Mateiros para jantar e repor as energias para o dia seguinte.

4º dia

Visita ao Fervedouro Encontro das Águas pela manhã; almoço no Fervedouro do Buritizinho; visita à Cachoeira do Formiga no final da tarde.

Foi o meu dia preferido da viagem e essa preferência se deu por dois motivos:

  1. Visitamos atrações maravilhosas;
  2. Foi o dia que ficamos menos tempo dentro do carro, pois os fervedouros e a cachoeira eram próximos um dos outros.

Fervedouro Encontro das Águas

Acho que no quesito “beleza”, o Fervedouro Encontro das Águas perde para os demais, porém, é sem dúvida o fervedouro de maior pressão que visitamos.

É um fervedouro pequeno, com capacidade para 4 pessoas por vez. A sensação quando você entra no Fervedouro Encontro das Águas é a de que você está em uma banheira de areia flutuante. De fato tem areia por todos os lados, pois a pressão da água é muito forte e joga a toda aquela areia pra cima com muita força, que fica em suspensão na água. Nesse fervedouro, definitivamente, é impossível afundar!

Fervedouro Encontro das Águas - Jalapão
Jalapão: Fervedouro Encontro das Águas | Foto: Anna

*Fervedouros são nascentes onde a água brota com tanta pressão, que provoca o chamado fenômeno da ressurgência, e é esse fenômeno que te faz boiar e jamais afundar. Por mais que você se esforce para afundar, a água te “joga pra cima” e a areia fica em suspensão na água (às vezes chega a fazer leve cócega), fazendo você se sentir como se estivesse flutuando.

O nome Encontro das Águas vem do rio existente ali do lado: formado pelo encontro do Rio Soninho e do Rio Formiga.

O curioso desse rio, é que é possível ver nitidamente o encontro entre as águas dos dois rios, pois a tonalidade delas é diferente. Além disso, quando você entra, percebe que além da tonalidade, a temperatura da água também muda de um lado do rio para o outro. Aliás, depois de curtir o fervedouro, um banho no rio foi essencial para tentar tirar um pouco da areia do corpo.

Fervedouro do Buritizinho e boia-cross

O próximo destino do dia foi o Fervedouro do Buritizinho, que fica em uma fazenda particular onde foi servido nosso almoço.

O Fervedouro do Buritizinho não estava incluso no nosso pacote. Sendo um passeio opcional, pagamos R$ 15,00 para visitá-lo, e com certeza valeu a pena.

No quesito “beleza”, ele ocupa as primeiras posições, pois a cor da água, sua transparência, aliado à exuberante vegetação que o cerca, chegam a tirar o fôlego.

Por outro lado, aqui não se tem a real experiência do que é um fervedouro, pois seu poço é fundo (não deu pé pra mim) e, em decorrência disso, você não sente que está boiando, visto que a pressão da água não é tão forte.

Jalapão: Fervedouro do Buritizinho | Foto: Anna
Jalapão: Fervedouro do Buritizinho | Foto: Anna

Embora seja possível mergulhar (ainda que parcialmente) nesse fervedouro a sensação é muito estranha, pois embora você não a sinta nos seus pés, a pressão da água está ali. Então, quando você mergulha, sente a água querendo entrar pelo seu nariz com força… Eu até achei que não sabia mais mergulhar, até que perguntei pro Rodrigo e ele me disse que estava tendo a mesma dificuldade.

Portanto, embora não seja uma “real experiência” de como funciona um fervedouro, recomendo a visita, pois é um lugar maravilhoso, com uma água que nunca vi igual de tão clara!

Outra opção de “coisas para fazer” ali na mesma fazenda, é o boia-cross no rio onde desemboca a nascente (fervedouro). Topamos a “aventura” (valor R$ 10,00), mas confesso que não teve muita graça. O rio não tinha correnteza suficiente para nos levar naturalmente, então tínhamos que ficar ajudando com as mãos.

Embora sem graça, valeu a experiência para conhecer aquele rio também.

Boia Cross - Rio do Fervedouro do Buritizinho - Jalapão
Boia Cross – Rio do Fervedouro do Buritizinho – Jalapão | Foto: Anna

Cachoeira do Formiga

Embora seja uma cachoeira com quedas pequenas, tem  bastante volume de água (sendo possível chegar até ela e receber uma massagem natural).

O poço tem água cristalina, e é rodeado por vegetação (palmeiras, árvores e samambaias são comuns ali). O melhor é a temperatura da água, que é super agradável – a cachoeira com água mais quente que já mergulhei.

A cachoeira fica a 36 km de Mateiros e a estrada, claro, é de chão (arenosa). O carro estaciona bem próximo à cachoeira e basta andar poucos metros para chegar no paraíso. O valor para ingressar na Cachoeira do Formiga é R$ 10,00 – junho/2017 (já estava incluso no nosso pacote).

Dizem que por ser um dos lugares mais procurados no Parque Estadual do Jalapão, a Cachoeira do Formiga geralmente é um local cheio de turistas. Deixamos para fazer o passeio já no meio da tarde (por volta das 15:30-16h) e ficamos lá até o final da tarde. Novamente tivemos muita sorte e pegamos o lugar bem vazio (por alguns minutos só tinha a gente nadando naquele poço azul maravilhoso).

Jalapão: Cachoeira do Formiga | Foto: Anna
Jalapão: Cachoeira do Formiga | Foto: Anna

Dica: fique atento ao fluxo de pessoas e fuja dele. No decorrer da sua expedição você provavelmente encontrará as mesmas pessoas sempre nos lugares por onde passar (grupos de turistas que também estão fazendo expedições nos mesmos dias que você, porém, com agências de turismo diferentes), a solução é inverter a ordem de alguns atrativos para conseguir aproveitá-los mais vazios. Invertemos a ordem de vários passeios e o resultado foi ótimo, pois conseguimos realmente “fugir da muvuca”.

