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Comer bem em Cape Town: restaurante The Test Kitchen

A gastronomia sul-africana é a melhor que já provei. Ingredientes sempre frescos, tudo feito na hora, com produtos da estação e apresentação impecável. Nessa paixão pela boa gastronomia, e em busca de mais uma experiência gastronômica, tivemos o prazer de jantar no restaurante The Test Kitchen (aberto em novembro/2010), em Cape Town, comandado pelo premiado chef Luke Dale-Roberts.

O The Test Kitchen pode ser classificado como um restaurante dedicado à gastronomia contempânea e mergulhado na criatividade, ocupando a primeira posição na lista de “melhores restaurantes da África do Sul”.

Já esteve entre os 50 melhores restaurantes do mundo (ranking organizado pela revista britânica Restaurant). Em 2016 ocupou a 22ª posição.

Não apareceu na lista de 2017, mas continua sendo o melhor do país e esse título é merecido.

Localização:

O restaurante The Test Kitchen, assim como seu “irmão” The Pot Luck Club (já foi tema de post aqui no blog), está localizado no The Old Biscuit Mill (uma antiga fábrica restaurada que reúne exposições de arte, lojas de decoração, restaurantes e uma feira aos sábados), em Woodstock.

Woodstock é um bairro localizado entre a montanha de Devil’s Peak e as docas de Table Bay. Fica próximo ao centro da Cidade do Cabo e já foi um bairro predominantemente industrial, embora hoje seja o “refúgio” de artistas e chefs renomados.

O restaurante The Test Kitchen fica no primeiro andar do The Old Biscuit Mill e, a julgar pela portinha simples do local escondido, você não imagina o que reserva o seu interior.

The Test Kitchen
The Old Biscuit Mill – 375 Albert Road – Woodstock – Cape Town – South Africa
+27 (0) 21 447 2337

Reservas:

Pelo que percebi, o restaurante The Test Kitchen não é apenas o melhor da África do Sul, mas também o mais disputado – são apenas 40 “convidados” por noite.

As reservas são feitas pelo site do restaurante e abrem de 3 em 3 meses. Agora, por exemplo, estão abertas as reservas até dezembro e, evidentemente, tudo lotado. Confira aqui as datas de reserva.

*Conforme consta no site, as reservas para janeiro, fevereiro e março serão abertas em 1º de dezembro, às 8h (horário da África do Sul).

Num primeiro momento, não consegui abrir a reserva. Entrei no site no dia em que as datas seriam abertas e no horário registrado.

Acredito que por erro no cálculo do fuso horário, entrei algumas horas atrasada, e já estava tudo cheio.

Fiquei frustrada. Todo dia entrava no site para saber se havia alguma desistência. Nada.

Então, por sorte, no dia que estávamos no The Old Biscuit Mill, para almoçar no The Pot Luck Club, passamos na frente do The Test Kitchen e vimos uma movimentação estranha por ali.

O restaurante só abre para jantar, mas naquele dia teria um almoço privado para um grupo, então os funcionários estavam preparando o local.

Conseguimos falar com o gerente. Explicamos nossa situação, a vontade de conhecer o restaurante, até mesmo para poder relatar nossa experiência posteriormente aqui no blog.

Ele disse que não garantiria, mas que tentaria uma reserva para nós! Cruzamos os dedos e alguns dias depois: Ufa, conseguimos a reserva!

Os outros restaurantes dos donos:

Além do restaurante The Test Kitchen, há o The Pot Luck Club e o The Short Market Club, que são dos mesmos donos.

Conseguimos conhecer os 3.

Todos têm uma características comum: ficam dentro de uma singela portinha, meio escondido. A julgar pela “capa”podem não causar boa impressão. Mas quando você entra, descobre um “universo gastronômico”.

O The Pot Luck Club é fantástico! Foi assunto de post aqui e super recomendo. Se você não conseguir reserva no The Test Kitchen, mas tiver a oportunidade de conhecer o The Pot Luck Club, não deixe de fazê-lo.

Por outro lado, não indico o The Short Market Club. É um restaurante especializado em carnes. Achamos muito caro pelo que oferecem e não tem o estilo “explosão de sabores” dos outros dois. Pra mim: é apenas um restaurante de carne comum, com preços elevados. Não valeu!

A experiência:

No restaurante The Pot Luck Club você entende perfeitamente o significado da expressão: “isso não é apenas sobre comida”.

Além da explosão de sabores de cada prato e a criatividade que os envolve, o lugar é um restaurante teatro, onde os clientes são a estrela da peça.

O cardápio é sazonal, então provavelmente, quando você for, não será o mesmo menu.

