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Chapada Diamantina/BA – Parte2

No primeiro post sobre nossas férias na Chapada Diamantina em junho/2016, descrevi nosso roteiro do 1º ao 3º dia, agora vou contar pra você como foi a parte final da nossa trip pelo Parque Nacional, então vem comigo!


juri-cg Faça o download do roteiro completo da Chapada Diamantina.


Já leu a primeira parte do post (Chapada Diamantina – Parte 1)? Ainda não? Então clique aqui!

Roteiro dia-a-dia (continuação):

4º dia: Saímos logo cedo em direção ao leste do Parque Nacional para fazer a flutuação no Poço Azul (o passeio é limitado em relação ao número de pessoas e por isso funciona horário marcado). O Poço Azul é uma caverna com água cristalina de visibilidade incomparável (sério, nunca vi nada igual na vida). Mesmo com profundidade de ate 60 metros, é perfeitamente possível ver o fundo (até mesmo com a cabeça fora da água). Entre os meses de novembro a janeiro, a incidência solar não ocorre diretamente na água, mas é maior e dura mais tempo (das 10h às 16h), contribuindo ainda mais para a visibilidade da flutuação.

Achei que passaria muito frio por flutuar dentro de uma caverna com pouca iluminação, mas, pra minha sorte, estava enganada: a temperatura da água não se altera no decorrer do ano, mantendo-se sempre em torno de 24º C. Durante a flutuação, é obrigatório o uso de colete e lá é proibido mergulhar ou bater os pezinhos! O lema é “keep calm and enjoy it!”.

Flutuação no Poço Azul
Flutuação no Poço Azul

As grutas com poços de águas cristalinas são uma das principais atrações da Chapada Diamantina, e continuando em busca de outras águas azuis, visitamos o Poço Encantado. O lugar, assim como a Gruta Azul (contei sobre ela no primeiro post sobre a Chapada), é apenas para contemplação, e que contemplação! O visual impactante é gerado pela combinação da transparência e do reflexo azul da água, que durante o outono e inverno, devido à posição do sol, os raios penetram nas cavernas e atravessam os poços, formando um incrível feixe de luz azul turquesa que destaca ainda mais sua cor, e mesmo com profundidade que varia de 20 a 60 metros, é possível ver nitidamente o fundo de fora da água (e no escuro da caverna). No Poço Encantado, esse espetáculo dura até o dia 10 de setembro. Além da data, preste atenção também nos horários: a média dessa incidência é de 3h por dia – das 10h até às 13h, então: programe-se para não perder o show!

Poço Encantado
Poço Encantado

Na sequência, seguimos viagem até a Pitoresca Vila de Igatu, feita de pedras e encravada na Serra do Sincorá, foi construída há muitos anos por garimpeiros, sendo hoje habitada por pouco mais de 400 pessoas. Lá visitamos as ruínas que a fazem ser conhecida como “Machu Pichhu Brasileira”. Conhecemos também a Galeria Arte e Memória, um museu a céu aberto que retrata o período do garimpo no local, depois aproveitamos para tomar um café da tarde da cafeteria da própria galeria e passamos horas ouvindo as histórias contadas pelo Rafa (nosso guia) sobre o período do garimpo, a cultura local e como é a vida naquele lugar tão mágico.

Pernoitamos em Iguatu (pela distância já percorrida durante o dia e roteiro dos dias seguintes, não seria a melhor opção voltar a Lençóis, por isso o nosso roteiro também incluiu pernoite em outras cidadezinhas da Chapada). A Pousada escolhida foi a Pousada Flor de Açucena, toda construída ao redor das rochas originárias da Vila de Igatu, em perfeita integração com a natureza.

5º dia: Após o café da manhã, partimos em direção ao extremo sul do Parque Nacional, até o município de Ibicoara, onde visitamos minha (até então desconhecida) atração preferida: a espetaculosa Cachoeira do Buracão, com aproximadamente 100 metros de queda em forma circular e um impressionante cânion sinuoso! É realmente um lugar de tirar o fôlego. Tivemos a oportunidade de conhecer a cachoeira por cima (o que nos rendeu fotos incríveis) e, depois de uma trilha de 6 km (nível intermediário), tivemos também a oportunidade de mergulhar naquelas águas, nadar pelo cânion e relaxar embaixo da queda d´água!

Cachoeira do Buracão vista de cima
Cachoeira do Buracão vista de cima
Poço da Cachoeira do Buracão
Poço da Cachoeira do Buracão

Fizemos um lanche reforçado no local (tudo preparado pela agência que escolhemos) e depois seguimos até a charmosa cidade de Mucugê, local da nossa pernoite. Dessa vez, a pousada escolhida foi a Pousada Monte Azul (achamos um bom custo-benefício e tinha um café da manhã com várias opções, inclusive tapiocas feitas na hora).