5º dia:

A única atração do dia foi a visita ao Fervedouro Bela Vista (almoçamos na fazenda onde o fervedouro está localizado), pois depois do almoço já pegamos estrada sentido Palmas. No retorno fizemos duas paradas na estrada: uma na Serra da Catedral (onde foram feitas gravação de algumas cenas do filme Xingu) e a segunda no rio do Sono. Foram paradas para apreciação da paisagem apenas, e não duraram mais do que 5 ou 10 minutos.

Fervedouro Bela Vista

É um fervedouro grande, de água cristalina e vegetação exuberante. É o maior fervedouro que visitamos, e chegando lá entendi porque foi ele o escolhido para as gravações da novela “Araguaia”.

Com o fervedouro vazio, ficamos lá bastante tempo, curtimos muito o lugar e as fotos saíram fantásticas.

Uma característica desse fervedouro é que ele tem vários pontos de ressurgência, então você pode optar entre ficar do lado onde é possível ficar em pé normal, sem flutuar, ou nas nascentes propriamente ditas, onde você boia.

Não tem tanta pressão como no Fervedouro Encontro das Águas ou Fervedouro do Ceiça, mas assume o topo da lista quando o assunto é “beleza e tamanho”.

O Fervedouro Bela Vista fica a apenas 3 km da cidade São Félix e é de fácil acesso.

Jalapão: Fervedouro Bela Vista | Foto: Anna
Jalapão: Fervedouro Bela Vista | Foto: Anna
Fervedouro Bela Vista
Fervedouro Bela Vista – Jalapão | Foto: Anna

Sem dúvida o grande diferencial do Parque Estadual do Jalapão são os seus fervedouros, e isso realmente me encantou, fazendo com que a viagem valesse muito a pena. Claro que lá você também encontra muitos outros lugares belíssimos, mas o que marca o Jalapão são essas ressurgências que só são encontradas lá.

Então minha dica é: se for ao Jalapão, visite o maior número de fervedouros que puder, pois nenhum é igual ao outro e todos têm suas características e belezas peculiares.

Jalapão e seus fervedouros de água cristalina | Foto: Anna
Jalapão e seus fervedouros de água cristalina | Foto: Anna

Dicas para se dar bem no Parque Estadual do Jalapão

-Use roupas leves, claras e coloque traje de banho por baixo (tem lugares que não tem banheiro para trocar de roupa);

-apenas no primeiro dia usei tênis (visita ao Cânion Sussuapara e Pedra Furada). No demais dias usei chinelo (não há trilhas para fazer nesses passeios);

-se optar por subir a Serra do Espírito Santo, vai precisar de lanterna (a do celular já é suficiente) e tênis;

-usei snorkel apenas na Cachoeira do Formiga (não é essencial);

-no período que fui (junho de 2017) não fez “nadica” de frio, nem mesmo durante a noite, então não usei agasalho, mas é bom ter um na mala para eventualidades;

-repelente e protetor solar são muito importantes, mas você terá que tirá-los para entrar nos fervedouros (são nascentes, então todo cuidado é pouco);

-leve uma mochila para o dia a dia (com repelente, protetor solar, óculos de sol, chapéu/boné, toalha, chinelo, máquina fotográfica, remédios de uso pessoal);

-importante ter dinheiro em espécie para compras extras (você não encontrará caixa eletrônico ou máquina de cartão de crédito por lá);

-importante ter suas vacinas em dia (principalmente a de febre amarela e a antitetânica);

-rafting, canoagem, rapel e trilhas a pé e de bicicleta também são passeios encontrados no Parque Estadual do Jalapão (mas o tour mais tradicional que fizemos não incluía nenhum deles), então certifique-se antes com sua agência se haverá tais opções no roteiro oferecido;

-o Parque Estadual do Jalapão é uma área de preservação e, por conseguinte, apresenta pouca infra-estrutura, as estradas são de difícil acesso, com manutenção precária e pouca sinalização. Caso tenha em mente fazer a viagem por conta, lembre dessas características. É comum ver grupos de motos e jipes se aventurando pelo Jalapão. Nesse caso, é interessante contratar um carro de apoio para te proteger de eventuais problemas no percurso;

-as refeições são sempre com base na culinária local (comida caseira): carne, frango, peixe, arroz, mandioca/macaxeira, abóbora e saladas (confesso que comemos muito bem lá, pois as comidas eram sempre saborosas);

-o Parque Estadual do Jalapão é uma viagem, em tese, para todas as idades, mas eu não levaria crianças (aliás, durante os 5 dias que estivemos lá, não vimos nenhuma criança), pois os pequenos geralmente não toleram ficar tantas e tantas horas dentro do carro, o que pode tornar o passeio meio entediante para eles;

-Existe uma opção de tour que chama “Jalapada”, que é a combinação do Parque Estadual do Jalapão com a Chapada das Mesas no Maranhão. Esse tipo de expedição acontece em datas especificas e pré-estabelecidas.

A propósito, falando em Maranhão, maravilha nacional que ainda não conheço, mas estou doida para visitar são os Lençóis Maranhenses. E enquanto blog MV não vai a Lençóis, estamos nós aqui sonhando com o destino e aproveitando todas as dicas do blog A pé no mundo, que relatou como foi sua travessia de 4 dias.

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Escorpiana assumida, Defensora Pública em MS e wanderlust por natureza. Está sempre programando uma nova aventura e em busca de experiências, porque acredita que a melhor viagem é sempre a próxima!