A experiência tem duas etapas:

  • Dark Room
  • Light Room

No Dark Room (uma ante-sala escura, iluminada apenas com algumas velas) são feitas as degustações dos drinks (2 tipos por pessoa, entre as 4 opções disponíveis – eu escolhi 2 e Rodrigo os outros 2, assim provamos todos).

As pré-entradas também são trazidas neste momento.

O ponto alto do show é o mapa que você recebe nesse momento:

O mapa mostra o caminho a ser percorrido no Dark Room. Você provará algo da culinária local de cada um desses países, e a ordem da degustação é a ordem que está no mapa. Só até aí já foram uns 7 pratos diferentes (na verdade são as “pré-entradas”).

Seguem as fotos do que nos foi servido nesta primeira etapa: (as fotos estão escuras por conta da falta de iluminação do Dark Room).

    

As reservas são feitas de forma que quando o primeiro grupo finaliza o Dark Room, o segundo grupo chega. Tudo muito ensaiado.

Nessa primeira etapa o tempo é bem cronometrado, para não atrasar os grupos seguintes.

Assim, chegada a hora, eles te convidam para o Light Room (e levam seu drink, caso ainda não tenha terminado).

Atrás de uma porta está a próxima etapa: o Light Room.

 

 

O Light Room segue da mesma forma, no sistema de menu degustação (tasting menu) e você pode escolher como será feita a harmonização dos pratos: com vinhos da seleção mais top, com vinhos que ainda estão sendo testados (e talvez um dia se tornem vinhos da seleção top) ou com chá.

Assim, há valores diferentes conforme a harmonização escolhida.

Esse é o menu que você recebe assim que entra no Light Room (onde é recebido com uma taça de champagne):

Os preços seguem no próprio menu: R1600 se você não for fazer nenhuma harmonização; R2000 com chá; R2250 com os vinhos ainda em teste; R2650 com os vinhos mais conceituados.

Obs. esses valores já incluem a experiência anterior no Dark Room.

Seguem agora os pratos (incluindo couvert e entradas) servidos no Light Room:

  

     

E as sobremesas:

  

Sim, é muita comida, eu sei! Mas impossível deixar qualquer “sobrinha” no prato!

Ah, e é muita bebida também: drinks, champagne, um tipo diferente de vinho para cada prato. Gente, eu mal conseguia dar conta de uma taça, já chegava outra, e outra, e outra… Teve uma hora que tive que aceitar que não conseguiria competir com a agilidade do garçom.

*Eis aqui uma observação importante: se você não é muito “forte” pra bebidas (meu caso), não se preocupe em dar conta de todas as taças que lhe são servidas, ok? (Rodrigo ficou feliz com isso, porque bebeu as dele e as minhas, né?).

Digo isso porque o excesso de álcool pode “estragar” sua experiência culinária: “álcool demais = percepção de menos”. Melhor não arriscar perder a oportunidade de degustar fielmente cada combinação perfeita de sabores que lhe é apresentada…

Super normal não beber todo o vinho. Reparei isso na maioria das mesas.

Não sou especialista em culinária, não entendo de mistura de ingredientes, nem lembro o que era cada um desses pratos… BUT, toda vez que penso no restaurante The Test Kitchen, sinto uma sensação muito boa e lembro dos sabores explodindo na boca!

Sobre não ser “somente comida”, eis mais alguns exemplos:

Um dos pratos era um combinado de cogumelos frescos. Antes de servi-lo chegou um garçom com uma bandeja cheia de cogumelos, mostrando um a um o que viria no próximo prato:

Outra coisa muito interessante é o comportamento do staff e a forma de distribuição do serviço:

  • Todo mundo faz tudo! Todos servem, todos recepcionam, todos perguntam se você precisa de algo, inclusive o gerente (aquele mesmo que conseguiu nossa reserva).
  • Todos estão 100% ligados no que está acontecendo no local. Fiquei reparando nos olhos deles: sempre atentos a cada detalhe. Deixou seu guardanapo cair? Em poucos segundos aparece alguém trocando ele por um novo. Uma hora eu levantei para ir ao banheiro e meu guardanapo ficou em cima da mesa, desdobrado (off course) – quando eu voltei: TCHARAM! guardanapo perfeitamente dobrado e alinhado em cima da mesa.

Também reparei na feição das pessoas ali, compartilhando a mesma experiência que nós: todos muito felizes e satisfeitos com o show!

Prezo sempre pela sinceridade (quando eu não gosto, falo mesmo – a exemplo do The Short Market Club, que é dos mesmos donos, e eu não voltaria), e embora gosto seja pessoal e relativo, o restaurante The Test Kitchen é surreal! Espero que ele mantenha o padrão de qualidade e volte compor a lista dos 50 melhores do mundo.

Até a próxima!

Anna.

 

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