6º dia: Esse foi definitivamente o dia da trilha mais intensa. Seguimos de Mucugê até Guiné de carro. Guiné é a entrada para o Vale do Pati, cuja travessia é considerada a mais linda do Brasil. Nosso destino era apenas o Mirante do Pati (não fizemos a trilha do Vale, pois isso exige pelo menos 3 dias), onde avistamos as montanhas e por onde passam as caminhadas da travessia. Foram aproximadamente 19 km de trilha, de dificuldade intermediária/avançada, em razão da distância e subida (logo no início da trilha). Não digo que não gostei da experiência, mas caminhar tantos quilômetros somente para chegar até o mirante? Confesso que hoje trocaria este passeio por outro. Fazer o passeio completo (trilha de 3 dias ou mais) deve ser muito show, mas a simples visita ao mirante (depois de tantos quilômetros de caminhada com sol forte na cabeça) acho dispensável (mas essa é apenas a minha opinião, ok?).

Trilha até o mirante do Vale do Pati
Trilha até o mirante do Vale do Pati
Mirante do Vale do Pati
Mirante do Vale do Pati

No fim do dia seguimos para o Vale do Capão, uma comunidade pitoresca com seus encantos próprios, onde a tranquilidade e a interação com a natureza parecem fazer parte da rotina dos locais. Pelo tamanho e estrutura do local, não recomendo não passar mais de uma ou duas noites por lá. Para jantar, procurem pela Pizzaria Capão Grande e experimentem uma pizza rústica, cortada assimetricamente em 16 pedaços para se comer com as mãos.

Pernoitamos no Vale do Capão, mas, dessa vez, a pousada escolhida ficou bem abaixo do esperado, então não faz sentido recomendá-la aqui…

7º dia: mais um lugar maravilhoso para lista: Cachoeira da Fumaça (pelo lado de cima, pois a trilha para vê-la do lado de baixo é outro tipo de passeio, com duração de mais de um dia, sendo preciso acampar no caminho). É a segunda maior cachoeira em queda livre do Brasil, com quase 400 metros.

Fizemos um trekking de cerca de 13 km (total) e esse sim é totalmente recompensador! Embora seja muito difícil encontrar a Fumaça com água (só tem água nos períodos chuvosos – dezembro/janeiro), a vista que se tem lá de cima é privilegiada, e faz qualquer um descobrir que tem medo de altura.

Sabe aquele lugar que por mais que você tente descrever parece que faltam palavras? E o mais legal é que fui até lá sem esperar muito, pensando “que graça teria uma cachoeira sem água?” E não é que eu me enganei redondamente? A falta de água não tira em nada o escândalo que é esse lugar!

Cachoeira da Fumaça
Cachoeira da Fumaça
Cachoeira da Fumaça vista por cima
Cachoeira da Fumaça vista por cima

Na parte da tarde desfrutamos da tranquilidade do Riachinho e aproveitamos nossos últimos momentos de sol na Chapada Diamantina, pois no dia seguinte (depois de desfrutar mais um pouquinho da graciosa cidade de Lençóis e comer mais um crepe do Café do Mato Cafeteria e Creperia) já seria necessário pegar o voo de volta para casa, ficando as lembranças dos dias tão especiais que passamos por lá e a vontade de voltar para conhecer mais um pouquinho daquele paraíso!

Tarde relax no Riachinho
Tarde relax no Riachinho

Claro que existem inúmeras outras opções de turismo na Chapada, cidades para conhecer e lugares para explorar, mas o nosso roteiro atendeu muito bem as nossas expectativas, pois envolveu passeios variados, e assim tivemos a oportunidade de ter uma noção ampla do que é a Chapada Diamantina. Seja qual for seu interesse, se você, assim como nós, também é apaixonado por ecoturismo, certamente encontrará sua opção perfeita por lá! Há roteiros mais leves, mais intensos, com mais ou menos adrenalina, e você pode montá-lo conforme seu perfil. Além disso, muitos optam por alugar um carro e conhecer o Parque por conta, o que também vale, desde que com uma boa pré-organização da viagem e GPS na mão (mas atenção: há determinados passeios que só podem ser feitos se acompanhados de guia turístico, então se informe antes a respeito das exigências do local que você pretende visitar).

8º dia: retorno.

O que levar na mala/mochila para conhecer a Chapada Diamantina?

  • Levar uma mochila de 15 a 30 litros para levar nos passeios e trilhas.
  • O que levar na mochila? Toalha (de preferência aquelas próprias para trekking, de secagem rápida), canga, roupa de banho, óculos de sol, chapéu/boné, capa de chuva (se sua viagem for durante o período chuvoso), casaco corta vento (no fim do dia a temperatura costuma cair), repelente, protetor solar, chinelo, uma troca de roupa, água, snacks (e saquinho plástico para guardar seu lixo).
  • Roupas leves (calça e bermuda/shorts próprios para trilha, camisetas, blusa para a noite) e sapatos confortáveis (tênis/bota para caminhar e chinelo são fundamentais).
  • Câmera fotográfica (para registrar tudo!).
  • Remédios e itens pessoais.

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  • Anna

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